Te veo y quiero que tu me veas

Tinha um post aqui que, por dia, recebia 40, 50 visitas. E eu ia lá nas estatísticas de vez em vez e aquilo me irritava. Porque não escrevo para as pessoas procurarem desenhos de tatuagens (que um dia eu pensei em fazer) se inspirarem. Aliás, se tem algo que me irrita é a incapacidade de ser única… saber que por dia tinha cerca de 40 pessoas tendo acesso à aquilo que me inspirou me incomodava, de alguma maneira.

Daí tranquei o post. E obviamente, de 100 visitas diárias a média caiu drasticamente. Mas tudo bem, né. Por mais ridículo que pareça, eu escrevo para mim, não pros outros. O fato de estar na internet faz com que seja tudo exposto, mas são os novos tempos, me sinto mais confortável escrevendo aqui que em um diário que eu esconda dentro de uma gaveta. Parece que as palavras soltas num espaço maior tem mais peso. Ou eu só tenha essa necessidade de compartilhar em excesso, como se isso fosse sinônimo de viver, das pessoas da minha geração.

tudo é mistério

no meu caderno eu anoto as coisas que eu não sei, pra pesquisar depois. são várias coisas que eu não sei. anoto pra procurar depois e na próxima conversa eu saber o que era. às vezes eu só procuro por alto e concluo que não precisa saber mesmo. às vezes eu pesquiso a fundo e viro expert. semana que vem eu começo a pós graduação, aquela que eu quis tanto fazer. aquela que eu decidi que era meu futuro. embora eu meio que esteja envolta na área, me pergunto se eu vou ficar anotando no caderno fingindo que sei ou se eu vou saber de verdade. porque na verdade eu sempre finjo ser mais inteligente do que de fato sou.

essa noite eu dormi poucas horas, porque passei muito tempo revendo o passado. foi escrever o post aqui que é como se eu tivesse me auto permitido voltar a sentir, ao invés de fugir. não dormir a noite inteira pensando em situações, faz muito tempo que eu não sabia o que era isso. e não sei se é bom. é melhor não sentir ou ter controle sobre tudo?

as pessoas não mudam tanto, no final das contas. terei eu mudado um pouco ou sou a mesma coisa? eu tava até pensando que eu podia tentar fazer desse blog um lugar interessante, porque meu dia é cheio de coisas bonitas, então porque não dividir mais e dramatizar menos? mas seria um auto-engano e uma semi-fuga. porque no final eu sempre mergulho em mim. é sempre sobre como eu vejo e sinto as coisas. então fica esse mar de palavras, porque a utilidade disso aqui é me acompanhar, desde 2007, a ser quem eu tento ser.

wouldn’t want to waste a thing

eu tô lá muito cansada. suando. vermelha. ainda bem que tiraram os espelhos, posso não focar na minha aparência que deve ser caótica. se eu fizer mais uma abdominal eu vou morrer. mas eu faço. só que ai tem que levantar e fazer soco e chute livre. 20 segundos que parecem um minuto. e todos sabem que um minuto é meia eternidade. dou um semi-circular. jab, direto. cruzado. vou ficando devagar. faço sequência de chutes porque demora mais. ai lembro que eu quero mais ficar bonita e me sentir bem do que descansar. e que no final ali só importa eu. acho que é isso que motiva. e ai eu faço mais rápido. até o braço doer. até a perna doer. até a barriga doer. até o chute estourar no saco de areia num som bem alto, desses que mostra esforço. e o cruzado ser tão forte que o saco de areia fica balançando.

o próximo passo é só conseguir, de novo, ser 100% nisso. mas ai e meu chocolate? minha cerveja? é lembrar de sempre me escolher. eu.

porque eu quero voltar a me sentir bonita.

(eu fico com muita raiva de gostar tanto do kickboxing sabendo que já parei antes. parei sem motivo algum, me tapeando por não ter mais tanto tempo, por ter preguiça, por ser natal, por ter curso, por ser férias, por ainda ser janeiro, porque vinha carnaval e ai perdi meu tempo. perdi meses de esforço. não posso mais ter preguiça de mim).

não precisa medo, não

Eu digo que passou, mas ainda me assombra. Ainda vem em história, ainda vem em memória. Acho que o que foi da gente fica gravado meio que para sempre, então desisti de encanar por ainda me vir na cabeça vez ou outra ou ter o nome aparecendo nos comentários de alguém no facebook me chamando atenção. Uma vez eu entendi que ele ia a um lugar e minha reação súbita foi “então não vou mais”. E lugares nos quais eu já estive com ele ecoam aquele sentimento todo, embora hoje eu sinta tudo de forma serena.

Tudo isso é da intensidade, de nunca ter gostado tanto assim de alguém e depois ter visto isso ficar tão pequeno que hoje inexiste. Daí vejo as amigas nesse amor intenso e não julgo. Porque sei como é. Mas sei também que passa, então que desistir é preciso quando a coisa fica maior que você e não é com você. Daí uma se desculpa de tanto que eu escuto e eu prometo que ela não me viu ainda apaixonada. Porque eu apaixonada sou tudo isso ai. Minha única vantagem no jogo é saber que I´m a quitter, a leaver. E isso me faz forte.

This is the beginning…

e ruuuuufem os tambores!

com incrível apenas um mês de atraso, comecei a minha vida. todos os planos feitos no wyse e adiados por pura preguiça e procrastinação foram começados hoje, thank you very much. eu tinha até esquecido como é bom esse cansaço de ter feito exatamente aquilo que queria fazer. :)

se o grupo de estudos das metodologias alternativas foi empolgante e inspirador, cheio de ideias e me motivando o dia todo, não posso dizer o mesmo da noite.

obviamente quase morri no kickboxing. pressão baixa. náusea. tontura. êee calor. êee três meses sem malhar. êee peso recuperado. mas vamos que vamos.

vida engraçada: coleguinha de kickboxing que em novembro me dava beijinhos e fazia massagens não falou comigo quandom me viu, não me comprimentou e nem olhou pra mim a aula toda. falou comigo no final quando eu me dirigi a ele e mandou um singelo e seco “welcome back”. o que namorar não faz com uma pessoa que queria te pegar simpática, né. :p

do outro lado da mesma toada (em certo momento da minha vida eu tive várias paqueras, todas sem futuro, coisa muito eu), coleguinha de especialidade ficou muito feliz em me ver depois de tanto tempo e me chamou pra tomar um café. eu disse que não dava, porque, de boa, tenho medo de voltar a desenvolver um crush. o que namorar não faz com uma pessoa que eu queria pegar simpática, né. :p

Preciso acreditar no que flui

Não estou feliz. E já pensei em escrever (e de fato comecei) diversos posts semi-depressivos nesse blog tão dramático (refletindo bem a dona dele). Mas sempre freio e nunca escrevo, porque hoje em dia sou dona da tal perspectiva e sei, que na verdade, em um universo de tempo muito pequeno, tudo vai se encaixar. Eu vou encaixar.

Eu já sabia que a gente se entende melhor fora de conversas internas. Por mais que a gente queira acreditar que nossas conversas internas e promessas próprias são cheias de utilidade e profundidade, é no outro que colocamos o peso real das coisas. Nada ecoam tanto quanto o dito em alto e bom som, e ainda mais, com receptor.

Mas é muito diferente saber e aplicar. E a gente vai fugindo também, né. Enfrentar o problema faz ele doer mais. Mas então, fui lá, sem intenção de atingir onde dói e cheguei, sem querer.

Coisas que estavam me incomodando e que eu ficava auto-ecoando, meio que escondida de mim mesma, sem razão de ser e sem ação, ficaram imediatamente mais claras ao falar com duas pessoas de longe. E o longe sempre parece mais seguro, porque não tem julgamento.

E nossa. Fez sentido.

Agora é só achar aquela motivação para agir e parar de fugir.

Porque vou te contar viu, melhor que realizadora, sou boa de fuga.