“Um passarinho cantou tão triste e tão sozinho…”

Nunca me senti tão vazia e tão pequena (menor que em qualquer poema do Leminski) e tão sozinha quanto hoje.  Porque eu só queria, mesmo, era um colo só meu. E alguém que tivesse pena, pena mesmo, dó, piedade, só de mim. E que ficasse ali do meu lado cuidando só de mim. E pensando só em mim. Mas não tem. Não tem ninguém.

O pior de tudo é que eu sei o que eu estava fazendo ali, sozinha. Eu escolhi enfrentar aquilo até o fim. Toda a burocracia, todo o Estado que na verdade inibe a cidadania. Eu queria ser a cidadã modelo. Aquela que vence o sistema seguindo ele.  Eu queria alguma justiça, algo que encaixasse nessa merda de dia em que 30 minutos sua vida vira de ponta cabeça. Que levasse mil horas, mas eu queria algo, qualquer coisa, um nada, que enfim desse certo. Fiz, tudo. Tudo o que podia. E  sozinha.

E agora eu só queria estar aliviada.

Mas segue não tendo ninguém que vai pensar só em mim.  Nem mesmo eu.

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