If I’m tired, I’m tired of telling you.

Eu te ligo, que perigo, mas só porque eu tenho que. Porque se eu deixasse tudo aquili assim, não-dito, corria uma risco grande de desgastar o que esse tempo todo se lutou para manter. Não sei se prezo pela coisa errada, mas ela me trouxe até aqui. Te conto que não existo pelas metades e nem você existe. Nem você e nem eu estamos felizes. Estou cumprindo com o meu plano. Estou terminando.

Você me prêmia com um silêncio arrebatador. Me diz que não tem nada para dizer, além do que já disse. Que não fez por querer, que não fez pra me confudir, que não pode me explicar porque é difícil de entender.

Mas me explica, me explica. Eu preciso saber.

Te dou um sermão de como você engessa as coisas, que faz as coisas erradas, que se fecha em um mundo particular em que você se protege e não se deixa viver, decidindo o que não é ou não é antes mesmo de ser. Te conto uma bobagem e você se prende nela, como sempre. Diz que entendeu a dica do que precisa fazer. Te pergunto o que eu faço e você diz que eu já sei o que você sempre ia querer. Você sempre me quer.

Mas não me quer. Que complicado. E eu digo: “parece que você pensou em mim o dia inteiro!”. E você fala que pensou.

Mas não do jeito que eu penso.

E se apega a si mesmo com uma maneira absurda de ver o mundo com muletas e tornar ele mais suportável. Diz que sair da minha vida vai doer, mas se eu pedir, sai. Eu não posso pedir. Eu não posso pedir. O problema tem que ser seu, não meu. A culpa tem que ser sua.

Você me repete a frase, que ecoa, mas sem vontade nenhuma de terminar qualquer conversa. Eu não estou terminando mais. Ela se prolonga infinitamente e fica leve, leve, como se duas hora antes os silêncios arrebatadores nunca tivessem existido. Você fala, fala e ri. Se abre. Quero desligar e você insiste para não. Mais conversa, mais vontade. Porque é tão bom. O ponto é, o detalhe é… você percebe que de novo eu cai na nossa armadilha? Os bem-te-vis já estão cantando e a conversa começou as onze e meia da noite.

Você percebe, mas não me solta. Você não tem coragem de dizer além do “não, porque eu não quero” e me deixar ir embora machucada, mas livre. Você diz ser livre. Eu não posso ser?

Ai fica decidido que se decide depois. E isso só porque eu disse que tinha que dormir ao menos duas horas. Você não consegue me dizer o que eu deveria fazer me levando minimamente a sério. Queria que a culpa fosse sua, mas vai ser eu que vou ter que fazer.

Pensa em mim todo dia. Mas não gosta de mim. E na hora de desligar reluta a me dizer tchau, porque na verdade tem medo de ser o último. Não foi.

Mas uma hora vai ser. Vou terminar um dia… e não vou levar seis horas de um interurbano retardado para fazê-lo.

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