“eu distribuo um segredo como quem ama ou sorri”*

Comprei um caderno azul, uma vez, em uma feira, na rua Sapucaí.  Foi nesse dia ai da foto, que meu cabelo tava incontrolável, eu usava esses óculos que me deixam com cara de besouro – custaram 15 reais, mas já quebraram até –  e minha bolsa azul cheia de bottons que é a coisa mais linda que eu tenho.

É um caderno pequeninho, 11cm x 7cm, com páginas brancas e amarelas e um lacinho preto na capa. Custou 5 reais, mas o que foi absurdamente sedutor nele foi o nome. Ok, é a marca e todos os cadernos assim tem a mesma coisa escrita, mas deixa eu ser o centro do mundo e achar que foi destino? O primeiro caderno que eu vi na feira de design da rua Sapucaí foi o “caderno d´Alice”. Cheguei em casa extasiada com a compra, mas sem entender pra que raios eu tinha comprado um caderno. Minha irmã mandou eu escrever poesia nele, e desde então vivo perseguindo versos.

Embora eu me identifique muito com o lirismo descarado, não sei rimar (não sei amar). Mas vivo a vida atrás de poesia procurando uma que caiba nas minhas páginas brancas e amarelas. Lá já tem, obviamente, um pouco de tudo que eu gosto muito. Tem até Roberto Carlos, pedindo pros meninos malvados pararem de me olhar assim (“Falando sério/ bem melhor você parar com essas coisas/ De olhar pra mim com olhos de promessas/ Depois sorrir como quem nada quer”), tem obviamente, muito Leminski e Cacaso, porque nasci modernista e num hakai e nem sabia. Tem Drummond, Virginia Woolf, Bandeira, Quintana, Thiago de Mello.  Tem Pequeno Príncipe, porque Saint-Exupéry nunca me faltará.  Tem Adélia Prado e Lya Luft. Até meu pai tem no meu caderninho.

Então fica aqui um pedido pra você, leitora amiga (que eu sei quem é) ou você, leitor secreto (que caiu aqui porque o google te enganou ou porque é um stalker ocupando o tempo), deixarem nos comentários uns versinhos  ou pedaços de texto (meu caderno de versos também aceita prosa, porque eu sou muito flexível quando amo) bonitinhos pras minhas páginas amarelas e brancas.

Obrigada.

* e com vocês, Drummond, em verso de canção amiga, me tirando da perdição (ou deslocamento) do tempo e do espaço.

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