It isn’t funny anyway

Começou com o debate no STF dos anencéfalos, embora eu já soubesse. Eram os que discordam do direto de posse da mulher sobre o próprio corpo.  Uns dias depois, ouvi um comentário idiotinha homofóbico e respondi com um “você realmente acha isso ou está falando para efeitos de discórdia?”, ouvindo como resposta a triste constatação de “sim, acredito nisso”. E hoje tá lá de novo, discutindo um suposto “erro” de educação parental em um pai permitir que o filho use saia e incentivá-lo usando também.

Eles existem: são as pessoas da mesma geração que eu que são conservadores.

Ser conservador não chega nem perto da defesa da moral e dos bons costumes. A moral, por ser da sociedade, se modifica, assim como a mesma. Posso ser moralista aceitando, e até mesmo praticando, o que 100 anos atrás era impossível fazer a vista dos olhos públicos.

Lembrando que até meados do século passado, nos EUA, era proibindo casamentos entre pessoas de cores diferentes. Que houve um tempo em que mulher não votava. E teve um tempo também que não existia divórcio e as mulheres “desquitadas” eram praticamente párias da sociedade.

Os conservadores atuais são terríveis. Defendendo preceitos de comportamento em sociedade que regulam com os praticados pelos seus avós, acabam cometendo grandes preconceitos e generalizações, como todo conservadorismo tende.

E o medo é só a constatação: devem existir muitos mais que eu desconheça. No meu dia a dia eles devem estar, só que eu sempre dei sorte de não escutar. Eles existem: gente de vinte e poucos tantos anos, homofóbicas, misógenas, sexistas e preconceituosas. Normalmente se baseando em  visões religiosas. Às vezes não. Tão lá no meu facebook, fazem parte da minha vida, já freqüentei suas casas.

Gente.

Essa coisa esquisita de ficar em cima do muro

Uma vez uma amiga me disse assim “você vai reclamar de algo que te faz tão bem?”. Provavelmente já usei essa citação por aqui, porque vira e volta ela ecoa na minha vida. Volta e meia eu me pergunto a mesma coisa. A gente deve questionar as coisas que nos fazem bem?

Na época em questão, eu era mega hiper ultra apaixonada por uma pessoa e finalmente tava conseguindo me afastar um pouquinho daquele que tanto me fazia sofrer. Mas daí veio, de novo, essa pessoa, naquele dom filho da puta dos caras que nunca te deixam sair deles, e voltou com tudo. Me ligava todo dia, tava sempre lá, constante. Ia eu reclamar, negar, evitar, de algo que, naquele momento, era tudo que eu mais queria? Não ia. Deixei vir com tudo. Parei de resistir. Desarmei a defesa. Como tudo que acontece quando você está apaixonada, você pega aquilo ali, toma como amor e supera as dores todas. O amor é das coisas mais inconseqüentes do mundo todo. Não há racionalidade que alcance.

Mas hoje eu diria não. Nem é por saber que meses depois meu coração – pobre coração –ia ser maltratadíssimo, várias lágrimas e dias de sofrimento que não tinha presença no passado que faria tanto coração partido valer a pena. É porque eu virei extremamente analítica. Eu simplesmente teria preguiça de passar por toda essa sensação de estar completamente entregue a alguém sem ter certeza de coisa alguma.

Essa mudança de modo de ser me deixou bem sem graça. Não vejo mais amor onde não tem. Não vejo nem mais o amor onde pode ter. A grande verdade é que tenho preguiça. Preguiça de me esforçar.  E tenho, também, temor de passar por todo desgaste emocional de novo.  Esses posts abaixo todos sobre garotos foram tentativas de disfarçar o muito monotemática sou e o blog só reflete a chatice das coisas. Sim, penso, como e durmo minha vida profissional.  Só compete com isso o Atlético, que assim como o faz no Brasileiro, lidera meu coração. No meu twitter e facebook eu fico evitando postar tanto sobre o Galo para disfarçar que passa algo a mais na minha cabeça. E aqui evitei falar, mais, do meu trabalho.

O grande lance é: tô aqui fingindo ser a idiota que eu já fui. Sinto falta dela. VOLTA, ALICE.

Não são mais tempos de sonhadores.

Buscar algum sentido pro que não tá tão legal

Não ando muito satisfeita comigo. Parece que eu só funciono  “completamente obcecada” com um campo específico da minha vida enquanto todo o resto caí por terra. Falta de equilíbrio total e completo. Mas não se muda um modelo mental da noite pro dia, então tô tentando ser realista.

Esse 2012 tem sido muito focado em trabalho e estudos. Sou super presente nas aulas, tenho notas ótimas e me dedico completa em tudo que posso da pós. No trabalho, mesmo que aos trancos e barrancos, mantenho o foco no meu objetivo e venho conquistando tudo o que quis. Isso só significa que o resto todo tá abaixo no nível de prioridade. Inclusive eu mesma.

Com base nessa insatisfação, tracei metas que significam uma tentativa de realinhar prioridades. Obviamente, como toda autopromessa, a chance de cumprir por mais de uma semana é baixíssima. Mas vale a intenção.

– Me maquiar ao menos uma vez por semanas sem ser por fins sociais: tipo ir pro trabalho arrumadinha ou até mesmo só para a pós, caso seja muito difícil acordar e ter que passar rimel no olho (nossa, muito esforço).

– Ter vida social ao menos uma vez por semana. Num esforço pessoal de, não tendo programas, criar. E tendo-os, comparecer sem ser por motivos de: “nossa, mas eu tô cansada demais, sem vontade de me arrumar e sem ânimo pra ver gente.

– Me esforçar para manter contato com as pessoas. Quem me conhece, sabe. Sou péssima em atender telefone, responder sms. Sou mil vezes melhor online, mas ainda assim peco com os amigos que não estão dentro do ciclo de prioridade no momento.

– Ser melhor com meus pais. Tipo, de verdade, aproveitar a relação.

– Fazer exercício 3 vezes por semana. Serei sincera que, dado meu ritmo de estudos e trabalho atual, é completamente impossível, somada à minha falta de motivação, freqüentar uma aula de qualquer coisa. Mas dá pra fazer bicicleta enquanto assisto ao futebol nosso de 2x por semana. E não mata ninguém fazer exercício depois das 11 da noite, né?

 

 

Talvez com sorte algo invisível apareça

No primeiro dia ele se sentou ao meu lado. E eu fiquei meio feliz, porque assim que ele passou pela porta, torci para aquilo. Durante a apresentação falamos e rimos. Mas depois se sentou uma outra do lado dele e eles falaram e riram mais e eu desencanei. Tão irrelevante que é do tipo de coisa que não se conta pra ninguém, nem mesmo para si mesma para gravar na memória.

Depois a gente se trombrou, irrelevantemente e principalmente sem importância. Mas finalmente caímos nas mesmas turmas e, procê ver como são as coisas, um dia a plaquinha dele tava do lado da minha, ali, por puro destino ou mera coincidência. Tava muito cool, muito descolada, muito aplicada e completamente nem ligando pra ele. O charme mora quando você não liga. Ou pelo menos comigo funciona bem assim.

Na aula seguinte, ele tava longe. Mas me olhava. Essa vida de auto-estima baixa e total noção das coisas faz com que eu negue essas coisas. É aquela auto-sabotagem diária básica “ele ta olhando pro relógio na parede aqui atrás ou é pra mim mesmo?”, seguida de uma cutucada “véi, mas cê tá comendo tanto que se alguém estiver olhando pra você é pra remeter a um quadro do Botero”.

Só que ele tava. Daí decorei o nome dele e fui procurar no facebook, processo normal, ainda mais sendo eu. Fácil de achar pelo sobrenome diferente.  Tudo fechado. Nem foto de rosto tem. Pronto. Eis o mistério ai. De súbito preciso saber tudo.

Depois teve prova. Ele chegou atrasado. Mas vi bem quando entrou na sala. Tinha vários lugares vagos ao longo da sala. Ele vem sentar atrás de mim. Pode ser nada, pode ser tudo, mas decidi que era sinal e naquele dia mesmo, depois de contar essa história boba para umas 3 amigas, adicionei.

E te juro. Minha vida é tão uneventful que a história termina ai.

I will light up when you call my name

“Bonitinha, o que é seu tá guardado”, me diz numa frase meio consolo/meio motivação, quem acha que a ordem das coisas tá inversa e entende a minha dor, mas que assim como eu não, não pode mudar nada. Mas tá tudo mais fácil, tudo muito mais tranquilo. Escolhi não sofrer, e escolhi, também, não me envolver. Tudo é ótimo quando a gente põe as expectativas no chão. NO FEELINGS, NO PAIN.

Se tá guardado na área profissionalmente, tô esperando o prêmio bonito da área sentimental. Se a postura for a mesma, tenho que passar a ignorar todos os caras da face da terra, nunca pensar a respeito, fazer o meu meu melhor para parecer bem no dia a dia e evitar paixonites e crushs idiotescas que todos nós sabemos que tem o “selo alice” de prática constante. O problema é o outcome. NO FEELINGS, NO PAIN, faz sentido aqui também, mas quem disse que aquele nó no estômago não é sensação boa?

Aguardo assim direcionamento divino quanto à conduta na área sentimental.

Att

Alice

It will be long

Terapia é um trem intenso, um trem que mexe. E que uma vez disposta a fazer o trem direito, é um trem que dá certo.
Mas tem todo o peso da intensidade, da mexida, e às vezes é simplesmente mais confortável optar por não. Agora  eu fico meio que me perguntando por que é que eu disse sim. Só que eu já aceitei, então já era.
E não tem nem o conforto da minha terapeuta de sempre, aquela que me sabe de trás pra frente e me viu chorar, e me viu sorrir, e, principalmente,  me deu alta –  logo, que tem esperança em mim. Daí é me explicar toda de novo e tentar fazer sentido – e nem é pra ouvinte, é para eu mesma.
Disso, têm-se então a dificuldade de todas as dores estarem expostas, mas não há muito a reclamar, já que eu concordei em estar lá. Eu mais que concordei. Eu disse que “a-do-ra-ria”. Então são tapas na cara e beliscões emocionais, esses choques de realidade que tanto resistimos a reconhecer, mas que a terapeuta, ó, não tem dó nenhuma da exposição sofrida da psiqué. São tempos difíceis para as emocionalmente confusas.
Pra piorar um pouquinho, o formato é específico. São 8 sessões de um tema da escolha. É continuação de um processo que eu comecei em janeiro. Em tese era para eu ser uma pessoa melhor já – mas na verdade eu até acho que seja.Voltando ao tema específico, são 8 sessões trabalhando um tema que eu escolhi e a partir disso, a meta de solucionar o problema. E a coach ainda é fodona, dessas que nem querendo você consegue entrar numa onda defensiva de “tudo balela”. MAS GENTE, PORQUE É QUE EU ACEITEI ESSA PORCARIA MESMO???
Estando lá (já que só tem tu, vai tu mesmo), me pareceu bem óbvio, no momento atual, o que eu queria trabalhar. Era profissional e extremamente ligado ao meu objetivo de vida. Simples. Queria só achar uma motivação interna para me afetar menos com questões que, normalmente, me deixam louca. Simples.
Só que ó, em uma sessão, em uma hora de skype, minha coach me desarmou.

Terminou dizendo que talvez se tratasse de um problema estrutural meu é que 8 sessões, muito provavelmente, não dariam conta. Claro que meu problema não era o que eu pensava. Não era profissional, gente. E era meu. Só meu. No caso, eu julgo demais os outros (nossa, novidade) e o peso do julgamento é o que eu exijo de mim. E a questão é que eu exijo demais de mim. Assim, precisaria, no caso, é de entrar em um processo terapêutico sem prazo de término. Desses que a gente conta da infância e corre o risco de terminar a sessão em prantos por algo que sua mãe fez com você quando tinha uns 3 anos de idade. O problema é meu. Sou eu quem faço tudo de errado, não os “pra mim fazer”.

O grande nó da questão toda, a parte que “OUTCH, COACH MALDITA, PRECISAVA FALAR TANTA VERDADE???” é que ela me fez contrastar o que prego no meu tema de estudo favorito e o que pratico no meu dia a dia. E ainda emendou com “mas você não é assim SEMPRE”?

Véi. SOU. Sou. Sou.

Mas ela mandou um “calma, gata, calma”. E ela disse “muitas vezes o que achamos que é fraqueza, na verdade é  força. Você só não usa da maneira correta”. E o que era um puta de um problema emocional, vira um lindo processo analítico com objetivos e metas bem traçadas – porque veja só, como todo bom processo de coaching, tenho um dever de casa pro mês que vem. Devo ser aberta. Devo me desarmar. Devo confiar no processo.
E ai me faltam 7 sessões tentando descobrir como ser menos eu e mais quem eu preciso ser. (mas já está avisado: talvez simplesmente eu não dê conta de desapegar tanto de… mim).

make something that no one else has*

Tenho seguido relativamente bem meu plano de não sofrer e simplesmente enfrentar o que vem. Incrível a capacidade humana – no caso, reconhecida em mim – de decidir ou não transformar em sofrimento o que é difícil, e assim piorar as coisas. Num depoimento quase único nesse blog, não sinta o drama!
Subitamente meus dias se tornaram mais tranqüilos e minhas noites melhor dormidas. E tenho tido a calma de fazer planos mais maduros e esperar, fazendo meu melhor, as coisas se encaixarem. É aquela parte de trabalhar duro para garantir que a sorte venha. Confiar no processo, coisa que prego e tão pouco pratico.
A decisão de não ir pelo caminho do drama, ou como pode também ser reconhecida, um momento de maturidade quase que único nesses meus 27 anos de idade, ocorreu por uma única frase. Enquanto narrava, dramaticamente, que minha vontade todos os dias era ir dormir chorando porque não via solução, ouvi um “Isso é os EUA de novo?”. Daí eu reparei que não podia sucumbir ao mesmo ciclo que vivi ali e resolvi reagir. São novos tempos.
~vamos nos permitir~
A única intranqüilidade que tenha tido é um medo súbito e terrível de tudo acabar. Acho que nunca pensei tanto em morte, nunca tive tanto medo de morrer. Não sei se é a idade – nossa muito velha- que está me assustando, ou o tanto de gente casando que ta me dando aflição, mas venho o tempo todo sendo atormentada. Me assusta a idade da minha cachorra, a idade do meu pai, a minha idade e o legado que vou deixar (sim, l-e-g-a-d-o). E essa coisa é meio sem fim. Medo de morrer impede a vida. Daí to tentando arranjar algo que me gere paz de espírito e alivie o coração e a mente atormentada. Aceito sugestões para parar de ser louca quando deito a cabeça no travesseiro. Por uma vida com mais “ai, ele é lindo” e menos com “e quando tudo acabar?”
ps: ridículo por o “amor” como contraponto à morte. Ou simplesmente me assumindo como a idiota que sou, obrigada.
Ps2: minhas frases começam com pronome, ME DEIXA.

If only songs were sung to guide the doubtful ones

Em janeiro, prometi escrever um dicionário de subpersonalidades. Até hoje o caderno contém apenas um item catalogado, que é a Mrs. Quitter, que no caso também sou eu. Antes que se assustem com meus indícios de personalidade múltipla, aviso que sou uma só, e que foram psicólogos e coaches muito dos bons que me orientaram nessa atividade. O dicionário é uma tentativa de auto-conhecimento, descobrindo aquelas partes de você que aparecem em determinados momentos, seja com freqüência ou não. Embora não esteja catalogada, é muito clara, por exemplo, minha personalidade “ the over-sharer”, que aparece o tempo todo. Daí se busca, com isso tudo, conseguir orquestrar tudo que te compõe, garantido que num momento complicado você não reaja de um jeito que te atrapalhe, mas mantenha a calma.

Sobre a Mrs. Quitter, a vontade dela aparecer é agora. Mrs. Quitter é a senhora coragem, sempre praticando a arte do desapego e ligando o foda-se. E olha, só eu sei o quanto invejo a Mrs. Quitter no dia-a-dia, mas ela só aparece quando tudo tá mal, para me proteger. Pode ser vista como uma personalidade de fuga, mas também é a personalidade que segue em frente.

Só que a Mrs. Quitter, salvadora da pátria, para mim, e causadora de todo mal, aos olhos da minha mãe (que mãe curte você largar as coisas?), agora vai contra minhas metas. Ela não enfrenta as coisas, mas devo reconhecer que é porque normalmente as coisas não tem solução óbvia. Ainda assim, optei por resistir. Optei por tentar evitar a super análise das coisas, o olhar crítico para os erros de português, o ego ferido pelas correções mínimas de quem erra tanto. Optei por simplesmente achar engraçado o obstáculo. E decidi, mais que tudo, que se eu sair, não vai ser pra recomeçar. Vai ser pra continuar porque algo melhor surgiu.

Então, Mrs. Quitter, fica ai quietinha.

A chug-a chug-a motion.

Tranquei meu twitter com medo de alguém ver meus posts e entender tudo errado (ou tudo certo demais). E da mesma maneira já me vi quase postando dezenas de coisas work related por aqui e freei porque, né,  virei dona de uma certa ética profissional atualmente (chamada medo das coisas aparecerem para as pessoas erradas). Mas isso tudo  é bem diferente do que já fui/fiz. Em outras épocas, só comecei esse blog porque queria contar por aqui o quanto sofria – e como sofri!- em terras gringoletes em mãos de pessoas loucas. E era cada coisa que me acontecia que me virava um post, porque era desabafo. Eu era nova demais, sozinha demais, longe de casa demais, e, na verdade, Mrs. Robinson era LOUCA demais.

Agora não tenho desculpas. Mas ficam as memórias.