só acredito

semana passada, há exatos 7 dias, eu estava no hospital recebendo umas injeções e vivenciando o que alívio de verdade é. depois de muitas mais horas do que o necessário de dor aguda e constante, finalmente ela passava.

enquanto eu chorava de dor (aquele choro não histérico, pra todo mundo ver que você tá sofrendo, mas o choro que é sozinho e dolorido mesmo), antes disso, eu cheguei a pensar que não me importaria em morrer se isso significasse uma vida livre daquela dor. sou potencialmente uma suicida em caso de dor aguda crônica. e eu pensar me morte de uma maneira em que ela vem de maneira benéfica, olha, é grande.

porque eu sou do tipo que levanta da cama em um suspiro meio gritado quando, na cama, no escuro, me vem na mente que um dia eu vou morrer não vai ter mais nada depois disso, nem daquilo, nem de sonho e nem de plano. dessas sensações que sufocam e deixam aperto e respirar fica difícil. ou então fico muito aflita em uma reflexão de que um dia desses qualquer uma das pessoas que são minha vida podem morrer e ai nunca mais. e eu vivo abraçando meu cachorro do nada só porque ela tá velhinha e eu quero ter certeza que a amei o suficiente durante a vida.

é incrível constatar que o pior dos mundos pode ser alívio quando comparado à algo que é tão intangível que é inimaginável. tipo imaginar que se tiver doendo muito, melhor seria morrer do que sonhar.

daí eu senti um alívio tremendo também quando na quarta-feira, meio dia e coisa, o telefone tocou e a moça que me entrevistou apenas dois dias antes disse “mas mesmo assim eu já tinha me decidido por você”. tudo que vem antes do mas não importa muito, só que existiu para eu achar que ao invés do sim vinha um não, o que na verdade, só aumentou o alívio. tipo ouvir barulho de água quando você quer muito fazer xixi, completamente desnecessário, absolutamente agravante da situação, mas que passa a inexistir de importância no alívio.

o não, na verdade, já estava decidido por mim que não viria com um sofrimento muito grande. mas ele me levaria a uma extensão da crise profissional -e emocional, se você se lembrar que eu tive um caso de dor aguda no rosto causada por… estresse – e ai só Deus sabe o que aconteceria. o primeiro reflexo de tudo é que eu parei de comer. e só eu sei como isso é incrível. e depois veio a segunda coisa positiva, que foi ver paz.

não ter, mas ver. porque eu prefiro acreditar que é possível.

(tenho apenas 5 anos de formada e já passei por 3 crises profissionais. ó céus)

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