Bride to be

Outro dia, do nada, virei pro meu pai e perguntei se ele pagaria pelo meu casamento. Daquele jeito que só ele sabe, falou cheio de certeza “Mas é claro, boneca”. Então tá. Eu, que nem noivo tenho, já tenho fundos pra festa de casamento. Mais que isso. Eu, que nem namorado tenho, já penso em casamento. Peraí, de novo. Eu, que nem nada-porra-nenhuma-nem-cheguei-perto-de-jamais-casar, falei com meu pai sobre casamento. Não, meu pai muito provavelmente não me levou à sério. Ele também me promete que vai devolver o carro que pegou quando eu fui pros EUA, e ó, 3 anos depois e carro nenhum.

Mas enfim, casamento. Outro dia fiz uma lista de convidados de casamento. Pois é. NÃO-TENHO-COM-QUEM-CASAR-MAS-JÁ-SEI-QUEM-CONVIDAR. Na verdade, na minha cabeça, não parece um freak show tão grande quanto escrito aqui. Tinha conversado com uma noiva, dessas de verdade, que tem noivo e estão planejando casamento DE VERDADE, sobre o número de convidados dela. Achei que eram muitos e, de forma abstrata, pensei que queria um casamento pequeno. Assim, quando eu me casar. SE um dia eu me casar. Enfim. Daí eu tava lá no banho e tracei que teria um casamento de 100 pessoas, 50 minhas e 50 do noivo-inexistente. E numa lista mental, percebi que tenho 50 convidados muito rápido. Tipo, antes de terminar minha família, já foi metade. Caraleo. Daí nasceu a lista no papel. E eu rasguei quando me dei conta do que tava fazendo e fiquei, finalmente, com medo de mim.

Antes minha mãe tinha me convencido que casamento formal era perda de tempo. Que pra casar basta você, um cara e a vontade de ficar juntos, morar juntos, compartilhar um futuro. Ela me dizia que casar era perda de dinheiro. Mas isso até ela achar que a nova mulher do meu pai gasta dinheiro demais e que eu como filha posso gastar também, então tenho certeza plena que ela me incentivará a torrar a grana do meu pai.

Tava pensando sobre isso – eu sei, interna a louca, 26 anos, casar com quem, casamento na cabeça – e lembrei de um casal de amigos que conheci no Chile. A moça, a Trini, morava com o noivo, um gringo fofinho, o Jay, mas sofria com a pressão da conservadora -e hipócrita- sociedade chilena. Era vista como imoral por morar com um cara com quem não era casada (minha mãe seria um tapa na cara da sociedade chilena, mas enfim, minha mãe não tem nada de Chile nela mesmo e vive esbofeteando a própria sociedade brasileira). Os pais da Trini a pressionavam, loucamente, para ela se casar com o Jay. No trabalho as pessoas fofocavam. A Trini ficava triste. Daí eles casaram. Um casamento lindo. Mas não foi pra eles, saca. Foi pela pressão da sociedade. Eles tinham amor, tinham vontade de estar juntos, tinham futuro compartilhado e uma vida juntos. Na verdade, na real mesmo, não precisavam de cerimônia nenhuma que provasse porra nenhuma pra sociedade, mas cederam.

Minha vontade de casar não tem nada a ver com a sociedade. Acho que vem mais do meu medo de ficar sozinha. De não ter família. Casar fica sendo então um objetivo mais concreto do que o intangível de saber determinar o que realmente é um ~futuro compartilhado~.

Ok. Soy loca. São 4:30 da manhã e eu tô aqui me sentindo uma Bridget Jones.

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