Smiling pretty

E com você, tudo bem?

Sem eu nem perceber, vem mais rápido que uma bala a resposta bem convencionada e exagerada de que “eu estou ótima”. Por que veja bem, não tem muito bem como eu te explicar que eu tenho um medo danado de não ser suficiente nem pro mínimo que eu contava.

E porque você me ama, de um jeito incondicional, sem nem me conhecer bem, sem nem sequer me entender, ia tentar ajudar. Então me diria “quê isso, Alice, você é super capaz” e emendaria com uns dois conselhos pra eu ficar melhor, como me mudar pra Brasília e estudar pra concursos e fazer um regime e aulas de dança.

Pra não ter que argumentar que meu coração não me leva à Brasília e que a vida burocrática não é pra mim, ou que eu estou muito ansiosa pra parar de comer e que aulas de dança não vão aumentar meus níveis de felicidade, abro um sorriso e te digo: nunca estive mais feliz.

E você, com toda a sua experiência de vida, nem finge que acredita:

Meu anjo, um beijo para você. Amanhã, eu ligo de novo dando um oi para o povo. E se você quiser conversar comigo particularmente sobre sua vida, as coisas que estão rolando com você… Estarei sempre e discretamente às ordens. Tanto para ouvir, quanto para dar palpite. Um beijo.

I’m just a shout away from you

um lembrete pra mim e pra você
um lembrete pra mim e pra você

Acordei com uma angústia tão grande que não acho que eu vá dormir tão cedo. Não sei de onde veio, só sei que me venceu. De umas bizarrices que são só minhas, veio falando em inglês até eu esbarrar na palavra fossa. Estranhamente não me veio nada de blues, de depression ou de mim sinônimos que eu sei, mas não lembrei. Fossa essa do meu pensamento que não é minha. Ah, não é.

Também não mora só fora de mim essa sensação ruim. Tem algo daqui. Da minha fraqueza, dos meus medos com o amanhã. Do fato da minha vida ser toda tão aberta e indefinida e de, na verdade, eu estar sendo julgada e avaliada o tempo todo. Quando é que eu vou ter certeza que sou boa o suficiente pra qualquer coisa?

Eu posso estar confusa, posso estar tentando tatear um caminho. Posso estar extremamente perdida. Mas há um sei lá o que de orgulho que não me deixa chorar por tais razões. Não mais. Fico meio que imaginando maneiras de dar um closure em tudo o que não é controlável por mim. Você não é controlável por mim. Aliás, recentemente, você tem estado extremamente fora de controle.

Queria  conseguir falar que acabou e realmente acabar, estar realmente pronta pra move on. A maior parte dessas coisas só acontece, na verdade, na minha imaginação. A próxima vez que nos falarmos eu vou te escutar e talvez eu vou até te deixar me puxar de volta.  A verdade é que eu tenho uma vontade extrema de te ajudar, como se isso de alguma maneira fosse me ajudar.

Não vai. A fossa é sua. SÓ SUA. Eu tinha que ter aprendido isso já. Eu não salvo ninguém, preciso parar com essa síndrome de super-heróina. Não salvei ela, só me salvei quando sai. Ela não me via, você não me vê. Ela precisava de mim, você precisa de mim. É um paralelo tão grande e tão ridículo, por que são de intensidades não comparáveis.

Preciso eu fugir de você? Só me salvo de uma parte da minha falta de sono se eu fizer algo que tenho para mim mesma que não quero fazer? Dá vontade de ir ai, te dar uns chutes, chutes mesmo e dizer: ME ENXERGA, PORRA. Ai, talvez, eu não precise de closure nenhum. Não precise de fugir de você pra não entrar em uma crise pessoal enquanto você se afunda na sua. Talvez eu possa te ajudar. Mas, me enxerga, porra.

Mesmo assim vou ficar com as minhas dores. Desamores são só parte dela.

Todo mundo é meio quebrado. Mas por que eu tenho que ser parte da sua?

Eu já briguei e desbriguei com você, sozinha, muitas vezes de ontem pra hoje. Mas eu sempre acordo gostando de você. O que eu faço comigo mesma?

I’ll see you

Segunda eu fui ao oftamologista ver se eu poderia fazer a tal cirurgia de correção de miopia.

O engraçado é que eu não queria ir, sabe? Eu pensei e repensei e decidi que não iria. Que ia me dar agonia demais um laserzinho nos meus olhos e que, afinal de contas, meus óculos já são parte de mim. Lente tá ai também pra quando eu não quiser ver o mundo enquadrado.

Mas eu fui. Fui por que a minha mãe mandou e as ordens de mãe sempre fazem mais sentido do que as decisões de filha. Essa ida foi uma verdadeira viagem a minha biografia secreta. Ou ao menos, a biografia ocular secreta. =P

Aos 5 meses eu fui nesse médico por que, até então, não podia chorar. Meus canais lacrimais eram fechados e eu tive que ir nesse mesmo médico, desobstruí-los. Esse médico me deu todas as minhas lágrimas.

Chegando lá, contei pra ele essa história. Acho que eu o assustei um pouco quando ele se deu conta que há 23 anos e uns meses quebrados pra trás ele tava lidando com um bebê e agora eu sou… eu. Enfim, largando os traumas do próprio médico para trás, vem exame, vai exame.

Ele anestesia meus olhos, mede não sei o que, olha não sei quanto. Ai ele olha pra mim e diz: você realmente faz questão da cirurgia?

A verdade é que não. Não faço. Então ele me diz pra eu ser feliz com os meus óculos. A curva da minha córnea é muito acentuada, o que dificulta a cirurgia (oba, mais um defeito pra minha lista) e parte da minha córnea direita é incompleta/machucada/danificada, sei lá. Aos 5 anos eu tive um traumatismo crânio encefálico que me deixou assim, incompleta/machucada/danificada para sempre.

Seus machucados fazem você quem você é. E eu vou ser feliz com os meus óculos.

Go after every coin like it was the last in the world

()Entre tardes que passam em um instante mágico, aprendendo fonemas em inglês com uma facilidade beirando o impressionante – descobri meu novo interesse favorito – e aulas com alunos que aprende de verdade, essa semana passou.

Teve uma segunda ridículamente cheia de chateações, um aniversário arrastado, sem muita festa e nem iê-iê, mas gostoso por si só. Teve amizade gostosa, cachorro fofinho. E teve drama, por que I’m a galery of broken hearts (give me back my peaces) e se o drama não é meu, é de quem eu escolhi. Cada dia passou com uma angústia diferente.

Na segunda feira eu tinha uma sensação de “não é possível que eu tenha que viver tantos dias”. Mas passou. Meio doída, mas passou. Domingo minha família chega depois de um mês longe de mim. Eu sempre fico bem no final (I’m strong now I know I’m a leaver).

Finalmente vou poder me repartir além de mim mesma.

Rita Apoena

— E você, por que desvia o olhar?

(Porque eu tenho medo de altura. Tenho medo de cair para dentro de você. Há nos seus olhos castanhos certos desenhos que me lembram montanhas, cordilheiras vistas do alto, em miniatura. Então, eu desvio os meus olhos para amarra-los em qualquer pedra no chão e me salvar do amor. Mas, hoje, não encontraram pedra. Encontraram flor. E eu me agarrei às pétalas o mais que pude, sem sequer perceber que estava plantada num desses abismos, dentro dos seus olhos.)

— Ah. Porque eu sou tímida.

A gente estancou de repente

tentar mudar não é fácil. não se pode dizer nem que eu exatamente queira. tem gente que se acomoda e situações confortáveis. eu estou feelingsme acomodando em uma caótica. estou deixando minha vida não ser minha e não ser eu quem decide quando confude. alô alô você, quem confunde as coisas aqui sou eu.

não faço as coisas de sempre, nem tenho as inseguranças de sempre. era pra quebrar o padrão? quebrei. mas agora estou criando outro desconhecido que é bem pior. o de não ter medo de me magoar, sendo que a mágoa dói tanto quanto quando a gente tem medo. eu falo, me arrisco, me jogo. mas mesmo assim, nada dá certo.

talvez o problema seja mesmo comigo.

Happens all the time

Teve uma vez que a gente esqueceu que era meu aniversário. Foi bem engraçado esse dia, porque forneceu material para dramas eventuais e futuros inesgotável. A verdade é que eu tinha esquecido também, e fui bem eu que lembrei que era, ao ver um bolo de aniversário em um outdoor. Se tudo conspirasse contra e eu tivesse olhado pra outra direção, super não me daria conta, naquelas horas, que era meu aniversário.

Ano passado eu estava no Brasil, mas nem teve nada porque a pressa entre vir e ir era muito grande. O importante mesmo era estar com elas, estar com o que eu chamo de base, de família. Sendo nascida em final de férias, nunca tive aula em dia de aniversário. Parabéns generalizado, cheio de gritos, ovadas e etc e talz, nunca foi parte da minha vida. Nem que tenha feito falta, pra ser justa. Sou meio obcecadinha por aniversário mesmo sem isso.

Ah, by the way, hoje é meu aniversário. Só pra justificar o tema random e sem fim. =P

You don’t seem real at all

A primeira coisa que ele me perguntou, ever, foi se me decepcionou. Nunca vou esquecer isso: então, Alice, te decepcionei? Depois achava que ele não me decepcionaria jamais, já que a coisa foi crescendo sem proporção. Ai atingiu um ótimo de Pareto meio bizarro, mas que foi insustentável. Não sentir era insustentável. Não lhe dizer foi insustentável. E depois daí, me decepcionou um pouco a todos os dias. Sei lá, minha maneira de lidar com a rejeição. Um dia eu disse que se terminasse com ele, diria que a culpa foi toda dele. A culpa é toda dele.

Então fiz um gráfico pra dizer como me sentia. Pra lembrar-lo que estava dizendo as palavras erradas e que na verdade, apesar de tudo, ele não queria me machucar. Era só lembra-lo que ele não deveria não me machucar. Nem é me iludir, é só não me machucar. Um gráfico.

Não adiantou. Burrinho, não sabe ler gráficos. E nem fazer. Fez um gráfico pra mim e escreveu um sei lá o que em japonês.

Perguntei o que era. Respondeu que era luz.

No gráfico de decepção dele eu sou luz.

E é por isso que apesar de tudo errado, apesar das coisas mais angustiantes, apesar de tudo que deveria me deixar claro que seguir é mais indicado que continuar…

Por isso que depois de cada “acabou” meu, vem um “mentira. Não acabou não.”

Por que eu gosto do que não existe.

icantsayhowifeel

Muito amor

Para os grandes, eu penso. E viro a cabeça pra pensar em outra coisa. É mais feliz gostar, amar é pra quem pode. Mas você ou a vida ou sei lá. Insiste. E então chega enorme. E só me resta rir que nem quando vejo um bebê muito pequeno e lindo. Você ri. Vai fazer o quê? É o milagre maravilhoso da vida e eu ficando brega e cheia de medo e cheia de vontade de te contar tantas coisas e nem sei se você gosta de ouvir meus atropelos. Muito amor. E então fico querendo não trair a beleza. Com você sinto a fidelidade de ser tranquila. Um pacto de paz com o mundo. Pra não me afastar de você quando estou longe. E é impossível então que os martelos do apartamento de cima sejam realmente martelos. E é impossível que as chatices do dia sejam realmente sem solução. E os outros caras, aviso, olha, é amor. É amor. Ainda que eu quisesse, não consigo mais nem um centímetro pra você. Desculpa. O amor é terrivelmente fiel. Porque ele ocupa coisas nossas que nem existem nos sentidos conhecidos. É como tomar água morna depois de ter engolido um filtro inteiro de água geladinha. Ninguém nem pensa nisso. Muito amor. De um jeito que era mesmo o que eu achava que existia. E é orgânico dentro da gente ainda que vendo de fora não pareça caber. O corpo dá um jeito. Minha casca reclama mas incha. Tudo faz drama dentro de mim, ainda que nada seja realmente de surpresa. Sentir isso era o casaco de frio que sempre carreguei no carro. Cansado, abandonado, amassado, sujo, velho. Mas, de repente, tudo isso desistente tem serventia e a vida te abraça. O guarda-chuva do porta-malas. A bolsa falsa do assalto que minha mãe mandava eu ter embaixo do banco do passageiro. Sentir isso é os trocos que você guarda pra emergência. Amar grande é gastar reservas e ainda assim ter coragem pra dar o que não se tem. Amar grande é ter vertigem no chão mas sentir um chamado pra voar. Amar grande é essa fome enjoada ou esse enjôo faminto. É o soco do bem na barriga. É mostrar os dentes pra se defender mas acaba em sorriso. É o sal que carrego no fundo falso da bolsa pra quando eu não aguentar a vida. É o açúcar que carrego junto. É tudo que pode sair do controle. É meu corpo caindo. E as almofadas de várias cores pra me dizer que pode dar certo. É o desespero aconchegante. (Tati Bernardi – as always)