Todo em cada coisa.

Vou aceitar meu lado loser e postar aqui um desses textos que ficam passando de email em email e que bobeando quase sempre não são nem de quem foram creditados.

Ontem numa reunião de treinamento do trabalho voluntário alguém apresentou esse texto para a gente debater e sabe quando a coisa te dá uma ~incomodadinha~? Quando ecoa o que você tá ali, sem parar, pensando?

É a vida parecendo episódio de Malhação com mensagens subliminares falando justamente daquilo que tá acontecendo na sua vida. Não, não me converti ao judaísmo. Mas ó, ando paciente, complacente, inativa, esperando… demais. Cadê a proatividade, Dona Alice?

A Urgência de Viver

“Todos os anos, nesta hora de Neilá, eu observo os seus rostos e vejo algo indefinível em suas expressões. Sei lá, um misto de tristeza… não sei se “tristeza” é a palavra certa, talvez “apreensão”. Antigamente, eu não entendia o porquê. Hoje, um pouco mais velho, um pouco mais maduro, um pouco mais vivido, um pouco mais sensível, acho que consigo compreender.

A matemática da vida não é simples. Cada soma é também uma subtração. Quando somamos mais um Yom Kipur àqueles que já vivemos, subtraímos um Yom Kipur daqueles que nos restam viver. Então, a felicidade de estarmos aqui hoje à noite vem acompanhada da melancólica percepção de que o tempo voa e a vida passa. Nesta hora de Neilá, talvez mais do que em qualquer outra, sentimos a urgência de viver.

Teddy Kollek, o dinâmico prefeito de Jerusalém, propõe em sua autobiografia um décimo primeiro mandamento: “Não serás paciente” À primeira vista, tal conselho parece ir contra uma das qualidades mais valorizadas pela humanidade – a paciência é uma virtude ! No entanto, ao refletirmos sobre as palavras de Kollek, percebemos que elas contêm uma grande sabedoria. A impaciência é necessária para remediar nossa tendência tão humana de protelar. Pois a verdade é que, em muitas áreas vitais da nossa existência, somos pacientes demais. Esperamos demais para fazer o que precisa ser feito, nem mundo que só nos dá um dia de cada vez, sem nenhuma garantia do amanhã.

Enquanto lamentamos que a vida é curta, agimos como se tivéssemos à nossa disposição um estoque inesgotável de tempo.

Esperamos demais para dizer as palavras de perdão que devem ser ditas, para pôr de lado os rancores que devem ser expulsos, para expressar gratidão, para dar ânimo, para oferecer consolo.

Esperamos demais para ser generosos, deixando que a demora diminua a alegria de dar espontaneamente.

Esperamos demais para ser pais de nossos filhos pequenos, esquecendo quão curto é o tempo em que eles são pequenos, quão depressa a vida os faz crescer e ir embora.

Esperamos demais para dar carinho aos nosso pais, irmãos e amigos. Quem sabe quão logo será tarde demais?

Esperamos demais para ler os livros, ouvir as músicas ver os quadros que estão esperando para alargar nossa mente, enriquecer nosso espírito e expandir nossa alma.

Esperamos demais para enunciar as preces que estão esperando para atravessar nossos lábios, para executar as tarefas que estão esperando para serem cumpridas, para demonstrar o amor que talvez não seja mais necessário amanhã.

Esperamos demais nos bastidores, quando a vida tem um papel para desempenharmos no palco.

Deus também está esperando – esperando nós pararmos de esperar. Esperando nós começarmos a fazer agora tudo aquilo para o qual este dia e esta vida nos foram dados.

(Por Henry Sobel – pronunciamento do Rabino sobre a passagem do Yom Kipur – Dia do Perdão -, que antecede a entrada do Ano-Novo judaico -1998)

Termino o post gigantesco, e tão completamente não meu (alguém leu até aqui? socorr), com um poema, dessa vez REALMENTE creditado corretamente e me pondo de novo como ~culta, cool e descolada~

Para ser grande, sê inteiro: nada
teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
no mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
brilha, porque alta vive.

Fernando Pessoa

ps: nem coloquei só com a intenção de mostrar que ~ó, leio email repassado mais sei poesia também~ mas porque esse foi o encerramento (brilhante, levado por mim, obviamente) da reunião de ontem e cara… episódio de Malhação, fraga?

 

Ser inteiro, cara. EM TUDO.

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