We all know we could be better

Hoje é aniversário do meu primo. Crescemos os 3 juntos, minha irmã, eu e ele. Era tipo irmão. Faz anos que não vejo. O afastamento foi por briga familiar, ele decidiu comprar briga da mãe dele com a minha mãe. Hoje a mãe dele já voltou a ir lá em casa, mas eu mesma não sei nada dele.

Ontem meu pai me ligou para ir na casa dele num churrasco. Eu não vou na casa do meu pai desde antes da gente brigar com ele porque ele tinha tido uma filha com a mulher dele e escondido da gente. Não sei porque ele resolveu convidar. Mas nesse sábado vou estar viajando a trabalho, calhou o destino. Não sei se a minha irmã vai. Ela não quer nem falar disso e disse que a decisão é só dela. Como eu já sei que não vou, vou deixar pra lá.

Fico pensando se toda família é toda cheia de atrito e torta assim ou é só a minha que não sabe cultivar e cuidar do amor. E fico pensando no impacto disso tudo em mim: serei eu também pouco semeadora por exemplo e educação?tumblr_n531tvyclc1qe2zdbo1_500

Can’t we give ourselves one more chance?

No coaching tem uma ação que pode ser genericamente chamada de “lista de felicidade”. Consiste basicamente em listar suas coisas favoritas na vida e tentar distribuí-las no seu planejamento diário/mensal/anual. É se prometer ser feliz e cumprir.

Assim você pode distribuir entre a rotina maçante ler livros, comer chocolate, fazer sexo, ver seus amigos, ir à praça andar de patins e assistir um pôr do sol por mês. Ajuda também à planejar viagens e economizar dinheiro (ou gastar dinheiro) sabendo que é investimento em ser feliz.

E basicamente o essencial na vida é ser feliz, não é mesmo?

Recentemente eu tenho lambido muito minhas próprias lambidas e ficado orgulhosa de mim mesma, sem dividir muito com ninguém. Fiz a minha lista de felicidade e tenho tentado fazer coisas felizes ao menos uma vez por dia. Na minha lista está incluso a ação de ouvir musiquinhas favoritas.

Fiz um pen drive com minhas músicas favoritas (144 no total e com tendência de crescer). Todo dia eu chego no trabalho e escuto algumas músicas favoritas. E assim, mesmo quando o mundo tá bem ruim, ou só marromenos ou até mesmo felizinho, vem todas aquelas músicas com sua imensa capacidade de tornar o mundo melhor. Recomendo muito.

(no momento dançando mentalmente Under Pressure)

E acordei nesse mundo marginal

Outro dia minha tia tava aqui em casa e minha irmã a convenceu a nos explicar nossa nobre linhagem materna. Com muita confusão e sendo elaborada uma árvore genealógica com alcunhas ao invés de nome, tenho: um par de bisavós bravas, uma delas diretora de grupo escolar em uma épocas que mulheres não trabalhavam, um bisavô tropeiro, também padeiro e alfaiate, sendo que um dos casais de bisavó era irmãos de parte de pai (!!!) e vieram do Rio fugidos/escondidos para BH. O outro casal era mais simples. Ela era filha de um português com uma negra e o seu marido era filho de uma cigana adolescente comprada que se casou com o filho de um padre árabe (!!!), obviamente sem largar o hábito.

Pois é.

 

Deve ter sido eu

Um dia desses uma colega de trabalho dizia que queria ganhar o mesmo tanto que eu. Bocuda como sou, disse “você nem sabe quanto é. Quer saber? É 700 reais a mais. Fim”.

Isso tem mês. Não liguei.

Ontem vieram me contar que ela chegou na sala do diretor pedindo um salário igual ao meu e dizendo que eu falei meu salário no meio do corredor, que ela escutou, sem nenhum pudor.

Meu sangue ferveu. Nego botando meu nome em fofoca. Falando mal de coisas que fiz sem maldade. E pedindo meu salário sendo que Ó: EU GANHO É POUCO A MAIS PRO TANTO QUE FAÇO MAIS.

Tô com uma enorme vontade de tirar satisfação, mas sei que não faz qualquer sentido. Agora o aprendizado:

DEIXA DE SER TROUXA, ALICE

Se sou eu ainda jovem passando por cima de tudo

Hoje estava descendo do ônibus e vi meu pai na mesma calçada em que eu estava. Fazia mais de um ano que eu não o via, ele agiu normalmente como se fosse a coisa mais normal do mundo me encontrar por aí. Não teve nenhuma pergunta importante e nenhuma menção de encontro em qualquer futuro.

Ontem eu decidi contar para minha mãe uma situação de abuso sexual que aconteceu comigo há 20 anos. Ela não falou nada além de “porque você não me contou antes?”. Imagino que doa nela também, mas não tem muita expressão de dor, sentimento, preocupação.

A vida tem muito de seguir sozinha.

We can’t rewind, we’re locked in time

Num projeto aconteceu um erro de comunicação e como consequência, escopo e orçamento foram mal desenhados. Quando descoberto o buraco, a solução dele estourava o orçamento do projeto, mas propus que arcaríamos com metade dos custos, e a empresa parceira não aceitou e disse que faria tudo ela mesmo.

Daí a minha contraparte não tava me ligando mais, não mandava mais email e andava furando nos dias de reunião de monitoramento. Achei que a nossa relação tava saturada e que ela tava #chati fui perguntar pra equipe operacional: “ela tá muito brava comigo?”.

Fiquei sabendo que menina tá grávida, passando altos perreguens e quase não indo na empresa. Ou seja, ausência não tem nada a ver comigo, com o projeto, ou qualquer coisa assim.

Minha sensação que quase sempre eu tô levando as coisas pro pessoal mesmo.

Cadê aquela Alice moleca, Alice descolada*, aquela que recebeu alta na terapia… a que sabe que as pessoas não fazem nada contra a gente porque estão ocupadas demais vivendo a própria vida para ficarem pensando em como te magoar mais.

Estou precisando melhorar.

 

*O cérebro é tão forte que eu tinha escrito deslocada ao invés de descolada.

Eu sei bem onde fica toda dor.

Os dias insanos não param, mas a vontade de chorar varia.

Hoje mandei embora a pessoa do post abaixo. Sofri muito antes de fazê-lo. Foi por telefone e durou 10 minutos. Ela me disse que iria para qualquer outra cidade porque adora trabalhar aqui. Contei para a minha chefe e a mesma disse que quem sabe ela assume Fortaleza?

Daí a vontade de chorar passou.

Quarta eu tenho um evento até 22h. Vou ter trabalhado 13 horas nesse dia. Na quinta-feira tenho um vôo cujo embarque é às 05:40 da manhã. No muito muito longe aeroporto de Confins. Volto domingo na hora do almoço, depois de ter tido treinamento sábado o dia todo.

Aí quando eu lembro disso, a vontade de chorar volta. Estamos no modo “sofrer por antecipação” ligadíssimo!

Respira, respira, respira

Fui ao médico e ele disse que foi “só” uma entorse que vai passar sozinha e que é normal meu joelho sem ligamento falhe às vezes.  Lembrei-me desse poeminha do Cacaso e só não o segui a risca porque não tô em condições de dança – ainda.

Vida e Obra – Cacaso

Você sabe o que Kant dizia?

Que se tudo desse certo no meio também
Daria no fim dependendo da idéia que se
Fizesse de começo.

E depois – Para ilustrar – saiu dançando um
Foxtrote


Minha chefe me avisou por whatsapp que vamos ter que fechar outra operação e que vou mandar embora gente que prometi que ia manter. Tá fueda essa crise. É um coração partido depois do outro. Sinto orgulho de criar emprego, não em tira-los.


Perguntei ao médico se ele já queria operar meu ligamento. Nem verbalizei que tava querendo operar só ano que vem, porque tá difícil de sair do trabalho e tô com medo de não estar tão andante no fim do ano e ter que abrir mão da minha aventura em terras bolivianas.

Meu médico me disse “se você perdeu 10 kg em 6 meses, perde mais 10 nos próximos 6 e aí eu te opero”.

 

VISH.

 

 

Enamorada de la vida aunque a veces duela

Meu monero veio me ver para comemoramos dois anos juntos e eu caí da escada. Teve dois dias inteiros de amorzinho entre os fatos, mas essa foi a sequência lógica. Eu tive uma crise de pânico porque fiquei com medo de ter fodido mais meu joelho (e confesso que passadas 9h horas não estou ainda conseguindo pisar direito e com dor – ansiedade) e enquanto ele me abraçava, ele disse que me amava e que sempre vai cuidar de mim.

Daí hoje eu acordei e resolvi trabalhar de casa, com medo de piorar meu joelho ainda mais, e deixei ele dormindo. E é tudo tão terno que mesmo ontem eu tendo chorado, tremido, engasgado, provavelmente babado e provado que sou inapta para descer escadas, ele me disse “você não tá sozinha nunca, vou cuidar de você para sempre”.

Minha vontade é entrar lá no quarto e pergunta se dá para o para sempre começar agora.

 

Porque eu tô cansada de ser louca assim sozinha

Eu tô em um momento tenso no trabalho. Tô cantando esse momento têm semanas, sabia que ia chegar. Ei-lo. O  desesperador momento que todos os projetos estão ou começando juntos ou sendo executados em fase crucial juntos. Sério. Tenho 4 investimentos novos, fim de um projeto, série de demissões, metodologia nova para aplicar, contratações, negociação nova com um potencial parceiro e 3 projetos em momento crucial. E eu.

Eu tenho uma lista que fico atualizando com coisas que tenho que fazer e às vezes eu não sei por onde começar. Mas vontade de chorar mesmo eu fico quando eu trabalho trabalho trabalho e não tem nada da lista para cortar. É desolador. A porra da lista só cresce.

Tenho tentado seriamente não fazer hora extra e só sofrer no trabalho. Mas hoje fiquei MUITO ansiosa, tanto que o chefe da minha chefe ficou me mandando mensagens motivacionais e me prometeu um bônus se eu conseguir fazer tudo (RÁ).

O pior de tudo é que eu, no auge da minha ansiedade, cheguei em casa e disparei “me prometeram um bônus” e ninguém me respondeu. Me senti absolutamente ultrajada e decidi não falar mais com a minha família. Que obviamente não liga bulhufas pro meu silêncio.O que me faz programar mais tempo de silêncio.

Sempre me surpreende como eu posso ser tão adulta e tão criança no mesmo dia.