that I really wanna make you mine

Sempre que eu vejo país de amigos muito apaixonados e fufuxinhos um com o outro, tendo a sentir certa inveja e admiração. Inveja porque o casamento dos meus pais sempre foi muito intempestivo, admiração porque tem que ter o dom de manter a paixão. Mas eu já aprendi, via exemplos mais próximos, que casamento nenhum é moleza. Um sempre é mais fraco, um sempre cede mais para garantir o amor depois dos muitos anos de casado.

Meus pais têm uma personalidade fortíssima, e meu pai traiu minha mãe por anos a fio, antes do divórcio. Mesmo antes de tempos tão complicados, o casamento sempre foi cheio de choques e momentos pontuais de uma paixão enorme, desses que deixa os filhos sem graça e quase que com saudades das brigas.

(Mas sem traumas… a pessoa mais babaca para relacionamentos que eu conheci da minha vida era fruto de um dos casamentos mais sensacionais que eu já vi. Ou seja, não há regra. E há esperança para mim).

Finalmente separados, meu pai isolou a mim e a minha irmã da vida familiar dele, vendo a gente em separado. E eu sempre vi a família do meu pai com certo rancor, porque né, não é porque meu pai quis que geral tem que acatar a separação. Daí chegamos em hoje, que foi aniversário de 83 anos da minha avó.

Faz uns 2 anos que eu vejo minha avó com mais frequência. E uns 7 anos desde que eu fui na casa dela pela última vez. E, sem brincadeira, 12 anos que minha irmã e eu não frequentávamos um evento familiar paterno. Imagine seus primos e tios 12 anos depois. Imagine você para eles.

Sabe nessas séries quando os personagens descobrem que têm parentes remotos e têm contato, pela primeira vez, com toda essa família que desconhecia? Tipo isso. Só que eu tenho memórias de infância com eles, o que faz deles menos remotos, mas tão desconhecidos quanto. O primo com quem eu mais brigava é o mais legal, a prima mais velha é casada e o que eu lembrava criança e brigão acabou de passar no vestibular. Minhas tias todas se aproximaram da gente para dizer que sempre foram contra essa afastamento impositivo do meu pai, e em uma tarde colhi uns 5 convites para visitas. Minha irmã, que é 4 anos mais nova que eu, tinha memórias ainda mais distantes e nebulosas. Mas a sensação é a mesma, se reconhecer em gente que você nem sabia que era parte de você.

A boca, o queixo, os olhos. Uma prima que parece muito com a minha irmã. Dois primos, sem ser nem irmãos, são meu pai, mas que nem mesmo. E minha avó, com aquele afeto e carinho eterno igual de quando eu era criança e ia passar férias com ela, e que de tanto comer mingau de aveia, voltava pra casa mais gordinha e tinha que entrar de dieta. :) Amor de vó.

E daí é menos rancor e mais gente pra vida. Que não seja mais raridade, mas rotina.

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