If I were you, I’d love me too

Meu peso sempre foi uma questão muito séria na minha relação familiar. Inclusive sempre foi mais problema dentro de casa do que fora dela. Minha mãe e minha irmã, “cheias de amor”, sempre me pressionaram muito para emagrecer porque “ninguém me amaria sendo gorda assim”. Hoje eu total entendo que eram crenças delas e que eu sou um ser completamente amável e inclusive amada.

Esse tipo de pressão doméstica obviamente sempre minou minha auto estima e me fazia sentir a mosca do cocô do cavalo. E eu já saía de casa duvidando de mim mesma. Já emagreci várias vezes e voltei a engordar outras tantas, meu peso sempre “tende” para cima. Toda a minha relação com o meu corpo é exaustiva desde sempre, quase nunca baseada no amor próprio e sempre balizada na opinião alheia.

Uma vez a minha irmã, que é 4 anos mais nova que eu, disse que eu já não era muito linda por ter cabelo cacheado, como que eu ainda ia ser gorda? Ainda emendou que na rua as pessoas me olhavam com nojo, e isso foi uma das coisas mais brutais que já ouvi, ainda mais de alguém que suportamente tava ali desejando o meu bem. Eu mesma nunca tinha me dado conta disso, as pessoas tinham nojo de mim?

Num outro momento, quando eu fiquei desempregada e meio perdida na vida, minha mãe já me disse que achava que eu não conseguia emprego por ser gorda. Eu, em minha experiência, nunca tinha sentido tal preconceito. Ainda hoje, nunca senti. Mas sempre me pergunto um: será?

Essas coisas entram na sua cabeça, vão infectando seu sistema de crenças e você passa a se achar sim horrível. Hoje uma senhora em um asilo olhou pra mim e disse “você parece tão saudável, olha que perna gorda”, e mesmo eu sabendo que aquilo saia quase como elogio de uma pobre velhinha abandonada num asilo, ficou ecoando na minha cabeça o “gorda”.

Eu sou gorda. E graças ao feminismo, entre trancos e barrancos fui conseguindo me empoderar e me aceitar. Eita, eu sou bonita assim. Meu corpo é saudável e funciona bem. Eu posso ir na praia de biquíni e usar short, coisa que deixei de fazer toda minha adolescência. E com meu auto amor, fui indiretamente conseguindo fazer minha mãe e irmã aceitarem e me amarem como eu sou. E tenho namorado que me ama, emprego em que ganho bem e não tem peso que me pare.

Minha irmã trabalha na justiça do trabalho e chegou na mão dela um processo de gordofobia. Ela levou o trem tão a sério, me ligou enquanto escrevia o voto, me contou dos detalhes. Ela nunca me conta de tantos detalhes de nenhum outro caso. E o desembargador manteve o voto dela e a pessoa que processou ganhou como assédio moral. Minha irmã me mandou por email o acórdão e sério, eu me senti tão amada. É como se ela estivesse dizendo “olha como eu luto por você”, “olha como seu sei que não tem nada errado com você”.

É uma vitória pessoal que a minha irmã tenha aprendido isso. Amor, de verdade, é assim.

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Mas é claro que o sol vai voltar amanhã

Comecei a fazer um novo esforço para arranjar amigos por aqui. Não sei se contei aqui, mas antes, com o aval do meu namorado, eu tentei entrar no tinder e fazer amizades. A estratégia deu muito errado, primeiro que nem uma lésbica me deu match, e segundo que mesmo avisando para os caras héteros que eu não iria trair meu namorado e só queria só amigos, eu sentia que todos estavam dando em cima de mim (tenho trust issues com homens?).

Minha nova estratégia, muito mais eficaz: ir no Twitter e implorar as pessoas legais para serem minhas amigas aqui. Tem funcionado e tenho tido encontros bem legais. O que significa que sim, tenho uma vida social aqui.

Fora isso, muita emoção. Um dia desses eu fiz um depósito errado porque a mulher do financeiro do meu trabalho antigo me passou o número errado da conta (eu tava tentando devolver o dinheiro que eles depositaram errado na minha conta!!!). Aí fiquei tentando ligar cerca de 50 vezes para o meu gerente em Belo Horizonte até que a minha mãe finalmente teve que ir ao banco e tentar (e conseguir) estornar R$ 2000 que tinha sido depositado errado. É muita emoção, é muito sofrimento. Enfim, graças a Deus hoje é feriado, obrigada Nossa Senhora Aparecida por ter aparecido e eu poder dormir hoje até 12:00.

Pra te convencer que vale a pena se amar

Um trechinho do poema “Milionário do Sonho” da  Elisa Lucinda falando de cachinhos.

Achei lindo!

Tendo um cabelo tão bom, cheio de cacho em movimento, cheio de armação, emaranhado, crespura e bom comportamento,
grito bem alto, sim?

Qual foi o idiota que concluiu que meu cabelo é ruim?
Qual foi o otário, equivocado,
que decidiu estar errado o meu cabelo enrolado?
Ruim pra quê?
ruim pra quem?

Infeliz do povo que não sabe de onde vem
Pequeno é o povo que não se ama,
o povo que tem na grandeza da mistura
o preto, o índio, o branco, a farra das culturas
Pobre do povo que, sem estrutura, acaba crendo na loucura de ter que ser outro para ser alguém

Não vem que não tem,
com a palavra eu bato,
não apanho
Escuta essa, neném,
sou milionário do sonho

 

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Escrevi outro texto. Farei o possível para postar toda terça-feira conteúdos sobre esses conceitos que se apresentam “confusos” nas pré-eleições. Me segue lá no medium, não sei se faz sentido ficar avisando aqui sempre.

“Esse tal de Direitos Humanos”

 

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Agora eu era heroína e o meu cavalo falava inglês

Há dias eu vinha pensando em como reagir a todo esse ataque que temos visto contra o bom senso. Eu tentava encontrar uma maneira de ser mais politicamente ativa e ter certeza absoluta que não fui omissa nesse caminhar para a extrema-direita que o nosso país vem vindo.

Assim, inundei minhas redes sociais con um enorme texto sobre o regime militar brasileiro. Utilizei todo meu conhecimento de inúmeras aulas e textos acadêmicos de história, política e economia.

Recentemente, alguém me sugeriu que eu deveria fazer algo nesse sentido, porque tenho uma linguagem fácil para explicar termos que a maior parte das pessoas sem formação política desconhece. Não sei se textos enormes e densos são a resposta, mas não tenho tempo e nem talento para inventar um YouTube e não tenho criatividade para inventar algo novo. Então bora textão!

Meu texto nem chegou perto de viralizar, mas tive respostas interessantes que me estimularam a continuar. Assim, crei um medium e já coloquei esse primeiro texto – “Economia e corrupção durante o ‘Milagre Econômico’ https://medium.com/@alicequintao/economia-e-corrup%C3%A7%C3%A3o-durante-o-milagre-econ%C3%B4mico-7e7065a61e28.

Não sou tão brilhante e me falta formação acadêmica. Tô longe de professora de qualquer coisa. Mas ignorância se combate é com conhecimento. Aviso a vocês quando postar novos textos. 😘

Eu guardo as minhas cicatrizes

Ontem me engajei empolgadamente em uma discussão sobre a responsabilidade social de um time de futebol dada a construção do seu estádio (contexo: o Atlético construirá seu próprio). Do outro lado, uma pessoa aque gosta de discutir e não o faz com muito respeito. Dado certo momento, eu que estava no ônibus fretado voltando pra casa — PAUSA: agora eu pego o ônibus na porta de casa (literalmente), depois de 2 meses pegando outra linha a 3 quarteirões!!! EITA! — mandei um “cansei de ter meus argumentos desqualificados, vou tirar uma soneca aqui”.

A minha querida opositora ficou uma ONÇA, me xingou toda e saiu do grupo. Eu, como sou muito das trouxas, e ela já foi na minha casa, e fomos tantas vezes em jogos juntas, e saímos tantas vezes , e nos divertimos tanto, fui conversar com ela.

E recebei um:

– Alice, nós não somos amigas.

 

Tá bom de fora para você? Mas que se foda também.

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Vem ver comigo os meus “ais”

Completos quase 3 meses aqui, ando me perguntado se acertei em vir.

Tenho me sentindo absurdamente sozinha e o trabalho não é tão divertido ou estimulante quando o outro era – embora seja desde já maravilhosa a independência que tenho.

Estou consciente que essa “infelicidade” é ligada ao estar fora da minha zona de conforto – porque eu saí foi “de com força”, trocando de trabalho, casa e cidade – e também da solidão (dados os 3 meses, interagi com o total de 0 pessoas fora de ambiente de trabalho).

O trabalho per si é também uma ainda ausência de empoderamento, um tatear dos limites e um não entender de um processo que, definitivamente, é a coisa mais irritante que já realizei. Ele, também, é muito solitário.

Os desafios de morar sozinha, incrivelmente, mas me entretem nessa vida vazia que tenho (sem amigos, sem vontade), do que me causam sofrimento. Fico animada de limpar a casa porque é melhor que não fazer nada. Até cozinhar vira programa, ir ao supermercado é superação. Ir ao cinema é meu principal motivo para sair de casa. Eu, minha pipoca e o escurinho do cinema fingindo que o mundo é só aquilo por 180 minutos.

Sim. Tô meio deprê. Já tendo me ausentado outras vezes de onde venho, sei que sempre me dói um pouquinho a vida que segue das pessoas que eu amo: eles saem, se divertem, vivem momentos e eu aqui.

Me sinto perdendo minha vida, porque se eu tivesse lá, tava vivendo mais.

Tenho tentando encontrar paz me lembrando de momentos identicos que vivi em outras experiências e que foram superadas com o tempo. Porque é só com o tempo que se constrói uma vida em um lugar novo. Né?

Ixi

Uma coisa que eu gosto é descobir coisas que outros vão amar. É quando passo para minha irmã uma série que ela vai achar perfeita. Quando recomendo pra uma amiga uma canção que é a cara dela. É quando levo minha mãe em um restaurante que ela ama.

Mas não consigo fazer isso com o meu namorado, porque ele não gosta de nada.

Não é que ele não goste necessariamente, mas ele critica absolutamente tudo. Uma bosta de somelier de qualquer coisa.

Um filme ao sair do cinema: fraquinho. A comida do restaurante: preferiria se fosse de tal maneira. Uma música: ele nem gosta tanto assim de música.

 

Recomendei uma série que achei que ele fosse amar. Roteiro bem feito, caracterização perfeita, batalhas e mortes. Pergunto ansiosa quando ele termina a temporada: “gostou?”;

– Não tem mulher bonita na série, não aparece um só peito.

 

MAS VAI TOMAR NO C*.

 

*pelo desabafinho, obrigada.

E sigo tentando fazer com que tudo seja um pouco melhor

Quando morei fora, eu praticamente não tinha que cozinhar para mim mesma. Espertamente, conseguia fazer com que meus rommies me dessem comida, e em troca eu lavava louça. Justíssimo.

Não era nem preguiça. É não gostar. Estar enfurnada na cozinha não me traz alegria, não me dá tesão. Não quero inventar coisas novas, descobrir sabores novos. Lavo louças sempre. Sem muito sofrimento.

Cheguei aos 32 anos sabendo fazer pipoca, tapioca,  brigadeiro, macarronada e risoto (óbvio que sei mais coisas que essas, mas né, nada que seja a base de a alimentação de alguém).  Pois bem, só que a bonitinha aqui foi morar solo mesmo. Não tem charminho nem não saber cozinhar que me salvaria da minha necessidade fazer a própria marmita.

(Um pequeno intervalinho: vocês sabem que gente magra tende a fazer coisa de gente magra, né. Magrinhas muitas vezes adoram esportes e comem mais saudavelmente por gosto, diz a regra (ó, tem exceções). Uma amiga também não sabe cozinhar e sempre morou sozinha. “Como você faz?”, perguntei espantada. “Saladas e omeletes”, ela disse. AH VÁ QUE EU VOU VIVER DA SALADA A OMELETE).

Mamãe e irmã, fofas, fizeram para mim um vasto livro de receitas, com as que mais eram feitas lá em casa. Foi tudo escrito à mão (amor mesmo), e com dicas e comentários. Ensina desde fazer arroz, passando por temperar carne, até fazer pratinhos mais elaborados. Salvação.

Dominado mesmo, estou com o arroz. Ontem me aventurei pela primeira vez pela panela de pressão pra fazer feijão e variei entre crises de pânico e ligações pra mãe “é assim mesmo?”.

Já me sentindo vitoriosa, refogando o feijão, eis que o fogão de acedendor elétrico entra em curto. Isso mesmo. Crec crec crec infinitos. CARALEO. Pensei que a casa fosse explodir, não entendi no primeiro momento que passava. Desliguei a chave de luz e chorei copiosamente. Depois, sob orientações maternas, desliguei o fogão na tomada e terminei o feijão normalmente.

Vou ter que chamar assistência técnica.

 

Tá difícil morar só.

E você não esquecer o que os números significam.

Uma semana antes de completar um mês na cidade em que moro, saiu uma dessas pesquisas de violência na qual, entre as mais perigosas, minha residência era a segunda como mais homícidios por 100.000 habitantes… do país. Mil desculpas governamentais surgem, mas basicamente diz que muitas outras cidade e estados “forjam resultados”, não registrando tudo o que acontece como homícidio e nem na localidade certa.

Porém, praticamente toda reunião com a comunidade que tenho, os indíces de violência na região metropolitana de Salvador são mais que estatística, mas realidade. Tá rolando guerra urbana, disputa de poder entre grupos de narcotraficantes. É escola que foi invadida, assassinato na porta de posto de saúde, etc.

Domingo eu acordei e fazia um dia muito lindo. Ao contrário do sudeste, chafurdado em um inverno forte, aqui as temperaturas estão quase sempre acima dos 25°C. Tava ensolarado o suficiente para eu querer sair de casa e ir até a praia. E fui. Toda vez que piso na praia, fico grata por morar tão perto dela. Só de colocar o pé no mar me sinto mais limpa e conectada com o mundo. Plena, comecei a fazer planos de ir caminhar lá todos os fins de semana, com roupa de banho pra poder nadar depois do exercício. Ria sozinha. É isso. Moro na Bahia. Em

Na volta da praia, passando por um bairro mais humide, mas que fica a 10 min, se muito, da minha casa, vejo uma aglomeração de pessoas. É caminho natural para aquela praia. Logo penso que é festa. E olho com atenção.

É um corpo no chão. Domingo, 11h da manhã.