seja bom, seja bom

Tava lá eu contando no empolgue sobre meu emprego novo para as pessoas. Disse, completamente fascinada, que todo mundo tinha e queria ter poder de transformação, essa coisa que as pessoas tendem a achar que é idealismo ou ingenuidade, de mudar o mundo. Contei que todo mundo fazia n horas de trabalho voluntário, que reciclavam o lixo, que faziam seminários, conferências e oficinas, só para disseminar o conhecimento. Contei no empolgue que metade era vegetariana, e mesmo os que não eram, sabiam respeitar os outros. Que as opções que todos sempre buscavam eram as melhores para o todo, que todo mundo queria comércio justo, empreendedorismo criativo, que sustentabilidade não era só uma palavra da moda, mas algo que era praticado todo dia. Tudo lindo, tudo bonito.

Daí Vinícius olha para mim e diz: “em suma, lá todo mundo é tão igual que ninguém é especial”. Na hora eu ri e concordei, né. Porque se todo mundo é assim, ser só mais uma não soma tanto. Só que aos poucos eu vou me dando conta, no início dessa terceira semana de trabalho aqui, que todo mundo é especial, e ainda assim, diferente, mesmo com tanto compartilhado. Que é um prazer e uma honra finalmente estar cercada de gente que ACREDITA e que o que eu queria fazer ao 16 anos é finalmente possível.

Quando eu me formei em Relações Internacionais geral me perguntava, mas porque é que eu não queria ser diplomata mesmo? Minha resposta sempre fui muito clara: diplomata é burocrata, até fazer diferença, nossa, vai muito tempo. Minha estadia away in USA só reforçou essa crença, porque assisti, com esses meus olhos, toda a ineficiência não só dos diplomatas, mas também de toda uma organização internacional, que por mais que tenha gente tão cheia de boas intenções, incluindo diplomatas, é engessada.

Mas aqui a palavra transformação ecoa. Inovação é tipo palavra de ordem. Vou nem bancar a aquariana e falar de liberdade, porque né, tá no óbvio quando não existem mesas fixas e o horário de trabalho tende ao “chega quando quer, vai embora quando pode” que me levou, por exemplo, a ir embora ontem às 4 da tarde simplesmente porque EU QUIS. Daí eu fico olhando ao redor achando tudo bonito e tentando ter idéias que vão salvar o mundo, me sentindo A IMPACTADORA SOCIAL.

Só que com o tempo  eu ainda vou percebendo que talvez, perhaps, é mais difícil e complexo do que as palavras acima. É a maldita realidade, como sempre, assassinando sonhos. Não tô vendo muita perspectiva de ficar rica aqui não, para desespero do papai e também da minha vontade de comprar coisas.

Mas no final do dia eu sei que eu prefiro ir dormir sem aquela blusa nova e sabendo que eu fui numa reunião chata discutir, mesmo que em vão, maneiras de gerar renda e qualificar as pessoas. E daí uma hora o universo vai olhar pra mim e falar “Alice, ow, cê brilhou” e vai me dar maneiras de sobreviver, pagar contas, ter um futuro, essas coisas. NÉ?

One thought on “seja bom, seja bom

  1. Aparentemente não se poderia ficar rico mesmo. Por isso que a maioria das pessoas ficam inertes, ou achando bonito coisas que envolvem a Sustentabilidade e afins, mas quase ninguém põe a mão na massa. Admiro pessoas como você que está indo lá, e trabalhando, não apenas porque quer pagar suas contas ou comprar suas coisas, mas pra ajudar outras pessoas também, é árduo, mas é lindo, e em algum momento há de vir a recompensa, talvez pode não vir exatamente em forma de dinheiro, mas virá.
    :)

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