Conseguiria até ficar alegre

Eu acho que quando as coisas decorrem com uma certa paz na minha vida, eu tendo a ser injusta e dizer que não me acontece nada. Isso sendo que o nada, muitas vezes, é a melhor coisa que poderia me acontecer. Sem corações partidos, sem complicações, sem confusões, sem dúvidas. Só a vida, pura, plena e simples.

As it shoud be.

“Pero vivir en el suelo abure”… dai…

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Se eu te escondo a verdade, baby, é pra me proteger da solidão

Os bobos

Ele chega e não diz nada nem da minha roupa nova e nem da minha casa que perfumei pra ele. Então eu também não digo nada sobre estar geando e ele ter vindo só de camiseta direto do trabalho. Então começamos a ver o filme e como ele não faz questão de encostar a perna na minha perna, eu que não sou boba de encostar a minha perna na dele. E na cena de sexo do filme, como ele não sorri e nem olha pra mim, também fico mais fria do que estão meus pés. Ao final do filme, ele corre para olhar o celular dele. Eu que não sou boba e jamais posso perder para alguém, muito menos para um homem, menos ainda para um homem que me interessa, corro para olhar meu celular também. E como vejo que ele olha as mensagens e sorri, acabo tendo gargalhadas ao olhar meu visor com a foto da minha cachorra e nada mais. E então pessoas começam a ligar pra ele. Tudo bem que é a mãe e o amigo do futebol, mas é tarde demais. Eu, como não sou nem um pouco boba, mando algumas mensagens de texto para algumas pessoas sem que ele perceba, só para receber também várias ligações. Daí ele fala rapidamente da ex namorada, acho até que por culpa minha, eu devo ter perguntado alguma coisa. E eu começo a falar dos meus 789 ex namorados. Porque meu filho, nesse quesito eu ganho de você. Você teve aí, nesses seus poucos anos a mais do que eu, o quê? Umas três namoradas? Ah, querido, isso eu tive só no terceiro colegial. E então eu começo a falar deles. E dos outros tantos que foram só casinhos. E dos outros tantos que foram só sexo. E falo de sexo como se eu fosse uma versão magra, clara e pobre da Preta Gil. Só que mais devassa. E fico com vontade de deitar no colo dele e falar que é tudo mentira. Eu nem namorei tanto assim. E sou a mais imbecil do mundo porque sempre acho que vou casar com qualquer um que me come. E nem dou, pra falar a verdade, pra qualquer um. E mesmo para os que não são qualquer um, demoro um pouco pra conseguir tirar qualquer peça de roupa mais íntima. Mas não, eu não posso ser boba, eu não sou boba. E então, e então, porque ele não fala nada em jantar comigo, marco um jantar com um amigo na frente dele. E porque ele não fala nada em me encontrar depois, deixo claro, antes dele dizer qualquer coisa, porque não sou boba, que já tenho compromisso pra depois do jantar também. E minto que vou passar uma semana no Rio. É mentira, são só dois míseros e infinitos dias. Mas não sou boba. Eu não sou boba. E porque ele faz um pouco de cara de tédio e eu acho que ele vai ficar entediado de mim e querer ir embora, o expulso da minha casa. Vamos! Suma daqui desgraçado! Eu não sou boba, entendeu? EU NÃO SOU BOBA. E ele me pede só mais uma música, só mais um beijo e alguns segundos para calçar os sapatos. E eu digo que não, preciso que ele vá embora agora porque tenho algo muito importante a fazer. E como bocejo pra ele mas olho misteriosa pela janela, fingindo que alguém incrível me espera ansioso pelas ruas do mundo, deixo claro que é melhor ele desistir logo de mim. Porque não sou boba. E então ele sai, sem nem amarrar direito os cadarços. E volta pra casa sem tempo de me convidar para o jantar, a festa, o sexo. Sem tempo de encostar sua perna na minha, elogiar minha roupa, o perfume, deixar vir e deixar ir o tédio. Deixar vir e deixar ir a dúvida. E eu fico aqui mais uma vez, tão esperta.

Tati Bernardi.

Meu baralho

Antes eu tinha uma crença de que qualquer pessoa poderia se apaixonar por mim se tomasse o tempo de ver como eu sou super legal. Bom, super, máster, ultra, mega WRONG, porque, primeiro, eu nem sou super legal assim. Segundo que, bem, ser legal não te leva a porra de lugar algum. Dedicação e paciência não servem de nada, dica aí.

Então agora estou resignada com a minha personalidade não apaixonante e aceitei o fato de que, mesmo que se ela fosse super apaixonante, não era garantia de nada.

Acho que vou mais longe oferecendo sexo fácil. =P

Where do we go, nobody knows

Das brincadeiras de quem não tem nada pra fazer, uma que já me dura um tempão.
Faço uma lista de músicas gostosas que quero escutar e de cada uma delas tiro uma frase e guardo no Bloco de Notas do Windows, sob o nome de “Títulos”. Daí a cada post escrito vou lá e procuro um que eu acho que cabe. Funcionou bem até aqui, no meu ponto de vista não parcial e extremamente infantil. Mas o que eu acho mais bonitinho é que quando a gente abre o Bloco de Notas, o documento que abre em branco se chama “Sem título”. Ok, não tem nada demais pra você?

Pois eu acho mágico.

But somehow you missed the plan

Daí eu me senti um monstrinho, porque disse duzentas coisas achando que iam afetar e adivinha o que? Afetou.

Mas mesmo assim, sabe porque eu sei que eu estou errada? Porque ainda faz diferença. E não deveria fazer.

Mas eu vou comemorando as pequenas vitórias, como não ter vontade de conferir o celular de hora em hora, pra ver se tem SMS nova, porque de verdade eu não quero que haja. Ou acordar de manhã e ter dormido a noite inteira sem me preocupar se naquela noite eu ia ser acordada ou não. Ou de não tentar achar respostas ou tentar entender o que sentimento alheio.

Meu maior orgulho mesmo foram as dez vezes que disse, todas parecendo muito irritantes, mas para mim todas sendo muito importantes, que eu não tenho nada a ver com a vida dele.  Porque não tenho.

Now, careful where you stand.

Ser responsável pela minha própria felicidade e não poder culpar mais ninguém caso algo dê errado me aterroriza. E é por isso mesmo que eu ando levando tanto tempo pata me decidir quando a que caminho tomar. Exatamente agora existem dois caminhos claros. O primeiro é me decidir por um mestrado e me entregar, logo, a me preparar para provas e à fazer projetos. Ou eu posso simplesmente juntar minhas tralhas e tentar a sorte em outro canto, tipo São Paulo e buscar o tal emprego na minha área, estando in loco.

Depois disso, existem as outras escolhas, dentro das decisões. Uma muito séria é: quais mestrados tentar? Porque basicamente o que eu for estudar vai decidir o meu futuro. A segunda escolha, caso eu escolha ir para São Paulo: e pra me manter eu vou fazer o que? O meu futuro inteiro em minhas mãos e eu com um medo beirando o gigantesco de errar