nos últimos 7 dias eu disse tchau para tantas pessoas que nem tem graça. agora está batendo um apertinho de,
já amanhã, não ter eles todos na minha vida. tudo vai mudar, tudo vai ser diferente.
oh well. c’est la vie.
e fui eu que escolhi viver assim.
se eu não vivesse assim, nunca teria vindo para cá, não teria os conhecido e logo,
perdido coisas tão únicas e tão minhas.
além de dar tchau, eu e a jenn também tivemos a tarefa ingrata de desmontar o apartamento e fazer as malas. Não sei se
vocês sabem, mas Jennifer, minha roommate e boa amiga, está indo fazer um mochilão básico pela América Latina, começando
do México e terminando no Brasil… por isso, não é só fazer a mala, é realmente acabar com o apartamento, vender tudo.
sabe o que é ver uma casa cheia de móveis se transformando em quartos vazios?
hoje, minha última noite em DC, não se tem onde sentar e eu vou ter que dormir, com a Jen, em um colchão inflável.
ontem descobri que tem uma empresa que leva caixas para o brasil por 150 dólares. só que já era tarde demais, as minhas
malas-gigantes-malas já estão prontas e eu até já aceitei que amanhã vou ter que me arrastar pelo metrô de Washington com duas malas
pesadas para chegar no aeroporto. isso que joguei coisa fora, heim?
a pilha de coisas para doação era enorme. ia desde lençol, toalha, até bolsas novas que não cabem em mala, sapatos que apertam o pé
e essas coisas que você não adianta levar, que não vai usar (ou não vão ser úteis em um mochilão). a gente ligou para SEIS programas de assistência social perguntando se eles
aceitavam doação e se poderiam vir aqui buscar porque, oi, não temos carro e nem tempo! e cada um dos seis RECUSOU a nossa doação por motivos
tais quais: não buscam as coisas, cobram para buscar as coisas, não buscam de apartamentos ou não estão aceitando doações.
solução encontrada? colocar tudo isso na rua e torcer para alguém pegar.
depois disso foi a luta para esvaziar a cozinha e doar os alimentos. a gente tinha um montão de arroz, coisas enlatadas, macarrão… tudo de
melhor qualidade. e dar pra quem? de homeless a homeless a gente ia perguntando e eles iam recusando porque não têm aonde cozinhar. ou porque não
aceitam comida de estranhos (só dinheiro… aham). Solução? Colocar na esquina em uma praça que cheia de mendigo e quem sabe alguém pega?
ou seja, ser solidário em terras gringas e se desfazer das coisas é extremamente difícil.
agora eu estou completamente exausta desse processo e só posso esperar pelo alívio de estar na avião.
garota, eu vou pra califóooorniaaaaa….