I’ll keep on dancing

Tava nessa internerd fazendo hora quando achei o blog de uma conhecida. Ela escreve surpreendentemente bem e de uma maneira seca e direta. E além de tudo, grande parte dos posts são histórias ou reflexões, sempre tendendo pra terceira pessoa e evitando o mimimi recorrente que um blog em primeira pessoa tende.

O fato é que o blog da garota lá é genial. Só de ler uns posts picados eu a achei mais interessante, então imagino o efeito que tem no resto das pessoas que não sabem exatamente quem ela é. Não saber quem escreve abre a imaginação. E ela nem se abre muito ali, então deixa muito, mas muito mesmo, espaço para a imaginação.

Ela parece sexy, inteligente, destemida e foda. Nada disso eu conseguiria colocar em um post. Talvez eu até consiga te enganar em uma mesa de bar fingindo ter uma auto-confiança que inexista, só pra te impressionar. Na mesa de bar eu posso morder o lábio,  mexer no cabelo e sorrir bastante. Eu provavelmente vou  te contar das línguas que eu falo, do que eu acho da situação da econômica internacional e  te impressionar quanto aos meus conhecimentos da política latino-americana. Dependendo você vai achar tudo isso muito chato, mas daí, de quebra, ainda vou emendar minhas opiniões sobre futebol, vou te contar que faço kickboxing e vou te mostrar como sou genuinamente boa com todos meus trabalhos voluntários. Eu tenho certeza que vou acabar te contando de ter morado nos EUA e dizendo como eu fui corajosa de abandonar tudo aquilo porque eu não estava feliz. O sonho de todo mundo é poder largar o emprego pra ser mais feliz, então eu de quebra estaria parecendo mais destemida. Posso ir nas minhas viagens, no morar sozinha, no se virar e não ter medo das coisas. Nada disso de fato é mentira, apenas a confiança de botar essa banca toda sem medo de parecer uma ridícula querendo aparecer (só pra te impressionar).

Mas eu não posso sentar e escrever um post sobre dar em um cafezal e nem sobre ter assistido todos os filmes pornô da internet só pra ficar muito boa de cama e o Thi só me querer e a mais ninguém. Eu não sou assim, saca.

Uma amiga me disse que o único jeito de conquistar alguém não sendo a mais bonita da festa (sendo esse mais um estado de espírito, ao menos no meu entendimento, do que físico), é se fazendo de gatinha mistério. Mas perceba bem que de misteriosa eu não tenho nada, que só pra te impressionar eu vou meter a minha vida toda e ainda por cima vou ouvir da sua, porque por algum motivo eu tenho cara de muito compreensiva e geral simplesmente me conta tudo. E daí não vai ter nada pra descobrir. Nada pra imaginar.  E olha que eu disse tudo aqui só pra te impressionar.

Então no final do dia eu vou ser sua amigona que sei do divórcio dos seus pais e das mudanças que você fez na sua vida ano passado, enquanto você já descobriu que eu aprendi a andar de bicicleta ano passado e que eu quero muito-muit0-muito um emprego novo.

Além de não ser misteriosa, só em ser eu mesma, pareço menos sexy, inteligente, destemida e foda do que poderia me vender. E é por isso que esse blog é tão mimimi. Porque no fim das contas eu não consigo fugir de mim. E o azar, meu caro, é só meu.

Mas eu sigo assim, né. Tentando te impressionar. Só pra te impressionar. É como a gente sempre diz “tô sofrendo, mas tô dançando”.

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