ser feliz ou não, questão de talento

Confiança é o tipo de trem que, uma vez quebrado, quebrado pra sempre. Porque não há cola que convença a memória de que uma vez, aquela certa vez, a específica ali… quebrou. Então por mais que se queira viver em paz, que se queira ser feliz e ser o primeiro a perdoar, o primeiro a esquecer e todos esses clichês para se viver melhor, para sempre tem a mágoa lá do quebrado.

Analiticamente falando, já quebrei a confiança de várias pessoas. Então de diversas formas as relações (minhas e delas) tem rachaduras eternas, lembrando, pra sempre, das faltas que cometi. Sendo o inverso completamente verdadeiro.

Trem complicado esse de querer a paz mas achar rancor, sô.
Será que vale a pena?

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e viver não é brincadeira não

quando a pessoa mais idiota que eu já conheci na minha vida dizia que iria tirar férias da vida social, eu pensava “mas que enorme e imensurável imbecilidade”, vendo aquele anuncio como uma tentativa mera de ter mais atenção. acontece que eis me aqui, literalmente, de auto-férias da minha vida social e neguinho, QUE DELÍCIA.

a grande realidade é que relacionamentos exigem esforço, dedicação e compreensão. não tê-los, obviamente, gera solidão, tristeza, incapacidade de contato humano, etc etc etc. mas as férias, é paraíso. porque é paraíso não ter que lidar com todas as coisas irritantes de todas as pessoas e nem ter que lidar com a possibilidade que você também as irrita, então é melhor se conter para poupar as pessoas que te cercam da convivência difícil e desgastante que oferecemos uns aos outros. distância atenua as coisas. é mentira que faz o coração grown fonder. faz porra nenhuma. ainda tô achando duma babaquice imensa tudo aquilo que deixei, mas olha, não lidar com isso tudo, não falar, discutir ou tentar sequer entender… que conforto.

entendi essas pessoas que querem nunca se casar e nem ter família, simplesmente optando por não ter que lidar com os desgastes dessas relações todas. from time to time, ficar sozinho é um conforto.

talvez me torne uma dessas pessoas preguiçosas que simplesmente deixa pra lá tudo que deu errado e vá cortando pessoas da sua vida até que eu esteja imersa no conforto total de não ter nunca que pisar em mim mesma pra ficar tudo bem.

ou não.

eu sei que daqui à x dias estarei com vontade de ver pessoas, de falar, de rir, de beber, de sair por ai sendo mais eu e menos só… mas por enquanto, tô aqui bonita com o celular descarregado.

É nossa obrigação saber seguir em frente

Sou uma enorme fugitiva da realidade. Tento, o máximo possível, evitar ter meu percurso interrompido por algo que seja desagradável. E isso consiste em ignorar coisas até que seja impossível lidar com tudo. E ai… ai a casa caí.

Daí se alguém me pergunta: “mas como é que você deixou chegar nesse nível calamitoso?”, completamente em choque, a resposta é bem simples. Eu tava muito focada em ser feliz e encontrar alguma paz de espírito para parar e observar x ou y. Verdade seja dita, às vezes o desastre seria menor caso a interrupção do curso das ações fosse dada mais cedo. Então, meio termo… vem pra mim!

Você precisa…

meus pais têm muita dificuldade em entender onde eu quero chegar. em entender quem eu sou. em entender minhas escolhas profissionais e opções de caminho. eu tento dizer que posso me dar ao luxo de me dar opções, porque justamente por ter tantas, tenho a obrigação de me fazer feliz. não é suficiente. eles tentam me dar apoio, mas vira e volta trombamos em diferenças fundamentais entre as crenças mais básicas do que fazer da vida. minha mãe vive dizendo que é um idealismo de gente com vinte poucos anos. mas que não cabe mais em gente que tem vinte e tantos. mas mesmo assim seguem tentando. seguem.

só que volta e meia recupero o fôlego ao esbarrar com gente igual a mim. ufa.
i´m not the only one.

eu fugir de mim

detesto minha imagem externa, por mais auto depreciativo que isso possa parecer. no caso, minha auto-imagem.

não gosto que as pessoas me digam que pareço com alguém, porque nunca realmente sei como a outra pessoa é. será bonita? serei bonita? descobrir que alguém parece comigo é ficar deprimida ou feliz?

acabei de ver um vídeo meu falando em público, o que foi de certa maneira assustador. falo de um jeito meio que parecido com meu pai, figura que cansei de ver falando em público. pode ser que isso seja bom, ele fala bem. mas é estranho ser menos única e mais herança.

fora isso minha voz é tão fina tal qual eu já sabia. tenho uma cara muito redondinha, mas enfim, é a vida.

no vídeo aparecia outras pessoas. elas são do jeito que eu as vejo. essa coisa de ter seu ponto de vista das coisas e desconhecer como você é para outras pessoas é bizarro. então sou assim, para as pessoas? falando ritmado, devagar e com voz fina, cara de menina?

são tempos difíceis para a auto-estima.

that I really wanna make you mine

Sempre que eu vejo país de amigos muito apaixonados e fufuxinhos um com o outro, tendo a sentir certa inveja e admiração. Inveja porque o casamento dos meus pais sempre foi muito intempestivo, admiração porque tem que ter o dom de manter a paixão. Mas eu já aprendi, via exemplos mais próximos, que casamento nenhum é moleza. Um sempre é mais fraco, um sempre cede mais para garantir o amor depois dos muitos anos de casado.

Meus pais têm uma personalidade fortíssima, e meu pai traiu minha mãe por anos a fio, antes do divórcio. Mesmo antes de tempos tão complicados, o casamento sempre foi cheio de choques e momentos pontuais de uma paixão enorme, desses que deixa os filhos sem graça e quase que com saudades das brigas.

(Mas sem traumas… a pessoa mais babaca para relacionamentos que eu conheci da minha vida era fruto de um dos casamentos mais sensacionais que eu já vi. Ou seja, não há regra. E há esperança para mim).

Finalmente separados, meu pai isolou a mim e a minha irmã da vida familiar dele, vendo a gente em separado. E eu sempre vi a família do meu pai com certo rancor, porque né, não é porque meu pai quis que geral tem que acatar a separação. Daí chegamos em hoje, que foi aniversário de 83 anos da minha avó.

Faz uns 2 anos que eu vejo minha avó com mais frequência. E uns 7 anos desde que eu fui na casa dela pela última vez. E, sem brincadeira, 12 anos que minha irmã e eu não frequentávamos um evento familiar paterno. Imagine seus primos e tios 12 anos depois. Imagine você para eles.

Sabe nessas séries quando os personagens descobrem que têm parentes remotos e têm contato, pela primeira vez, com toda essa família que desconhecia? Tipo isso. Só que eu tenho memórias de infância com eles, o que faz deles menos remotos, mas tão desconhecidos quanto. O primo com quem eu mais brigava é o mais legal, a prima mais velha é casada e o que eu lembrava criança e brigão acabou de passar no vestibular. Minhas tias todas se aproximaram da gente para dizer que sempre foram contra essa afastamento impositivo do meu pai, e em uma tarde colhi uns 5 convites para visitas. Minha irmã, que é 4 anos mais nova que eu, tinha memórias ainda mais distantes e nebulosas. Mas a sensação é a mesma, se reconhecer em gente que você nem sabia que era parte de você.

A boca, o queixo, os olhos. Uma prima que parece muito com a minha irmã. Dois primos, sem ser nem irmãos, são meu pai, mas que nem mesmo. E minha avó, com aquele afeto e carinho eterno igual de quando eu era criança e ia passar férias com ela, e que de tanto comer mingau de aveia, voltava pra casa mais gordinha e tinha que entrar de dieta. :) Amor de vó.

E daí é menos rancor e mais gente pra vida. Que não seja mais raridade, mas rotina.