But how can you complain, if it’s the way it’s meant to be.

eu descobri que na terapia eu só falo da minha mãe. e não, não foi minha terapeuta quem me contou isso, fui eu mesma quem percebi. toda semana eu vou lá e gasto um tempão contando como foi a minha relação, durante a semana, com a minha mãe.

minha mãe é todo um caso a parte na história do mundo, porque dentro do institinto maternal reduzido que ela tem, cabe também carinho e afeto. porque mesmo a minha mãe sendo do tipo que vira pra mim, quando meu pai não liga e diz “ele deve ter se esquecido de você”, de uma maneira como isso não fosse me magoar, mas só reforçar o ódio que ela sente dele, ela traz de presente da argentina livrinhos do meu quadrinista favorito, esse Liniers lindo.

mas ela também é aquela que esconde uma caixa de alfajores no forno, pra eu não comer. a família inteira sabe onde tá a caixa, todo mundo come, mas o perigo é eu ver e acabar com tudo. e eu descubro na inocência, porque vou arrumar a cozinha e olho no forno pra ver se tem algo lá dentro, sujo. vai ver é carinho transvestido de falta de confiança, vai saber, né?

minha mãe xinga muito a minha terapeuta. eu tenho que esconder dela os livros que eu pego na minha terapia, porque minha mãe vê a leitura de auto-ajuda como “charlatonismo”, sendo que eles, na verdade, me ajudam a superar minha tendência “loser”.

mas se a minha mãe realmente se desse ao trabalho de ver as coisas como são, ela veria que a terapia  foi responsável por eu parar de culpar a minha mãe e simplesmente entender ela. de saber que ela fala isso do meu pai porque ela tem tanta mágoa que só se enxerga, e que esconde os alfajores porque eu sou gordinha mesmo e ela acha que isso me prejudica em todos os campos da minha vida.

a terapia simplesmente me vez ver  que as pessoas são como são, e não fazem as coisas para me machucar. se elas me machucam, no caminho, seja minha mãe, meu pai, o ex idiota, uma amiga… é que ela são assim. cabe a mim me fazer ser enxergada e protestar quando eu não curto. se a pessoa vai mudar, ou não, com isso, são outros quinhentos.

sabe quem nunca vai mudar? a minha mãe. :p

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