Los Angeles

Eu fui embora de DC e nem senti.

Era tanta preocupação em fazer as malas, arrumar o apartamento e chegar com todas as coisas no aeroporto que na hora de ir embora mesmo, eu nem me importei.

Nenhuma das minhas despedidas me emocionou, o que vem enfatizar o fato do meu coração ser de pedra, apesar de eu fingir que não é. Eu e a Jenn realizamos a proeza de carregar CINCO malas mais mochilas e bolsas desde a nossa casa até o aeroporto, utilizando a full (eu sei que a gnt não fala a full no Brasil e isso tá errado em inglês, mas se fala a full na Argentina e faz falta no meu vocabulário) o sistema de transportes de DC.

Foram seis horas de vôo até a Califórnia, que somada a troca de fuso, tão me deixando cansada até agora.

A casa da Jenn é bonita, a família e os amigos legais e LA até agora é a cidade mais feia que eu já vi nesse país. Acho que hoje vou pra Hollywood e vou ser artista de cinema.

Beijos

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Post escrito em DC, mas postado em Denver, Colorado.

nos últimos 7 dias eu disse tchau para tantas pessoas que nem tem graça. agora está batendo um apertinho de,
já amanhã, não ter eles todos na minha vida. tudo vai mudar, tudo vai ser diferente.
 oh well. c’est la vie.

e fui eu que escolhi viver assim.
se eu não vivesse assim, nunca teria vindo para cá, não teria os conhecido e logo,
perdido coisas tão únicas e tão minhas.

além de dar tchau, eu e a jenn também tivemos a tarefa ingrata de desmontar o apartamento e fazer as malas. Não sei se
vocês sabem, mas  Jennifer, minha roommate e boa amiga, está indo fazer um mochilão básico pela América Latina, começando
do México e terminando no Brasil… por isso, não é só fazer a mala, é realmente acabar com o apartamento, vender tudo.
sabe o que é ver uma casa cheia de móveis se transformando em quartos vazios?
hoje, minha última noite em DC, não se tem onde sentar e eu vou ter que dormir, com a Jen, em um colchão inflável.

ontem descobri que tem uma empresa que leva caixas para o brasil por 150 dólares. só que já era tarde demais, as minhas
malas-gigantes-malas já estão prontas e eu até já aceitei que amanhã vou ter que me arrastar pelo metrô de Washington com duas malas
pesadas para chegar no aeroporto. isso que joguei coisa fora, heim?

a pilha de coisas para doação era enorme. ia desde lençol, toalha, até bolsas novas que não cabem em mala, sapatos que apertam o pé
e essas coisas que você não adianta levar, que não vai usar (ou não vão ser úteis em um mochilão). a gente ligou para SEIS programas de assistência social perguntando se eles
aceitavam doação e se poderiam vir aqui buscar porque, oi, não temos carro e nem tempo! e cada um dos seis RECUSOU a nossa doação por motivos
tais quais: não buscam as coisas, cobram para buscar as coisas, não buscam de apartamentos ou não estão aceitando doações.
solução encontrada? colocar tudo isso na rua e torcer para alguém pegar.

depois disso foi a luta para esvaziar a cozinha e doar os alimentos. a gente tinha um montão de arroz, coisas enlatadas, macarrão… tudo de
melhor qualidade. e dar pra quem? de homeless a homeless a gente ia perguntando e eles iam recusando porque não têm aonde cozinhar. ou porque não
aceitam comida de estranhos (só dinheiro… aham). Solução? Colocar na esquina em uma praça que cheia de mendigo e quem sabe alguém pega?

ou seja, ser solidário em terras gringas e se desfazer das coisas é extremamente difícil.

agora eu estou completamente exausta desse processo e só posso esperar pelo alívio de estar na avião.

garota, eu vou pra califóooorniaaaaa….

E que ruuuufem os tambores!

A vida é mesmo cheia de pequenos milagres. Tão pequenos que na verdade nem são milagres, mas coisas boas.

Um amigo antigo e querido do Brasil veio passar o dia comigo em DC. De repente não tinha mais encheção de saco de fazer mala, dor de deixar pessoas para trás, romance mal resolvido, medo de mudar. Pela primeira vez em três meses eu não pensei o dia inteiro que “eu estou indo embora, esse é o fim”. Eu só pensava no tanto que eu gostava dele, do tanto que eu estava feliz, pensava em contar novidades daqui, em saber coisas do Brasil. E eu tava lá, contente da vida e pensando, “cara, eu o amo!”.

Então a ficha caiu.  Assim mesmo, A ficha caiu. The one I was waiting so long to feel.

Eu vou ver, em três semanas, as pessoas que eu mais amo no mundo inteiro. Gente que é minha e eu sou delas. Gente que não precisa de esfoço, gente que é tão amada que eu nem tenho medo de perder.

E agora eu quero ir pro Brasil e ser feliz com eles. =)

 

Finalmente eu achei uma razão para voltar além a de eu estar infeliz aqui.

And it feels SO GOOD!

Nada

São tempos difícies no meu reino, eu vou bem dizer. Essa coisa toda de ir embora não é meu forte, principalmente a parte de fazer as malas e ir-se embora. Hoje tive uma manhã/tarde muito sofridas, tentando por um ano e três meses de vida em duas malas. Ter que jogar coisas fora é uma sensação ruim. Ainda dá tempo de ir ali no saco de roupas e catar uma blusa? =s

E pôr aonde?

Ao mesmo tempo, estou completamente irritada de não ter conseguido ver nenhuma medalha brasileira ao vivo. EU, FANÁAATICA POR OLIMPIADAS! Mano, eu, mesmo daqui, maior me dediquei a esses jogos de Beijing! (Pequim em português, né? Tive que olhar no google =S). Mas a NBC não me ajuda. Agora, por exemplo, tá acontecendo a final do vôlei masculino. Eu ligo na tv e tá passando corrida de bicicleta! BICICLETA, MANO? Isso que a final do vôlei é contra os EUA, heim?

Meeesma coisa, outro dia na final do futebol feminino tava passando polo aquático. POLO AQUÁTICO? X.X

>.<

Enfim.

A NBC tem direitos de trasmissão exclusivos.

Mudando do nada para coisa nenhuma, talvez hoje tenha sido a última vez que eu vocês sabem quem (toda vez agora é a última vez). E para completar essa relação que foi do nada ao lugar nenhum, uma foto dele, porque não? Eu vou deletar a foto depois mesmo, não é?

[tirei a foto, tirei o nome pra ser menos stalker e só a título de informação, foi a última vez e foi maior poético, ele pagou a conta e foi embora andando no metrô e eu o vendo de costas pensando “é a última vez”. Foi.]

NY NY…

Ir para NY foi um alívio para a minha partida. Ficando aqui eu teria mais dias para lidar com malas, despedidas e faltas. E também tempo em excesso para avaliar meu romance inexistente mas que finalmente não é platônico – e nem assim mais real.

Em NY eu fiquei com a Margot, definitivamente a minha melhor amiga por essas bandas gringas. É com quem eu mais combino, quem eu mais amo. A Margot foi embora de DC no final de maio e deixou um buraco enorme na minha vida, um buraco que eu nem sabia que existia até estar com ela. Foi na casa da Margot que eu passei o natal ano passado. Foi com a Margot que eu fiz tudo no ano passado. E eu tive hoje que dizer tchau pra Margot. It sucks.

Pelo menos eu sei que a Margot não se encaixa na categoria “gente que eu tenho medo de perder”.  Tem gente que eu sei que depois que eu for embora pode ser que o contato se expire com o tempo… mas eu e a Margot somos eternas. E fomos eternas em NY.

A primeira vez que eu fui em NY foi com ela, e a ultima, essa, também. Agora a Margot mora lá, em um apartamento enome que os pais dela compraram no Chelsea. Ela entrou em um programa do governo americano que se chama Teach for the the America e vai dar aula no Bronx para crianças bilingues.

A gente foi na ONU, assistiu Hairspray na Broadway, viu uma exposição do Dali no MOMA e leu revista de fofocas no Central Park. A gente gastou horrores com comida e bebida, mas tudo bem, já que era a última vez. Eu não sei quando eu vou ver a Margot de novo. E nem quando eu vou ver NY de novo.

Eu adoro NY, mas a Margot eu amo mesmo.
Melhor que a Times Square (e olha que a Times Square e as suas luzes me fazem feliz pra caramba), é a Margot. E vou logo dizer ela é melhor que NY mesmo.

Vou sentir saudades. :~~~~

Clarice Lispector e uma sensação que eu conheço

. uma das coisas que aprendi é que se deve viver apesar de. Apesar de, se deve comer. Apesar de, se deve amar. Apesar de, se deve morrer. Inclusive muitas vezes é o próprio apesar de que nos empurra para a frente. Foi o apesar de que me deu uma angústia que insatisfeita foi a criadora de minha própria vida. Foi apesar de que parei na rua e fiquei olhando para você enquanto você esperava um táxi. E desde logo desejando você, esse teu corpo que nem sequer é bonito, mas é o corpo que eu quero. Mas quero inteira, com a alma também. Por isso, não faz mal que você não venha, espararei quanto tempo for preciso.

frustrações

eu estou extremamente frustrada.
com tudo.

minha vontade é ir para minha cama e ficar debaixo das cobertas até que finalmente alguma coisa boa
aconteça e sinalize que o mundo é um lugar vivível.

até agora, sem sucesso. desde ontem a vida tem sido dura comigo.
e eu não posso nem me fazer de coitadinha que eu sei que os meus problemas nem são problemas de verdade
e que eu estoou reclamando de boca cheia.

eu sei disso, eu sei.
eu tinha que agradecer, e muito, pela minha vida.
que vida não tem problemas, apertos e frustrações?
e nem é que eu não esteja acostumada a perder, heim?
estou sim.

eu estou talvez acostumada demais.
as coisas ruins nem me derrubam, só me abalam.
me deixam com raiva, mal humor. frustrada é a palavra.
frus-tra-da.

e vem a minha mãe com um papinho de aproveitar o dia.
o dia que vá pra puta que pariu.

estou na espera de ventos melhores.
assim, passiva.
porque ser ativa não me levou até agora nem na esquina.

 

eu preciso de uma, só uma, boa notícia.

só uma coisinha boba. ai eu levanto e vivo. até lá… boa noite

The call

It started out as a feeling,
which then grew into a hope,
which then turned into a quiet thought,
which then turned into a quiet word,
and then that word grew louder and louder
‘til it was a battle cry:
I’ll come back when you call me,
no need to say goodbye.

Just because everything’s changing
doesn’t mean it’s never been this way before.
All you can do is try to know who your friends are
as you head off to the war.
Pick a star on the dark horizon
and follow the light.
You’ll come back when it’s over,
no need to say goodbye.

Now we’re back to the beginning.
It’s just a feeling and no one knows yet,
but just because they can’t feel it too
doesn’t mean that you have to forget.
Let your memories grow stronger and stronger
‘til they’re before your eyes.
You’ll come back when they call you,
no need to say goodbye.

Regina Spektor
letras acima