Caos.

NOSSA, NOSSA, ASSIM VOCÊ ME MATA.

Vou narrar os dramas, sem estrutura temporal ou linearidadesó pra refletir como é que as coisas estão se passando dentro da minha cabeça:

Agora eu tenho um carro, eeeeeeeeeee, mas ele não tem seguro aaaaaaaaah e ai eu fico com medo de algo acontecer, mas ao mesmo tempo, para que ter um carro e não usar, não é mesmo? De qualquer maneira, vou pro trabalho andando, eu não ia ter onde parar mesmo. Daí eu cheguei no trabalho e meu computador tava quebrado… e eu trabalho com ele, né. Meu computador sendo meu laptop. Quebrado. Sorte que tinha um reserva lá. Que é lerdo. E sem meus arquivos. Quando é que eu vou me lembrar de salvar tudo em email como backup? Daí eu lembrei de quando, antes do aniversário, eu olhava o facebook do garoto lá pensava “sai daeee”, mas daí fui no aniversário e não vi nada entre os dois e achei que tava tudo bem. Só que ela era muito bonita, cretina. E nas fotos eu tô do lado dela e ela é táo simpática, ai, odeio ela. Daí a gente tinha marcado de sair na quinta, no caso, eu e ele,  mas ele desmarcou porque tinha um esquema, e no meu país esquema é mulher, mas eu fingi que não tava ligando. Voltando pra hoje, mandei sms pra minha mãe contando do laptop e ela  sugeriu que eu comprasse outro. Mas viver de que dinheiro, já que meu gasto vai num computador e no seguro do carro que eu pretendo fazer pra poder andar de carro (e na gasolina)? Voltando a falar de sms, na sexta mandei sms e ele não respondeu. Sofri, postei no blog, comi pizza e fui pra festa no sábado, mas decidi que não queria mais brincar, que eu ia parar de descer pro play. Só que ontem ele respondeu a sms por facebook. Todo fofo. Gah. Ai eu fingi, de novo, que tava tudo bem. Ele disse que ia me trazer presente da viagem. Fingi mentalmente que eu achava, de verdade, que eventualmente a gente ia casar, ter filhos, ças paradas. Só que adicionaram no facebook uma foto de ou quinta, ou sexta, ou sábado, que tinha ele e ela. A bonita. A simpática. Ai, odeio ela. E ele postou sobre um filme recomendando e ela curtiu. Vi tudo isso hoje, no computador que não é meu. V-a-c-a. E ela ainda é bonita. E ela ainda é boazinha. Fechei a tela. Fui divulgar o evento, tava chovendo no caminho, lá foi tudo desorganizado, isso que eu nem contei da reunião de manhã em que meus chefes me deixaram em pânico. Fui mandar arrumar meu computador e pediram 160 reais e uma semana pra um trenzinho de nada quebrado. Fiquei muito puta. Amanhã vou tentar arrumar no centro. Vou fingir que tá tudo bem porque ele tirou a barba e ficou mais feio. Feio mesmo. Barba é vida. Ele sem barba não dá. Abro a foto de novo, eles tão tão casal. Meu computador tá quebrado. Não tenho dinheiro pra arrumar, imagina se tenho pra um novo. De qualquer forma, quero meus arquivos. A solução é pegar meu carro e sair dirigindo até a cidade me consolar e ficar tudo mais ok. Ah é, não posso. Não tem seguro.

É dia das bruxas, né? E dia 2 é dia dos mortos. Vou fingir que dia 3 fica tudo bem. Em tudo.

Vou fingindo.

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Fazendo manha

“Fala menos e faz mais”, já diziam os sábios. Mas como muito faladeira que sou, sempre tendi a falar. Falo, falo, falo. Sempre me auto-convencendo e me justificando que a comunicação é a chave das relações. Ou por acaso você tá achando que eu tenho tanto amigo assim por causa do meu rostinho bonito? Na-na-ni-na-não. Quem tem boca vaia Roma (que é a expressão certa, alguém me contou, quem vai à Roma tem dinheiro mesmo).

Daí geral sabe das dores e amores, minha vida fica sendo território público, vide o blog em questão. Quando eu morava nos EUA, eu tinha o benefício do afastamento entre meu público, leitor de português (que no caso consistia em: azmigas, tio e mãe) e a minha realidade. Mas agora é tudo no mesmo buraco, tudo na mesma vida.

Quando nego menos espera (nego sendo eu), o cara que você deu mole em um evento é quem vai avaliar sua inscrição para um evento e te aprovar – ou não. Ou vai que alguém me stalkeia muito nessas redes sociais na vida e acha esse blog e esse alguém é justamente –aimeudeus- tema de algum desses posts? Apesar de sem nome e sobrenome, metade deles tem destinatário. Aijesus.

E o risco da mamãe ler isso aqui? E ver meus chorinhos de criança idiota? Porque pra minha mãe entrar nesse blog basta um clique, não sou de limpar histórico. Inclusive, quando eu morava fora, ela era público alvo, lembra?

Daí fica esse jogo de “não vou falar nada” e meias palavras, usando a tática básica de “gatinha mistério”, sendo que pra entendedor nenhum meia palavra basta, porque né, já sacamos que o mundo não percebe o que eu quero dizer sem que eu fale literalmente.

Ontem minha irmã me aconselhou guardar para mim, dores e amores. Que daí diminui a expectativa e a necessidade de prestar satisfação. Mas daí, me conta, desde quando eu me calar significa mais ação, se já está comprovado por “a+b” que o “ = c” pode ser traduzido por: “eu, Alice, incompetente”?

Eu sei, je sais.

Eu fico me perguntando se eu tivesse mandando aquela  mensagem, tempos atrás, se teria feito alguma diferença no agora dele. Mas daí eu me lembro que eu não tenho nada a ver com isso e que se não somos amigos, a culpa é dele. E a perda é dele. Não vale a pena em tantos infinitos sentidos que a errada sou eu de, no meio do meu rancor, e riso recalcado de” rá, tudo sempre vai dar errado, seu idiota”, encontrar toda essa dó que sinto dele e querer ajudar. Tenho que parar com essa vocação de mártir.

Daí me lembro também que eu não posso ser amiga de mais ninguém. Que eu tenho esses olhos e essa voz de “fala que eu te escuto” que suga confidências alheias e que eu não quero mais isso, tá entendo? Não quero. Não me conta nada. NÃO QUERO SABER DE NADA. Não vim no mundo pra fazer amigos.

(é que eu quero ser muito mais do que só isso).

Vou tão longe pra te ver voar

Depois de muito tempo sem nada de interessante acontecer na minha vida profissional e eu passar pela fase clássica “mas o que é que eu quero?”, que não veio aos 17 anos de idade, mas 2  anos após formada na universidade,  ei s que me vi com duas propostas de emprego em mãos.  Uma,  empregão. Salárião. Mudança pra Brasília. Um mentor. Outra, a instabilidade de não ter carteira assinada. Salário incerto.  Escritório coletivo. Três chefes e nenhum deles com mais de 10 anos a mais que eu.

Adivinha qual eu escolhi? Rá.

Adivinha qual minha mãe queria que eu tivesse escolhido?

Foi instalada uma guerra-fria na minha casa. Mil motivos eu tinha para não querer Brasília, mamãe não perguntou nenhum deles. Mil motivos eu tinha para ficar eufórica com a segunda proposta, mamãe também não quis saber desses.

Emprego novo, na área que eu queria e nenhum parabéns. Nenhum sinal de orgulho materno. Só olhares desapontados e levemente desesperados sobre “que raios eu vou fazer da minha vida”.

Daí, uma vez no emprego, fui tentando educar minha mãe sobre o assunto. Chegava em casa e contava o que eu tinha feito. Mandava artigo, reportagem, tudo, tudo, sobre gente como eu. Veio folder, veio panfleto, veio site.

Mamãe foi crescendo no orgulho. Foi contando para as pessoas.  E hoje me pediu para sair com um amigo dela e explicar o que é que eu faço, que ele achou genial. Tô nem tem um mês no emprego ainda.

Se isso não é de dar orgulho na filha, não sei mais o que pode ser.