I know we all have a similar dream

Minha colega de quarto era libanesa. Ela mora em Paris, tem 21 anos, já está fazendo mestrado em Segurança Internacional e o sonho dela é mudar o papel da mulher na sociedade libanesa. Ela detesta quase todos os homens árabes por considerá-los hipócritas, e enfrenta a sociedade ocidental mantendo os seus valores e formando opiniões sobre tudo. Se por um lado ela debate o Hezbolla com a israelense do programa, a noite ela fala com preocupação de como vai achar um marido não morando no Líbano, principalmente um aceitável. Ela só não quer hipocrisias. Com 21 anos a Farrah é das mulheres mais fortes que eu já encontrei na vida. E os sonhos dela simplesmente me fizeram sentir uma inspiração, uma vontade de ser quem eu quiser, de fazer o que eu puder. Ela contou que na Copa de 98 ela foi a única menina em uma fila enorme pra trocar tampas de Pepsi por uma bola com a assinatura do Roberto Carlos e do Ronaldo. E que ela foi a primeira a chegar. Ela ainda prometeu que quando ela casar, paga uma passagem pro Líbano pra eu ir assistir. Fiz a amiga mais culturalmente diferente de mim em 12 dias.

O cara de Omã não era gatinho. Mas tinha os olhos com mais brilho que eu já vi na vida. Tanto amor, tanta vontade, tanta paixão. A expressão em inglês de “what makes you heart to sing” se aplica ao Hassan. Ele é tudo o que a Farrah dizia não acreditar que existisse na sociedade árabe. E é casado e não quer uma segunda mulher, embora seja muito comum em Omã. Ele tem um burro de estimação, trabalha no mercado financeiro e paralelamente desenvolve uns cinco projetos sociais diferentes. A pessoa mais doce que eu já conheci na vida é um homem barbudo com uma barba característica islâmica que me abraçou no penúltimo dia enquanto a gente colocava velas em barquinhos e soltava no lago e me disse “você é linda”, e hoje, ao se despedir de mim, me disse “seja forte”. Véeeeeeei…

A minha coach em todo o processo foi uma turca linda e feliz, que me contou em segredo, no primeiro dia, que estava grávida. Há 5 anos, no mesmo programa, quando era participante, conheceu o marido. É um italiano gatíssimo e chamorsísmo. Go, Go, Handam! Ela disse que eu passo segurança e empatia. Hoje de manhã, quando me despedia das pessoas, foi só olhar pra ela que eu cai em prantos. Não porque eu estivesse triste. Mas porque eu nunca acreditei tanto em mim quanto me expressei perto da Handam. E raramente me abri tanto, tão profundamente, com alguém.

O quarto islâmico da brincadeira, Ahmed, nasceu no Iêmen, mas migrou pra Inglaterra quando criança por causa da guerra do Iraque. A de 1992, no caso. Ganhou muito dinheiro na vida, mas um dia acordou e resolveu ir atrás do valor. A pessoa mais animada que eu já vi na vida. A Farrah disse que não confiava nele, porque tendo crescido em Londres, era óbvio que era a personificação de todas as hipocrisias islâmicas (estilo não comer carne de porco, mas beber e fazer sexo antes do casamento, querendo casar com uma virgem). Só que hoje eu descobri que ele não bebe e nunca bebeu na vida. E o mais sonho dele é efetivar o “Power of 10”, no qual ele qualifica 10 pessoas para praticar um “empoderamento” (puta palavra feia com significado lindo) e essas 10 tem que passar pra frente, empoderando pessoas.

Isso só pra ficar no mais diferente (e completamente apaixonante) de todas 40 pessoas com quem eu passei meus últimos dias. Amar gente assim é fácil. Você se apega em 12 dias de imersão e fica triste de não ter eles para sempre do lado.

Dia 1 da Depressão pós imersão.

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