Vai meu coração, ouve a razão

“amiga, nesse carnaval eu vou pegar geral, porque em 2012 eu desencalho, então tenho que pôr minha vida de solteira em dia”. podia ser eu, mas não foi. foi uma amiga mesmo, deixando claro, por a + b, porque a gente tem tanto tudo a ver.
e no início de 2010 teve o baile de formatura de uma amiga, e uma terceira, meio que médium-vidente-futorologista mandou um “alice, não estressa. só em 2 anos você vai ter algo sério”. ai universo, queria avisar uma coisa muito séria: passaram-se, enfim, dois anos.

ainda bem que a revista horóscopo da tt disse que aquário desencalha esse ano. porque vou te contar, viu. tô dando conta não.

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Mesmo assim não disse “sim”

Um garoto qualquer olha para mim e diz “pelo menos meu intercâmbio não foi na América Latina”, se vangloriando do dele ter sido nos Estados Unidos. Fora assim de contexto a conversa parece muito infantil e eu pareço bastante idiota de estar, às cinco e meia da manhã de um sábado para domingo (num 25 de dezembro, pra ser mais exata) disputando qual intercâmbio é mais legal com um cara desconhecido em um fumodromo lotado do meu inferninho preferido (que de tão inferninho, tava um forno e até no meu caso, que não fumo, o cheiro de cigarro tava mais agradável). Só que não foi bem assim. O assunto era o fato da minha roupa ser mais bonita que a dele (isso sim é uma argumentação válida para um momento desses). E do nada a pessoa vai lá e me rebate com uma ofensa à Argentina. PORRAN. Argentina, sua linda, não liga pro que esse babaca ignorante está falando, ok??? Se eu fosse realmente idiota, eu poderia contrargumentar dizendo que morei nos EUA altos tempos, depois de formada, mas que nem por isso era melhor que ele que tinha feito um ano de high school. Ops. Fiz isso (e, obviamente, me acho melhor que ele. HMPFT).

Na festa (cujas fotos não ficaram lindas porque simplesmente não foram tiradas) tinha um outro cara, dessa vez muito mais interessante, que eu até achei gatines, mas não peguei. O cara fazia mestrado fora, era inteligente, simpático, aberto e se chamava Davi (já o cara babaca nem o nome eu sei). Rolou conversinha, trocada de olhar, mão na cintura e coisa e tal, mas daí chegaram uns amigos dele e eu simplesmente me afastei porque fiquei com preguiça de disputar atenção. Eu sou dessas.

Fazendo uma avaliação posterior, gastei tempo de mais falando com o babaca e tempo de menos falando com o bonitinho. É só olhar no tamanho dos parágrafos dedicados a cada um pra notar a tendência falha. Tô muito com as ações erradas na vida. Fica ai a proposta pra 2012: TER OBJETIVO MELHOR TRAÇADO (e de fato tentar atingi-lo). A avaliação posterior também me trouxe uma coisa muito importante, que titia Mel (minha amiga que acha que entende mais de pegar e que, de fato, oferece conselhos) já tinha me dito: EU FALO DEMAIS SOBRE MIM. E não tem maneira melhor de mostrar interesse do que perguntar muito da vida do cara e parecer que está prestando MUITA ATENÇÃO, como se aquilo fosse tão fundamental quanto o fervor da discussão “mas meu vestido preto é muito mais bonito que essa sua camisa xadrez – que nem é bonita”.

Mas não. Eu fico lá contando da OEA, contando de DC, das viagens, de mim. EU EU EU EUE EU EUEUEUEUEUEUUEUEUEUEUUEUEUeueueuuzzzzzzz z z z …

Então, em 2012, hei de buscar falar menos. E ouvir mais. Como se tudo fosse a cura do câncer (e ouvir sobre isso fosse de fato interessante ).

E vai ver, tem que ser.

Maria Tereza reclamou que eu não posto mais no blog depois que reativei meu twitter. Na hora eu até concordei, já que tudo que viraria post, em tese, viram 140 caracteres curtos e, devido ao tamanho, com desculpas suficientes pra qualquer mistério que eu bem entender fazer. Mas daí eu fui pensar que desde terça passada eu não vinha trabalhar, e essa vida de come-dorme (e morre um pouquinho) de gente enferma eu não tinha muito o que postar.

Você acha que tem tempo livre na doença, mas geralmente fica mais preocupada com a dor de cabeça latejante do que com as desaventuras de um coração sempre partido. Mas ó, sobrevivi. Tô aqui, de boaça, no trabalho… o que me traz pra 2012.

Além de faltarem 11 dias para o ano que o mundo, supostamente, vai acabar, eu tenho 11 dias pra entrar com o pé certo. De 2010 pra 2011 eu passei nas areias de Copacabana, mas bem me lembro que indo pra Copa minhas havaianas arrebentaram e eu tive que andar DESCALÇA por aquelas ruas NOJENTAS. Mas daí comprei uma sandália ortopédica HORRENDA, no único lugar aberto que vendia calçados às 10 da noite do dia 31 de dezembro na praia de Copacabana e passei o ano novo sem pegar nenhuma doença nojenta.

Mas assim, tomando o todo pelo todo, 2011 foi um ano danado de bom. Mesmo com a sinusite no final e a falta total e completa de capacidade generalizada da nação. Fiz muita coisa, mudei muita coisa e bobeando, nunca antes na história desse país, fui tão bem sucedida em áreas múltiplas. Então, vem 2012.

Tenho dez ou mais de mil segredos pra contar

meu remédio de tarja roxa não só da barato, como dá náusea. essa vida de drogas não tá fácil. assim como não tá fácil essa melhora lenta e gradual. no primeiro dia após diagnóstico tentei ser guerreira e ir trabalhar de boa, mas o tempo nessa belo horizonte varia entre “mormaço pré-chuva” e “dilúvio na terra” e bora combinar que a parte da chuva presente nas duas condições temporais é inimiga de pessoas com doenças respiratórias. a médica avisou: cuida senão vira pneumonia.
pneumonia, no gracias.

devido à tanta emoção na vida, tô em casa. terminei de ler o último livro de guerra dos tronos (800 páginas, biacthe) e emendei com uma triologia do cornwell. me dá dois dias mais desse tipo de leitura que eu tô hábil de começar uma guerra em tempos feudais.

ah, e refiz o twitter. pior que eu refiz num horário de almoço no dia que fui trabalhar, então não dá nem pra responsabilizar o fator casa. a notícia é positiva: o twitter é muito mais chato que eu me lembrava. blé.

Eu vim, eu vi

se eu tava de boa, deu uma e meia da tarde e minha cabeça passou pelo processo de semi explosão. daí fui no hospital, com duas fucking horas e meia de espera, mas saindo com diagnóstico de caso grave de sinusite, receita para 4 remédios, incluindo o tylenol, que eu tava evitando, um antibiótico tarja roxa e… cortizona (além de um spray supersônico pro nariz.)
como se eu precisasse ficar inchada nessa vida.

mas sou tão ninja que vim trabalhar e tô aqui, meio que mareada, grogue e drogada.
o importante são as drogas, diz ai.
nada como a vida indolor.

A gente ria tanto desses nossos desencontros

já que eu tô aqui postando LIKE A CRAZY, vai um da “Adorável Psicose”, que por algum motivo bizarro é o programa de tv favorito da minha mãe.

“Já faz quase três anos”, ele disse, num tom simpático. “Não é possível que você ainda tenha raiva de mim!”
“Bom…”, tentei contra-argumentar, “não é que eu não goste de você… mas odiar é uma palavra forte, você não acha?”
“Como assim, eu não falei odiar.”
Prossegui, sem prestar muita atenção no que ele dizia: “Ninguém aqui tá falando de nojo. Eu não sinto ânsia de vômito toda vez que alguém menciona seu nome numa conversa de bar.”
“Quê?”
“Não é que eu olhe pra você e queira socar essa sua cara estranha e desproporcional até ela ficar ainda mais estranha e desproporcional, se é que isso é possível. Quer dizer, eu disse em algum momento que sentia vontade de cuspir em cima de você, com catarro e tudo? Peraí também, né?! Vamos ser sensatos. Não é como se eu desejasse que seu corpo entrasse em algum tipo de combustão interna e você explodisse e começasse a pegar fogo do nada. E depois você ficasse correndo de um lado pro outro, em chamas, urrando de dor, feito um demente dos infernos, que de fato você é. Seu demente dos infernos.”
Ele ficou mudo.
Eu sorri e dei dois tapinhas em seu obro, como quem diz “desejo tudo de melhor pra sua vida”. Vocês sabem, não sou de guardar rancor.

amiga de fodinha, fodinha é?

Eu e as palavras
Eu tenho medo das palavras. Medo. Medo de tudo que é relativo a elas. Tenho medo que me peguem desprevenida, que me exponham, que me deixem nua na praça. Tenho medo das vogais, das semivogais, das consoantes, dos ditongos, dos tritongos e dos hiatos, princialmente dos hiatos. Tenho pavor de vírgulas e é porque me deixam sem fôlego, a sua falta, ou a sua presença, tenho pavor de vírgulas. Preposições para mim são anônimas sarcásticas, me deixam sem lugar de estar, sem lugar de ir, são inimigas sem cara. Tenho medo que as palavras se unam e de frase em frase façam uma guerra, uma guerra vazia, só de palavras. E, só de estar a sós com elas, minha cara fica pálida, minhas mãos ficam geladas e a miopia que me resta pisca as minhas armas. Tenho medo que as palavras me saiam muito ousadas, tenho vergonha que as palavras me saiam muito erradas. Tenho medo que as palavras me deixem sem dizer nada.  Tenho medo que me dome e seja a última palavra.

texto da tt, no blog dela, atualizado com a sazonalidade de coisa nenhuma, de tão inconstante.

Pra eles, o outro lado

Babi, sendo essa meu carro, furou o pneu. Vê se pode, um carro com um mês e pouco de vida já com pneu furado. Tentei fazer uma guilt trip na qual eu era uma má mãe por permitir que tal coisa acontecesse com a minha filha, mas a culpa passa mais pelas chuvas e pelo mal pavimento de Belo Horizonte. Ai eis a questão, como trocar o pneu?

Pra minha sorte, namorado da mamãe tá em casa e tentei responsabilizá-lo da ação. Queria chegar em casa e o pneu estar magicamente trocado, não ia ser lindo? Fica a torcida.

Acho que passou a onda loser desse início de dezembro, porque acordei hoje sem grandes tragédias. A história é mais ou menos assim: ainda tô com muita dor de cabeça, o que pode ser qualquer coisa, tipo um tumor cerebral… ou bem como uma dependência bizarra de tylenol, que segundo EU me gerou uma dor de cabeça crônica (minha versão para essa dor que não me larga). Parei de tomar o remédio e a cabeça doeu, non stop, o fim de semana inteiro. Não conseguia dormir ontem a noite de jeito nenhum, de tanta dor, então tomei neosaldina (e não o tyleonol dos diabos) e dormi feito um anjo. Talvez sejam os efeitos de ter drogas de novo no meu corpo (sim, to aqui viciadona em paracetamol), mas acho que tá tudo bem.

Assim, não tenho dinheiro e tenho dívidas, minha mochila nova já tá toda fudida, tenho que dar um jeito de trocar ela, mas acho que a Kalunga vai ser best e facilitar a troca. Pneu de carro fura, não é minha culpa…  e de qualquer jeito, e natal tá ai, né? Vai ficar tudo bem.

No mais, fiquei no facebook até tarde (enquanto o remédio não fazia efeito) e constatei que TODO mundo tá casando em DC. No facebook da colombiana louca que morou comigo tem uns 10 álbuns de casamentos diferentes, sem contar na galere que tá noiva. Só agradeci a Deus do Brian ter saído daquela cidade que eu não dava conta do meu amor eterno – e puro – na onda de casamentos não. Eu não estar lá é um plus também, porque CERTEZA que eu ia ser a mais encalhada da festa, papel que exerço já em terras brasileiras.

Falando de casamento, conviver com uma das minhas chefes me trouxe pra dimensão brasileira do TÁ TODO MUNDO CASANDO. Isso que ela tem 29 anos e TODO fim de semana ela tem pelo menos um casamento (a começar com o dela, que foi na minha primeira semana de trabalho aqui).  Eu tenho 26, quase 27. OLHA A PRESSÃO, NOIVO CADÊ?

Ai, quem eu quero enganar. Tenho condições nem de manter vida de carro, laptop, mochila, IMAGINA se vou casar.

ps: a quem possa interessar, faz mais de 8 horas que eu tomei o remédio, isso não são drogas, é somente psicose própria.