o grande mal que eu fiz foi a mim mesma

Em certos lugares eu me sinto a pessoa mais madura do universo, super bem resolvida e dominante da situação. Em outras eu me sinto bem pequenininha, insignificante, boba, inocente e até mesmo burra. E tem gente que me faz sentir assim, menor. Não que o façam por querer, mas que talvez eles sejam tão grandes naquilo tudo que eu um dia quero ser que eu fico parecendo uma meninota bobinha que não faz ideia de coisa nenhuma. Ideias poucos desenvolvidas, opiniões incompletas e empolgação excessiva com que talvez não seja nada demais para o resto todo. E ai quando eu digo minha idade e a pessoa diz “sério? Parece menos!” o que seria um elogio em tantos outros momentos é tipo um chute como se fosse equivalente a um “mas você é tão bestinha, tem certeza que é isso tudo?”. E eu sei que se pá nem é o que a pessoa sente, mas é o que eu projeto nele, porque né, eu sei que a realidade é essa. E eu sinto que a empatia não é tão grande e que você nunca me achou deliciosamente adorável. Porque eu sou adorável, tem quem o ache, te juro. E é incrível o tanto que eu me sinto mais segura nos ambientes onde eu sou adorável e tão adulta e madura e esclarecida e desenvolvida que eu sempre vou procurando esses lugares e gente que me faz sentir assim, para que eu veja todos do topo com meu pensamento “sou sábia, bobinho. Se você não percebe é que te falta evolução, não em mim”, que quando não tenho opção de vestir essa carapuça eu fico me sentido uma retardada.

Tipo hoje a noite. A noite em que todos na mesa de bar sabiam mais do que eu e tavam mais longe. Fica ai um desafio pra vida: saber me projetar bem e me sentir ok sobre como eu me senti quando tudo ao meu redor é melhor do que eu. Porque eu vivo num mundo (aka minha cabeça) que na maioria das vezes a melhor sou eu, nem que seja em um prêmio de consolação, tipo a unha mais bonita ou ter lidos mais livros do Machado de Assis.

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didn’t it cross your mind at all?

o grande debate mental da semana não foi a minha súbita mudança de personalidade comprovada nos posts abaixo. não foi também o fato de eu estar comendo feito uma louca sabendo que não, esse não é o caminho, alice. também não foi sobre meu rendimento pífio no trabalho essa semana, superado por um ontem incrível que me pôs em dia. a questão é se eu teria coragem de posar nua pra uma foto artística ou não.

tudo tem contexto, obviamente. não sou tipo físico ou psicológico de playboy e afins. não vou deixar ninguém tirar fotos minhas para depois do fim aparecer secretamente só pra me ferrar. é que o namorado da minha amiga tem um projetos de fotografia bacana no qual tira fotos reais de meninas normais (e algumas muito lindas), a luz natural, na casa dele e posta em um tumblr, uma foto só.

o cara é fotógrafo sério, desses até famosos e, veja bem isso, as fotos são lindas. tirando o fato da exposição excessiva, é uma foto só. minha primeira reação, para comigo mesma, foi um sonoro “não”. nunca faria, ora essa, posar pelada, pelo amor. não tenho corpo pra isso e ficar pelada na frente de um fotógrafo e sua assistente, posso não. mas daí eu fui pensando que a foto pode ficar bonita. e o cara é profissional, qqtem, e ele te dá álcool pra trabalhar essa desinibição que não vem naturalmente. daí que se fosse pra ser amanhã, eu tiraria sim.

porque nem tudo é firme, nem mesmo minhas decisões. :p

ps: sorte minha, nossa, sua, e dos meus pais que certamente não achariam essa a melhor das idéias, que eu teria que estar no rio para tal, então foi só um debate mental. :p

por causa de mim

após o último post eu passei longas horas exuberantemente auto centrada, lendo as 20 páginas de cada relatório sobre mim. depois de uma análise profunda dos meus próprios valores (oi teste capricho), acredito que da primeira vez eu estava em um momento de auto afirmação muito grande, por uma necessidade mesma de recolocação própria no mundo. estava revendo todo meu modelo mental de quem eu era e onde eu ia, então minhas respostas tenderam a exageradas e expunham limitações e traumas, como a necessidade de feedback positivo extremada (sim, sou carente no ambiente de trabalho) ou de me afirmar como uma pessoa muito genuinamente preocupada com os outros e super amiga. se o facet for de fato uma ciência exata, acho que sou mais a segunda mesmo.

mas é difícil imaginar que você responda coisas, sem ser por ações na hora h, sem que você mostre quem gostaria de ser, e não quem é. a nossa visão própria não necessariamente corresponde ao que somos, e nem mesmo nossas atitudes pensadas são equivalentes às reais.

e mesmo assim, não necessariamente o que demonstramos reflete o que sentimos. pareço excessivamente dramática de quando em muito, mas a realidade é que raramente corto os pulsos e fico realmente mal com as coisas. se fosse perguntar aos meus amigos, diriam que sou uma pessoa extra emotiva, mas a grande realidade é que só tenho esse dom de ser assim, reclamona (de fato meu coração é pedra – de gelo. é duro, mas vive derretendo e basta cair que quebra). :p

But because it’s real doesn’t mean it’s gonna work

estudos psicológicos das pessoas que acreditam que mais têm certeza em todo mundo indicam que as pessoas formam suas personalidades aos 7 anos de idade e depois tem uma ~reavaliação~ dessa personalidade aos 14 anos. tudo depois disso são meros ~ajustes~ à experiências fortes, mas que em tese não alteram, fundamentalmente, quem você é.

e foi com essa afirmação que fui, gradualmente entrando em pânico na noite de ontem ao constar que iria receber um teste de personalidade que se leva muito á sério e que iria comparar a minha eu de hoje com a minha eu de um ano atrás. pessoas normais diriam “um ano atrás, pf, mole para nós”. só que não. um ano atrás eu era FUNDAMENTALMENTE diferente do que sou hoje. eu estava em período de mudança, de formação de personalidade. meus 14 anos aparentemente ocorreram aos 26.

e daí era a certeza absoluta que a merda do facet ia vir com outra descrição, outros resultados… mas que segundo os altos estudos das pessoas que se levam muito a sério, isso não poderia ser. E AI, BIAL?! ME CONTA COMO EU LIDO?!

sim, eu estava certa. de “Alice é uma pessoa divertida e extrovertida com pontos de vista fortes, ainda que flexíveis e uma consideração genuína com outras pessoas. Perspicaz para atingir resultados, com senso de propósito e visão” para “Alice é uma pessoa (saca só a palavra usada) exuberante e extrovertida que aprecia fazer amizades e possui um interesse genuíno nas pessoas aliado a uma orientação focada, portem flexível, nos objetivos”.

fora minha perda de propósito e visão, e minha crescente, glup, exuberância, sérião… NÃO TE PARECE TUDO A MESMA PORRA?! só que eu tive números diferentes em todos os itens, tipo, minha determinação aumentou, minha energia diminuiu, minha afetividade idem e meu controle teve uma queda de 0.7 pontos. APLUSK, HELP. SOU UMA ABERRAÇÃO.

a professora lá, confiando grandemente nos resultados científicos de um teste no melhor “estilo capricho” no qual você marca a reação que você estava mais “propenso à”, disse que se tá diferente, só pode significar que num dos testes eu não fui eu mesma. E AGORA, MÃE?! EU MENTI? OS TESTES E AS PESSOAS CERTAS ESTÃO ERRADAS? EU EVOLUÍ? EU RETROCEDI? SERÁ MINHA EXUBERÂNCIA UMA FRAUDE?!

aguardem as cenas do próximo capítulo enquanto eu decido que raios eu sou. só tenho uma certeza: AS ESTATÍSTICAS NÃO CONTAVAM COM EU REFAZER ESSE MALDITO CARO TESTE EM UM PERÍODO TÃO CURTO DE TEMPO!

ps: professora refez o teste em um período de 3 anos e seus resultados foram idênticos um ou outro. sei lá. vai que tem gente mais constante.

E os que viverem saberão

o namorado da minha mãe tem um filho de 16 anos que, ao nascer, sofreu de paralisa cerebral e isso gerou conseqüências graves e eternas para a vida dele. o pedro não anda, não fala, não reconhece as pessoas, não se alimenta sozinho e passa a vida entre a cama e a cadeira de rodas, cujo o destino ele é incapaz de guiar ou sequer escolher. fica doente com freqüência, pois tem a saúde frágil. mas tá aí, há 16 anos.

obviamente, os pais e o irmão do pedro são loucos por ele. nunca seriam capazes de dizer que desejam sua morte, porque amam aquele ser que tanto demanda cuidado.

uma criança anencéfala ainda tem menos que o pedro: tem um prognóstico de vida muito menor. e um desenvolvimento bem mais comprometido. e imagina o peso para os pais de gerar uma criança, por tantos meses, sabendo que ele tem tantas limitações quanto à sua existência? e daí ter que parir a criança, registrá-la, acompanhar aquela existência limitada e todo o sofrimento envolvido, e depois ter que registrar o óbito e enterrar aquela criança? não que decidir abortar um filho gerado dentro de você seja um caminho fácil, mas que de fato é de menor sofrimento.

meus tios perderam trigêmeos, os três nascidos vivos e sobreviventes por 3, 4 horas. foram registrados e… enterrados. a dor daquilo, do fato, é 100 vezes maior do que da simples perda via aborto. porque quando existe nome e resíduo factual daquilo, a memória é mais forte. e ai vem alguém, incapaz de mesurar essa dor, que como tantas outras só entende quem sente (e eu sou ignorante no assunto, porque passo quilômetros de qualquer coisa semelhante) dizer que o sofrimento e a morte são inerentes à situação e que a vida, apesar de ser sub-vida, devem ser mantidos…

me assusta de um tanto infinito imaginar que sou rodeada por gente assim. gente que põe a vida de uma criança que não terá qualquer consciência de sua própria existência sobre a vida e sobrevivência mental da mãe, pessoa formada. gente que cospe e arrota o conservadorismo católico agora, mas vive numa hipocrisia constante em preceitos muito mais básicos que permeiam a religião. é igual a farah, minha amiga libanesa, fala de alguns muçulmanos “não comem presunto, são contra a afirmação feminina mas tão ai, todo dia, deixando de rezar cinco vezes ao dia e fazendo sexo antes e fora do casamento”.

fica ai, ao menos, o consolo da decisão tomada hoje no stf (que como as algumas recentes tanto têm me feito ter esperança na evolução do pensamento para aquele além do conservador hipócrita machista cristão – a união estável entre pessoas do mesmo sexo e a pesquisa com células tronco), fazendo ser de fórum íntimo da mulher, e não do estado, a escolha entre seguir ou não com uma gravidez de risco e com final trágico anunciado. e dai cada um cuida de si. às vezes o libertarismo faz um sentido gigantesco.

me apego à frase do ayres de britto ao peluso “(você) acha que nascemos para morrer. eu acho que nascemos para viver”.

ps: o tanto que eu ligo e me afeto com essas decisões de tendência humanistas do stf comprovam influência jurídica que eu tanto nego, mas que enfim, filha de dois advogados e irmã de uma terceira, infelizmente sempre me pega.

ps2: eu e a minha mania de ser extremamente passional com tudo aquilo que me interessa!

too high, cant´come down

meu mais novo ambiente de convívio é master formal. na pós graduação em uma conceituada de negócios sobra salto alto, engenheiro e gente que eu olho bem e penso “porran, jamais cometeria”. a moça do meu lado (porque os lugares são fixos por matéria, socorro) tem a voz anasalada e um jeito muito chato. mas eis que naquele dom divino da vida, a pessoa que eu mais converso é a que tem, no fim das contas, mais a ver comigo. de 42 pessoas (42 pessoas, 2 turmas, 6 entradas por ano e 20 mil reais por pessoa, oi TE DOU 10 FUCKING MILHÕES DE REAIS, CONCEITUADA ESCOLA DE NEGÓCIOS?), a única de quem eu me lembro o nome agora escuta as músicas que eu escuto e vai nos lugares que eu vou. OH MY DEAR, BH. logo percebi que quando ela disse que a coisa que ela mais gostava e fazia era ir em shows, minha vontade foi gritar “EU TBM AMIGÃAAA”, mas eu sou tão chata ali (o que dá uma chance aos outros de não serem tão chatos, de fato, e aquilo serem máscaras) que minha lista esquecia de vida social e só tinha trabalho e objetivos maiores.

vale dizer que dos cerca de 40 coleguinhas de sala eu já falei com o total de seis, que são os componentes do meu grupo de debates. EIKE PRIMOR DE SOCIABILIZAÇÃO. e de todo resto flerto com a antipatia ou a quase indiferença.

mentira, né. que tem um cara muito bonito que se senta no lugar oposto ao meu, o que significa que naquela sala organizada de forma circular (sim, mesas em círculo, favorecendo democraticamente o debate, como uma moderna conceituada escola de negócios que se leva muito a sério deve ser para mostrar que eles e metodologias modernas são muito bests) eu fico de cara pra ele e vice-versa. não sei se ele me olha, se eu sou obrigada a olhar pra ele e como gosto do que vejo, presto atenção, mas ele tem sido o ponto divertido das 4 horas e meia de aula dos últimos dias.

daí eu saquei, pensando aqui comigo, que também não sei o nome dele. e que se eu sei o da menina lá é porque ela parece comigo.e deixa eu te contar que na mesa de cada pessoa tem o nome, enorme, para todos lerem. olho tanto pra ele e não sei o nome.

tive que constatar o óbvio: EU SOU TÃO EGÓLOTRA, QUE MEDO DISSO.