Mesmo assim não disse “sim”

Um garoto qualquer olha para mim e diz “pelo menos meu intercâmbio não foi na América Latina”, se vangloriando do dele ter sido nos Estados Unidos. Fora assim de contexto a conversa parece muito infantil e eu pareço bastante idiota de estar, às cinco e meia da manhã de um sábado para domingo (num 25 de dezembro, pra ser mais exata) disputando qual intercâmbio é mais legal com um cara desconhecido em um fumodromo lotado do meu inferninho preferido (que de tão inferninho, tava um forno e até no meu caso, que não fumo, o cheiro de cigarro tava mais agradável). Só que não foi bem assim. O assunto era o fato da minha roupa ser mais bonita que a dele (isso sim é uma argumentação válida para um momento desses). E do nada a pessoa vai lá e me rebate com uma ofensa à Argentina. PORRAN. Argentina, sua linda, não liga pro que esse babaca ignorante está falando, ok??? Se eu fosse realmente idiota, eu poderia contrargumentar dizendo que morei nos EUA altos tempos, depois de formada, mas que nem por isso era melhor que ele que tinha feito um ano de high school. Ops. Fiz isso (e, obviamente, me acho melhor que ele. HMPFT).

Na festa (cujas fotos não ficaram lindas porque simplesmente não foram tiradas) tinha um outro cara, dessa vez muito mais interessante, que eu até achei gatines, mas não peguei. O cara fazia mestrado fora, era inteligente, simpático, aberto e se chamava Davi (já o cara babaca nem o nome eu sei). Rolou conversinha, trocada de olhar, mão na cintura e coisa e tal, mas daí chegaram uns amigos dele e eu simplesmente me afastei porque fiquei com preguiça de disputar atenção. Eu sou dessas.

Fazendo uma avaliação posterior, gastei tempo de mais falando com o babaca e tempo de menos falando com o bonitinho. É só olhar no tamanho dos parágrafos dedicados a cada um pra notar a tendência falha. Tô muito com as ações erradas na vida. Fica ai a proposta pra 2012: TER OBJETIVO MELHOR TRAÇADO (e de fato tentar atingi-lo). A avaliação posterior também me trouxe uma coisa muito importante, que titia Mel (minha amiga que acha que entende mais de pegar e que, de fato, oferece conselhos) já tinha me dito: EU FALO DEMAIS SOBRE MIM. E não tem maneira melhor de mostrar interesse do que perguntar muito da vida do cara e parecer que está prestando MUITA ATENÇÃO, como se aquilo fosse tão fundamental quanto o fervor da discussão “mas meu vestido preto é muito mais bonito que essa sua camisa xadrez – que nem é bonita”.

Mas não. Eu fico lá contando da OEA, contando de DC, das viagens, de mim. EU EU EU EUE EU EUEUEUEUEUEUUEUEUEUEUUEUEUeueueuuzzzzzzz z z z …

Então, em 2012, hei de buscar falar menos. E ouvir mais. Como se tudo fosse a cura do câncer (e ouvir sobre isso fosse de fato interessante ).

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