Mais vale um gosto

Eu gosto de bichinhos. De todos. Especialmente dos meus. E gosto de crianças. Principalmente as que aprendem meu nome rápido. Eu gosto do meu nome, tanto que faço quem eu gosto decorar ele inteiro. Eu gosto dos meus Ches no quadro de fotos e gosto de quem eu era e acreditava ser. E gosto de ter mudado, mesmo sem saber quem sou agora.

Eu gosto também de romances com finais felizes e livros que falam do óbvio. Eu gosto de Leminski e de Cacaso e de todo mundo que quando eu leio, sinto que escreveu para mim. Gosto de todos os filmes feitos para menininhas, bem água com açúcar, bem comédia romântica. Eu gosto de qualquer coisa que tenha o Colin Firth, assim como eu gosto de qualquer música que seja do Coldplay. Eu gosto antes da letra, depois da música. Eu gosto da voz da Regina Spektor. E ainda gosto mais de Los Hermanos, independente de qualquer coisa.

Eu gosto de sotaques, de todos os sotaques em português, mesmo o potiguar, inclusive o paulistano. Eu gosto bastante do sotaque argentino e quando eu ouço eu tenho vontade de rir. Gosto mais ainda de viajar e aprender coisas que eu só perceberia. Eu gosto de ver filmes em viagens áreas internacionais e gosto do meu passaporte, mesmo todo amassado e com aquela foto horrível. Eu gosto das minhas fotos e gosto de ter sempre a minha câmera na bolsa.

Eu gosto dos meus olhos, mesmo sendo pequenos. Eu gosto dos meus óculos, mas quero me livrar deles. Eu gosto do meu cabelo, quase sempre. E da minha boca, ainda que ela seja pequena. Eu gosto da minha blusa que eu comprei em San Franciso e daquela roxa de mangas de princesa. Eu gosto de tudo que eu tenho que foi comprado fora do Brasil, simplesmente porque são partes do que eu sentia lá fora que eu trouxe pra cá.

Eu gosto de me sentir única e gosto de ser mimada. Eu gosto que lembrem de mim por qualquer coisa e gosto que me achem inteligente.  Eu gosto quando o relógio mostra minutos e horas iguais, tipo 12:12, mesmo quando não tenho ninguém pra pensar. Eu gosto do meu pai me chamar de boneca e da minha família me chamar de Lilica ou Lilice. Eu gosto de quando a minha mãe me liga de Natal para falar as coisas mais imbecis. E gosto quando a minha irmã entra no meu quarto sem razão e fica lá comigo.

Eu gosto de Jane Austen quase compulsivamente, e olha só, eu gosto do FMI também. Eu gosto de organizações internacionais, mesmo sabendo de todos os problemas delas.  Eu gosto da incerteza da minha vida, veja bem. Gosto de não me definir e nem me limitar. E gosto se saber que um dia, ah, um dia tudo vai dar certo.

Eu gosto de sorvete de flocos, mas gosto mais do de pistache. Eu gosto de sms no meio da madrugada. E gosto de chocolate mais que eu deveria. Eu gosto de viajar sem razão. Eu gosto de viajar com razão. Eu gosto de uma internet, ah se gosto.

Eu gosto da luz perto das seis da tarde, quando o sol está baixando e deixa tudo mais bonito e amarelado. Eu gosto de amarelo, mas agora gosto mais de roxo. Eu gosto de quando tá frio mas o céu tá bem aberto e azul e gosto quando venta e as folhas das árvores se mexem sem parar.

Eu gosto de gente esquisita, eu gosto do que não existe. Eu gosto do que é errado. Eu gosto de estar certa e de vencer discussões. Eu gosto de falar de mim.

 

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