Não espera muito dele.

buscando um email entre zilhões na caixa de entrada, apareceram na busca apenas 4 opções, sendo uma delas o email que eu queria. só que um deles era pessoal, o que me pareceu muito bizarro, já que os termos eram “empreendedorismo, oportunidades”, acabando por chamar minha atenção mais do que o objetivo da pesquisa.

eram só umas 15 linhas com muita enrolação, mas o final dizia

“ser sempre o idiota que vive a vida sem maiores preocupações mas não se arrisca a coisa nenhuma em relacionamentos esperando por uma pessoa que pode ser que nem a existência dele note mais”.

tava ali, sabe. tudo que eu passei depois tava ali, bem no início. não me lembrava de jamais ter lido nada daquilo, mas provavelmente eu peguei as 13 linhas iniciais, nas quais ele falava do tanto que gostava de mim e do tanto que eu era importante, abracei, fiz virar amor e ignorei a final, que tinha um enfático “só que não”.

ignorei que no final ele dizia que “não se arrisca a coisa nenhuma”, se referindo diretamente a nós, e provavelmente até peguei aquilo como desafio. e fica essa história básica de ler as coisas como a gente quer e não como elas são. tivesse sido eu esperta, morria bahia ali e eu me era poupado 1 ano em que eu, em ataques masoquistas ad eternum, corria atrás de quem, desde início, dizia que por mais que se importasse, não era eu o foco.

por uma vida em que a gente leia mais as linhas e tente imaginar menos as entrelinhas.

(adoro escrever entrelinhas porque sempre vejo na palavra estrelinhas).

I don´t know if that was what you dreamt

Com a divulgação da remuneração dos servidores, pinta aquela curiosidade básica de saber como estão os coleguinhas que passaram em concurso público federal – maior parte do MRE. Sei que ganham muito bem, obviamente, porque meu salário não é ¼ do inicial deles. Ai vou lá e coloco nome do coleguinha x.
Coleguinha x ganha 17 mil reais.

DEZESSETE MIL REAIS.

E ele tem 3 anos de MRE.
Estou reavaliando minha vida.

Boa sorte nas suas escolhas

tenho posse sobre poucas coisas, mas se tem algo que considero meu, é a frase título do post. nunca tinha escutado antes do que quando foi dita tão e somente para mim. mas aconteceu que, depois de eu ouvi-la, ter entrado em um taxi com muitas amigas bêbadas e então a frase encontrou a eternidade. e desse momento em diante, ouço a frase sempre.

~~~~~~pode-se facilmente reparar que eu e meu círculo de amizades temos certa dificuldades de manter certos fatos como segredos. o que é meio triste, sinceramente.~~~~~~

assim, como uma frequência muito acima da que eu gostaria, encontro semi-conhecidos usando minha frase por ai. e quase sempre errado (seja na forma ou na própria utilização – um dom que só semi conhecidos possuem, distorcer tudo). a coisa só piora porque, num momento em que eu estava quase fora do meu corpo de tão bêbada, ter enviado (brigando!) pra uma amiga que estava com outra e pronto. mais adeptos desenfreados (mas isso faz mais de um ano, ninguém a usa mais pra me provocar). a frase é muito forte, mas ninguém parece saber que seja. desejar sorte nas escolhas de alguém como despedida diz claramente que você se retira da vida dela, ali. ou ao menos, aquele foi o sentido dado.

o contexto da frase original tinha toda uma certa agressividade latente. eu estava indo para os eua, nos altos de 2007, e em um momento muito delicado com o amigo em questão. além de todo um passado que deixava aquela relação frágil, ele não concordava como minhas novas amizades – que hoje são constantes, mas que confesso que no momento estavam exercendo níveis altíssimos de babaquice (nada como ter 21 anos). hoje ele casou, mudou pro nordeste e eu estou aqui, mas seguimos tendo carinho um pelo outro, embora a distância criada desde aquele momento, seja fixa.

tive momentos de muito boa sorte nas minhas escolhas, devo dizer. e momentos ridículos. a segunda utilização da frase – quando foi proferida por mim, e não recebida – foi um desses momento ridículos. mas a ação que me levou a tomar provavelmente hoje me causaria o mesmo tipo de ressentimento, então, bêbada e com raiva estivesse, faria de novo.

adoro repetir, para eu acreditar e pra quem mais que queira ouvir, que vivo a vida que escolhi, não a que me aconteceu. acredito estar feliz com o outcome parcial. talvez o conselho/desejo do amigo bravo tenha sido só parte de um caminho longo, que passou pela lapa naquele beco sujo, mas que ficou como ponto divisório.

afinal, desde então, só estou aqui tentando ter um pouco de boa sorte nas minhas escolhas.

Parece uma grande bobagem mas é o que eu sinto quando…

Eu tenho uma camisa escrito… “Drama Queen”, que foi presente de uma amiga honrando meu jeito simpático (ou não) e amável (nem tanto) de dramatizar minha vida. O problema de ter uma característica generalizada como essa, é que bem, generaliza-se muito sobre mim. Vivem pegando algo que de fato, é sério, e mandando um “para de drama”. Cara, mesmo que fosse drama infundado, paro porra nenhuma. E quando tem fundamento, véi. Drama é uma maneira de lidar com conflitos. Ninguém faz drama porque é charmoso, o drama sempre existe pra apontar algo que de fato, incomoda. E além do mais, assim soy yo, assim você me ama (apesar de odiar gente que mete uma “mas eu sou assim” como fazer x e não y fosse traço imutável do ser).

Meus dramas têm regras, apesar de tudo. Raramente faço drama de algo muito sério, apesar de dramatizar tudo. Mas quando a coisa é séria mesmo, quando o ressentimento, dor, trauma, whatever, são reais, não tem drama. Quando tem drama, bom. Alguma coisa eu quero. Seja reconhecimento, seja um pedido de desculpas. Seja até mesmo pena. Talvez eu esteja te manipulando, mas você nem vai saber – aaaaanos de prática. Meu drama não vem com agressividade. Só se for passivo-agressiva. E se tem algo passivo, repito, tem algo sério ali no meio. Meu drama raramente empaca os outros, a clássica “deixe-me para trás, vão sem mim”, existe de vez em muito. E principalmente, meu drama não me ofende. Chamar de dramática não me afeta, não gera acessos, não piora a situação. Eu sei que sou.

Só que nem sempre a medida clássica “pega tudo que a Alice conta e divide por três” funciona tão bem. Às vezes é por quatro. E tem vez que é a medida correta. Mas aventura não faz mal, não é mesmo? Sem dúvida nenhuma o mundo com a minha narração tende a ser mais emocionante.

De una vez, de una buena vez?

mantendo a vibe dos posters motivacionais – eu e a prática ambulante do clichê* – eis-lo aqui novamente. acho até que essa frase é pretensiosa, porque a coisa tá mais “aprenda a confiar no processo”, já tendo passado pela fase “aceitar o processo”, objetivando, em fim, um dia, no tal do “amar o processo”.

a lalá me dizia, há uns 2 anos, que ela tava “esperando x do universo”. eu ficava absolutamente ultrajada com tal afirmação. mas com o é que pode alguém esperar as coisas acontecerem? eu, pelo menos, funciono na inércia total. ou nada acontece, ou eu faço tudo. mas acho que isso que a lalá dizia era parte do “processo”. as coisas de fato vêm quando elas tem que vir. não adianta sofrer, chiar, quase morrer, comer quilos de chocolate, falar a respeito o dia inteiro, não dormir, berrar. vai acontecer tudo em seu tempo.

taí um conselho vazio que eu aprendi a valorizar (e replico, pra ódio alheio).

tô aqui confiando no processo. e as coisas boas seguem vindo. às vezes nem tanto, mas no geral, preeetty good.

ps: parte boa da pegada positiva é que aquelas coisas imbecis que acontecem que poderiam destruir o seu dia não importam tanto. tipo às 10 da manhã esbarrar um quadro com uma ponta afiada, reparar que sua calça agarrou e puxar e tchum, eis um rasgo na bunda. assim, na primeira semana de trabalho novo. ai você vai lá, tira da bolsa a blusa de frio e amarra na cintura. e o dia te premia com um sol lindo. (e você toda gata de blusa amarrada na cintura evitando a exposição do corpo).

ps2: tô com um papo muito hippie hipster tilelê ai que preguiça de mim. daqui a pouco começo a falar de energia positiva e zzzzzzzzzzzzzzzzzzzz

ps3:só não dá para ficar esperando o “começo”. para um processo existir, ele precisa de entradas. e ai depende SIM de você (dica auto ajuda do dia)

* uma das bandas que eu mais peguei amor nos últimos tempos até tem um versinho pra aceitar esse monte ambulante de clichê:

“Não quero que você carregue
Nenhum peso pelo medo de gostar
Às vezes de um clichê”

as flores que eu tenho plantado

mamãe virou pra mim, depois de breve descrição de como meu dia tinha sido FANTASTIC e me perguntou se isso não era serviço de assistente social. eu tentei explicar que pra assistente sociais fazerem – sendo que nem são elas que vão fazer – tem que alguém desenhar o projeto, e é ai que eu entro.

eu não sei se a senhora minha mãe se lembra – mas o mais provável é que sim, já que ela ajudou a pagar – mas eu faço uma pós graduação em gestão de projetos. daí mandei pra ela um videozinho desses que se tornaram viral no facebook (“all play and all love”), dando a dica que sou dessa geração que “ama o que faz” e quer “transformar o mundo”.

do clichê total que sou, devo dizer que devo ser uma das poucas pessoas que tenta live the dream. tem gente que quer mudar o mundo sendo diplomata, tem gente que acha que vai fazer isso por meio do direito, tem gente que é arquiteto e quer transformar as coisas. eu só quero impactar o máximo de pessoas possível fazendo o meu melhor possível. e não quero transmitir nenhum ideal, nem inovação, nem coisa modernete (embora flerte com isso tudo). mas eu só quero me mostrar que importo. eu só sou essa pessoa que se importa.

lá na pós galere trabalha com construção civil, logística, mineração, ti, telecomunicações etc etc etc. provavelmente eles vão ficar ricos, e eu não. mas no final de cada dia eu vou ter certeza que me importei e que fiz algo de positivo, o que pretty much compensa todo o resto ruim da vida. eu acho.

eu tenho até um plano de carreira, com algo bonito lá no topo. é algo pra lutar. quero um dia, quando eu for master experiente, conseguir juntar RI com gestão de projetos sociais. Um projeto de algum órgão da ONU e ai sim, empoderar milhares de pessoas. e ser tudo aquilo que eu posso ser.

óun. essa sou eu, do inferno total para estar em lua de mel com a minha carreira em coisa de menos de um mês.
adoro essa vida nada constante. é muita aventura, brasil.

Can’t we find something else to pretend?

Fui na cozinha do trabalho novo e não sabia onde pegar água. Pra não parecer que era viagem perdida, peguei um pouco de café. Isso foi ontem. Se você está se questionando porque eu não perguntei para as pessoas onde pegar a água, entenda que isso não era opção. A cozinha tava lotada de jovens aprendizes e adolescentes em conjunto me deixam com medo.

Bebi o café e nem doeu. Eu que não sou pessoa que bebe café, compreenda-me bem. Não bebo porque não gosto, porque não sinto vontade e porque sou daquela parte da geração que não bebe café, não fuma e nem fode (bo-ring). E que se toma café, ele é a parte menor da porção (proporção do meu café com leite: 7/8 de leite). Mas daí ontem considerei, talvez, beber café. Ia virar essas pessoas que durante o trabalho fica parando pra tomar um cafézinho e bater aquele papinho. E que na pós toma café no intervalo. Café sendo ação social, assim como o cigarro. Quem nunca fez amigos no fumódromo? Eu não.

Mas ai hoje olhei pros lados, vi com quem eu trabalhava, quem eu era e a minha vontade de me envolver e decidi que não. Não ia ter café. Não é dia de café. Não é vida de café.

É trocar café por qualquer outra coisa e entender porque quase sempre eu decido pelo não.

Leva pra você, já me cansei de olhar.

eu fico no tumblr reblogando posts motivacionais, porque vai que cola?

vai que eu me inspiro e acho numa imagem cheia de palavras aquela motivação extra que me impede de continuar o regime, de ser mais empenhada no trabalho, de ser mais sociável, de viajar mais, de ser mais livre, de me permitir mais, de dizer mais sim do que não.

ou não.

(por uma vida mais interessante que esse monte de blá blá nesse blog)

só acredito

semana passada, há exatos 7 dias, eu estava no hospital recebendo umas injeções e vivenciando o que alívio de verdade é. depois de muitas mais horas do que o necessário de dor aguda e constante, finalmente ela passava.

enquanto eu chorava de dor (aquele choro não histérico, pra todo mundo ver que você tá sofrendo, mas o choro que é sozinho e dolorido mesmo), antes disso, eu cheguei a pensar que não me importaria em morrer se isso significasse uma vida livre daquela dor. sou potencialmente uma suicida em caso de dor aguda crônica. e eu pensar me morte de uma maneira em que ela vem de maneira benéfica, olha, é grande.

porque eu sou do tipo que levanta da cama em um suspiro meio gritado quando, na cama, no escuro, me vem na mente que um dia eu vou morrer não vai ter mais nada depois disso, nem daquilo, nem de sonho e nem de plano. dessas sensações que sufocam e deixam aperto e respirar fica difícil. ou então fico muito aflita em uma reflexão de que um dia desses qualquer uma das pessoas que são minha vida podem morrer e ai nunca mais. e eu vivo abraçando meu cachorro do nada só porque ela tá velhinha e eu quero ter certeza que a amei o suficiente durante a vida.

é incrível constatar que o pior dos mundos pode ser alívio quando comparado à algo que é tão intangível que é inimaginável. tipo imaginar que se tiver doendo muito, melhor seria morrer do que sonhar.

daí eu senti um alívio tremendo também quando na quarta-feira, meio dia e coisa, o telefone tocou e a moça que me entrevistou apenas dois dias antes disse “mas mesmo assim eu já tinha me decidido por você”. tudo que vem antes do mas não importa muito, só que existiu para eu achar que ao invés do sim vinha um não, o que na verdade, só aumentou o alívio. tipo ouvir barulho de água quando você quer muito fazer xixi, completamente desnecessário, absolutamente agravante da situação, mas que passa a inexistir de importância no alívio.

o não, na verdade, já estava decidido por mim que não viria com um sofrimento muito grande. mas ele me levaria a uma extensão da crise profissional -e emocional, se você se lembrar que eu tive um caso de dor aguda no rosto causada por… estresse – e ai só Deus sabe o que aconteceria. o primeiro reflexo de tudo é que eu parei de comer. e só eu sei como isso é incrível. e depois veio a segunda coisa positiva, que foi ver paz.

não ter, mas ver. porque eu prefiro acreditar que é possível.

(tenho apenas 5 anos de formada e já passei por 3 crises profissionais. ó céus)