20

eu queria ler um livro.

e isso estava se tornando quase impossível. eu olhava e olhava a montanha de livros que tem aqui em casa e nada chamava meu nome. nada berrava “alice, final de agosto de 2011”, ou “justamente tudo o que você mais quer ler, agora”. eu fui em livrarias. fui em livrarias disposta a gastar rios e fortunas de dinheiro. passei horas em livrarias. li capas e contracapas. fiquei tentada a comprar um livro sobre a jane austen escrita para adolescentes, mas decidi que amor de verdade não precisa ser sem critério.

daí a vida, de meios misteriosos ~já leu “o segredo”?~ *inside comigo mesma*, começou a parecer um capítulo de malhação. na ida à são paulo a gol não pôs a revista no meu acento e eu fiquei espiando ela enquanto o cara do lado folheava. cara, nunca quis tanto ler uma revista de avião. primeiro que a capa era a preta gil, e tenho todo um fraco à gordinhas que podem muito e casam bem. sei lá, uma identificação toda própria da minha baixa auto-estima, não importa quanto regime eu faça e quão mais magra eu fique. nas próximas páginas, tinha uma reportagem sobre os mercados públicos do brasil. e tinha duas páginas, todinhas, sobre um dos amores que eu tenho nessa belo horizonte, o mercado central, seus canastras, doce de leites e cachaças. amo tanto. must read. e o sujeito do meu lado, não ia lendo as reportagens. como numa tática malvada do universo, ele folheava, lentamente, mas rápido o suficiente pra mudar de página antes que eu atingisse qualquer número significativo de linhas. a próxima reportagem foi sobre a década de 20. e eu pensei ~Q?~. década de 20?

esse era o universo trabalhando de modos inimagináveis, caro leitor – aí sim-  imaginário.

depois, no sábado, trêeeees dias depois, li o jornal inteirinho enquanto esperava a mãe de uma amiga no aeroporto. não, colegs. o cara do post abaixo NÃO DEU NEM SINAL. o universo é best na literatura, no romance não. AINDA NÃO, AO MENOS. mas enfim, tava lá lendo o jornal com uma atenção inexistente quando me salta aos olhos ~DÉCADA DE 20~. PORRAN! você ai de novo, década? década em que nenhum avô meu nasceu, apesar do meu avô paterno ser de 17 – todos os outros nasceram depois de 1930. década não perdida, mas primórdio da crise. década do café com leite, década sem nenhuma guerra, década das melindrosas, meu Deus, eu não sei nada da década de 30, metade aqui são nãos e nenhumas. lí a reportagem. a reportagem dizia que o mundo (na verdade, os estados unidos) estavam fascinados com a década de 20. que tinha livro, que tinha filme, que tinha tudo. tinha lá sobre um livro, lançamento do lançamento, sobre o hemingway e a primeira mulher dele. descrevendo a década de 20 e as roupinhas e os pensamentos e o casamento da uma moça virgem de 28 anos (uhuuuuu) e um garotinho de 21 (double uhuuuuuu). MUST READ.

e aí, o resto é resto. o livro se matearilizou nas minhas mãos e eu concordo o jornal, MATARAM O TÍTULO DO LIVRO NA TRADUÇÃO. de “the paris wife” (a esposa de paris), foram pro ridículo CASADOS EM PARIS, mas que merda qqisso.

no vôo de volta eu li várias páginas do livro e fui me apaixonando. e mais que isso, pude enfim ler as reportagens toda da revista do avião. OBRIGADA AI, TRIPULAÇÃO DA GOL, POR ME PERMITIR REALIZAR VONTADES.

o trem é o seguinte: TÔ APAIXONADA PELA DÉCADA DE 20.

abaixo, o casamento, QUE NEM FOI EM PARIS.

 

 

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