Não se sinta culpado por não saber o que fazer da vida.

“As pessoas mais interessantes que eu conheço não sabiam, aos vinte e dois, o que queriam fazer da vida”, já dizia Pedro Bial naquele vídeo retardado do Filtro Solar. Eu não saber, aos 25, portanto, deve me fazer interessantíssima. As pessoas devem até comentar ao meu respeito “porra,  a Alice é um barato, fez um monte de coisa e agora não faz coisa nenhuma! Que barato!”.

Toda vez que eu vejo meu pai ele faz aquela difícil pergunta sobre o futuro. Queria eu ser espertona, como era aos 16, e ter todas as respostas. Porque eu só conheço os “não”. Ai ele vai fazendo sugestões e criando planos elaborados pra eu ter um futuro feliz e bem sucedido.

Pode, Arnaldo?

Talvez eu devesse seguir os conselhos do Bial e não os dos meus pais. Não que atualmente eu esteja seguindo qualquer um dos três.

De olhos fechados eu só vejo o escuro.

Origem e destino.

Se existe algo que eu curto fazer, é comprar passagem. Isso implica num prazer todo de viajar, que é coisa que quase todo mundo adora. Eu gosto também, e eu acho que seja um prazer mais individual, é da compra da passagem. Gera toda uma antecipação da emoção da viagem. Planejar também é viver.

E como eu amoooo estar em lugares diferentes, como eu adoro estar livre do de sempre. Pra quem tem tanto medo de si mesma, eu tenho muito pouco medo do desconhecido. Um contra-senso só.

Ps: diz que sim.

A minha mãe vai de carro pra cidade do namorado e ele veio de ônibus, antes, pra ir com ela pra fazer companhia na estrada. Apesar do contra-senso e desse comportamento desrespeitar qualquer lógica econômica, é uma das coisas mais amorzinhos ever.

E eu fico aqui, toda na postura de mulher pós-moderna (fraude) não romântica (que mentira) dizendo que acho uma bobagem, que ela conhece a estrada bem, que dirige há séculos e que vai desperdiçar dinheiro. Porque mesmo eu achando amorzinho, eu tenho que bradar ao mundo que atos de romantismo são desnecessários e que mulher que é mulher vive sem.

Mulher que é mulher, forte, vive sem, não é?

Quem mexeu no meu lítio?

Ás vezes felicidade parece uma ilusão. Não que eu seja triste o tempo inteiro, mas são raros os momentos que eu sou realmente feliz. Daí eu fico lembrando momentos inesquecíveis, que de tão fodas tem cor, cheiro e música na memória e sei que, pra eles serem lembrados assim, era porque eu tava feliz pra caramba.

Com essas lembranças, eu até acredito que felicidade plena existe, mesmo que dure só 5 minutos. Queria esses 5 minutos de volta.

eu tenho 25 anos.

antes, quando eu escrevia minha idade, teimava em pôr um “só” na frente dela, como se esse adendo tiesse com um significado forte  de “eu ainda tenho tempo pra muito”. mas mudou isso. sem “só”. em algum momento eu parei com essa sensação do tempo sobrando e comecei a sentir o tempo perdido.
ai eu fico tentando buscar coisas desses meus 25 anos de vida que transformem o perdido em tempo vivido. e eu até acho muito. eu fiz muito. eu vi muito. mas preciso de mais. ando precisando demais.

And I smiled cause I’d known it all the while

Não sei bem a hora que eu parei de ter medo e comecei a falar a verdade. Mas eu sei que foi hoje. Depois de meses, quiçá anos, me enganando, eu finalmente disse a verdade. Sem medo, sem dó, sem nada. Sem medo do futuro, sem dó de mim, sem nada na vida, at all. De todas as pessoas que tinham futuro, eu devo ser a pior sucedida de todas. Ok, voltei a ter dó de mim mesma.

Eu não sei o que fazer da minha vida.

Contrato vidente que além de prever o futuro, me aconselhe o que fazer pra eu postar aqui um “nunca estive tão feliz na minha vida”. Remunero bem.

carta a aquele que não deve ser citado.

não fico com vontade de escrever, assim, de madrugada, desde você.

é, aquela época sombria que eu ficava na cama horas pensando em coisas não-ditas que tão, mas tãaaao mesmo, deveriam ser ditas. ai num surto, às 3 da manhã, vinha nesse blog e escrevia um post derramado ou, caso me sobrasse uma coragem louca, te mandava um email mais louco ainda.

mas essa época passou. faz séculos que eu não penso mais em te dizer coisas. não quero mais tirar satisfações, não quero mais chorar saudades, não quero pedir mais do que você jamais me daria. agora eu fico pensando me me dizer coisas, me satisfazer, chorar saudades de épocas (que agora me parecem) mais felizes, me dar mais do que eu jamais tive.

não sei se era mais feliz antes, mas acho difícil que fosse. era tudo muito sufocado, essa coisa de acordar de madrugada ou passar seis horas no telefone discutindo o inexistente não faz bem não.

eu só sei que eu, nessa insônia maluca que tenho hoje, fui mexendo no celular lendo sms em sms de pessoa em pessoa e acabei achando umas suas, porque apesar de ter deletado seu telefone, ele ainda tá ali registrado, igual você ficou marcado em mim por mais que eu tenha tentado te apagar. e daí eu mandei uma sms bonitinha pro cara que mandou uma sms depois de você, só pra não mandar pra você, porque eu diria “a saudade é uma flor roxa que nasce no coração de um trouxa”. e eu cansei de ser trouxa na minha vida. mandei pro de cima porque ele me responde com as palavras certas e eu não quero e nunca quis que ele sinta uma vírgula mais por mim do que sente.

talvez faça mesmo mais sentida ficar perdida em mim do que perdida em você. pelo menos o bem que eu me faço é maior do que você jamais fez.