Old Alice strikes backs.

Tinha uma época retards que eu chegava no estágio de manhã e a primeira coisa que eu fazia era responder ao email da Joana, que por conseqüência, a ação direta ao chegar do cursinho a noite era me responder. A gente ficava nesse looping eterno de ~consulta terapêutica~, se achando senhoras da razão, tal qual éramos-somos, via email.

Ambas com menos de vinte ou vinte e pouco anos, era falar sobre amor, desamor, pais, sonhos, futuro. Ok, 80% daqueles emails eram sobre homem. Sim, basicamente eu era tão retardada aos 20 quanto o sou hoje. Ou menos, mas coisa pouca se nota. De Jojô pra Lili e de Lili pra Jojô, todas as paixões eram possíveis. Os caras SEMPRE morriam de amor pela gente, e essa era a definição à distância, porque falando sério, como é que eles não iam morrer de amor pela gente se a gente era TÃO LEGAIS.

Ai eu fui pra Brasília ver um desses amores. Ele foi me buscar no aeroporto com a Joana. Dia após dias ele me buscava na casa da Joana e a gente fazia algo ~legal~. A Joana me cedia todos os dias, apesar da vontade real dela fosse me trancar no apartamento e me ter só pra ela (aham, a gente é ciumenta, talvez isso nos una). E eu voltava pra casa e ela “e ai? e aí? se casaram? tiveram 4 filhos? tão de mudança pra Rússia?”. Mas não, Jojô, apesar das mensagens diárias, dos emails intermináveis, das horas a fio na webcam e dele buscar no aeroporto e me ver todo dia, nada passava. E eu e ela ficávamos lá, desesperadas, tentando entender essa vontade dele me ver todo dia sem que NADA acontecesse. No último dia eu mandei a Joana ir comigo pra ela ver, com os próprios olhos, que não era loserisse e nem falta de iniciativa minha, não existia clima nenhum. Jojô ficou revoltz. Tomou minhas dores. Trocamos hate-messages sobre o tal garoto. Ainda mais que quando ele percebeu que eu, sabe-se lá porque, tinha cultivado, apesar da distância, todo esse amor, disse que no final a gente só era amigos. Sérião.

Eu devia ter aprendido ai a nunca mais ser amiga de homem nenhum. Mas sabe, talvez a repetição reforce o erro. Aprendi. Não sou sua amiga, tô te querendo. Dica aí. (Aprendi porra nenhuma, perceba-se).

Anos depois recebi uma visita no meu sofá de Washington que, numa conversa casual depois de um dia inteiro andando mandou um “mas você sabia que x saiu do armário?”. Er, não sabia né. Mas fingi que sim pra não bancar a chocada tanto tempo depois.

Ahá, Jojô, ele era gay. Não tinha nada de errado comigo.

E ai até hoje a Jojô e eu nos falamos (menos, é verdade), apesar das distâncias várias (entre países, porque somos finas), e sabe no final das contas? O tempo passa, passa, passa. Eu mudo, mudo, mudo. Joana também. Forma na faculdade, saí de casa, termina namoro número quinhentos, passa no mestrado e vai pra Portugal, quando no clichê eterno se apaixona e mora junto com um cara chamado… Nuno. Enfim, o tempo passa e no fim das contas, juntas, ainda somos Lili e Jojô. Mas de boa, esperamos que mais competentes. E com um radar gay melhor. Porque haja coração.

2 thoughts on “Old Alice strikes backs.

  1. Radar gay aqui é zero. Eu nunca “percebo nada” como se diz pelas bandas lusitanas.
    A gente somos legais, Alice. Acredite. Eu sabia que ele tinha algum problema, nunca pus a culpa em você – sim, eu sou senhora da razão, e ai? eu nunca errei mesmo!

  2. ahahaha. aprendi a ser senhora da razão com você. o executo diariamente. e não preocupa. eu sei que problema é sempre deles. nunca meu. :p

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