The lights just tell: it’s all right

Não sei vocês, mas acredito piamente que decoração de natal em uma casa se assemelha muito à felicidade.

(ou pelo menos só existe quando a felicidade existe por lá)

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Goin’ faster than a roller coaster

– Zipzzrlslszzzzz (barulho irritante do cara do lado bebendo café sugando, e não dando goles feito gente normal – ok,ok, devia estar quente)

Respiro fundo.

– Zipzzrrrrlslszzzzz… zzzzipzzrlslszzzzz.

Vou mandar ele ir tomar esse café lá fora, penso. Ou então dar um tapa.

– Ziiipzzzzrlslszzzzzz.

Tampo os ouvidos, em sala de aula, fingindo que só estou apertando minha cabeça enquanto olho pra baixo.

E assim constatamos que eu to numa TPM daquelas.

Já: mandei um email xingando minha irmã, mandei mensagem xingando os outros pra amiga, chorei no banho, comi um pedaço de bolo que equivalia a uns 4 e respirei bem fundo, pra não fazer nada em ambiente público. Mas ó, chega perto demais não.

in time you need to learn

Prometi que não brigaria mais sem razão com ninguém. Não me desgastaria com discussões, além de poupar minhas relações da minha vontade de SEMPRE estar certa. Repetindo feito um mantra “a última palavra não precisa ser minha”.

Daí passei a simplesmente não discutir com ninguém, mesmo com razão. Ouvi o conflito árabe-palestino inteiro de uma visão que eu discordava absolutamente e quando eu ia começar com o discurso de “estado terrorista”, parei e pensei “que diferença faz no final das contas eu me dar ao trabalho, né não?”. Ouvi minha mãe falando coisas que me machucam. Ouvi caras sendo babacas. Ouvi amigas sendo ridículas. Ouvi gente falando mal do Atlético. E fiquei calada.

GENTE, NÃO BRIGUEI NEM POR CAUSA DE FUTEBOL.  NEM-COM-CRUZEIRENSE.

Nem pessoalmente, nem por telefone, nem por facebook, nem no twitter, nem por email. Não comprei briga de ninguém e não criei atritos, pelo menos não de forma consciente.

Obviamente me escaparam respostas atravessadas vez ou outra, mas foi controlável, não saiu daquilo.

Um mês depois, eu digo: EU VENCI.

Não me desgastei, não pensei demais a respeito, não fiz ninguém gostar menos de mim com meu jeito pouco cordial. E principalmente, me provei que posso viver uma vida sem brigar com ninguém.

Próxima meta: fazer isso de forma menos consciente do esforço de não mandar geral a merda. E rotular menos (desafio máster, o que é a vida sem xingar mentalmente alguém de “babaca”, ou “retrógado”, “misógino”, “conservadora”, “ignorante”,  “homofóbico”,“machista”, “jacu”, “passivo”, “hipócrita”, “burra”, “incoerente”, “impaciente”, “arrogante”, “autocentrada”, “egocêntrico”, “metida”, “egoísta”… )

But now that they´re older

Não seria absolutamente maravilhosa uma vida em cada uma cuida da sua? Não estou nem querendo uma vida sem  fofoca e nem de intriga, porque a vida há de ter graça.  Mas não seria incrível uma vida em que não de se exercesse o achar “certo e errado” na vida dos outros? Que elas só fizessem as coisas com seus pesos e medidas… dentro das próprias vidas e assim lidassem com suas próprias hipocrisias, ao invés de saírem disseminando-as por ai? Não seria foda uma vida em que as pessoas passassem mais tempo falando e discutindo a si mesmas do que de outras pessoas? E mais que isso, não seria fantástico que antes das pessoas julgarem, tentassem entender tudo aquilo da perspectiva de quem vive?? Em qual momento exatamente as pessoas se tornaram esses “adultos exemplares”, responsáveis e tão inseridos na sociedade exemplarmente, e começam a disseminar preconceitos e modelos corretos de vida? Quando foi que eles começaram a achar que entendiam o mundo sem nem sequer conseguir avaliar o que tem no espelho?

E o mais importante de tudo: tem como evitar que eu fique assim também quando eu “crescer”?

não é quando eu me arrisco

Hoje fui colocar uma correntinha – que nem de ouro é, mas é douradinha e linda –  no pescoço e fiquei com medo. Na mesma hora tirei.

A primeira vez que eu fui assaltada, eu estava em Buenos Aires a menos de 15 dias. Tinha ganho aquela máquina fotográfica há poucas semanas, justamente para fotografar o intercâmbio. Deviam faltar ainda todas as parcelas a serem pagas… mas isso não evitou que, em um boliche com música alta e muitos argentinos, pegassem minha câmera de dentro da bolsa – e a bolsa no meu ombro – sem que eu tivesse visto coisa alguma. Chorei desesperadamente, me senti mais pobre (perda de itens, por mais que não sejam seguidos da substituição dos mesmos, sempre me fazem sentir pobre) e a vida seguiu. Meu intercâmbio foi muitíssimo fotografado pela máquina do rommie, que depois também foi roubada (mas eu já tinha voltado pro Brasil). Aliás, todo mundo que eu conheci naqueles meus 6 meses porteños foram assaltados em algum ponto da viagem. Cuidado, meninos, BsAs é sim, perigoso.

Anos depois eu estava no Mc Donalds da Paulista. Bebadinha, um tanto quanto ainda apaixonadinha por um ser babaca e também com a companhia da Camilinha. Passaram e levaram a bolsa, nem vi. Ninguém viu. O detalhe é que eu estava, de novo, em uma cidade que não morava. E ai não levaram um item somente – inclusive levaram também uma máquina, de novo (obviamente nunca mais comprei nenhuma, porque essa era a terceira – a segunda tomou um banho de milk-shake relatado em algum post de 2007 desse blog). Levaram minha carteira, meus documentos, minha passagem de volta, minha dignidade e também o meu amor. Isso porque a reação de outrem foi tão broxante e inanimada que ó, amor acabou ali. E estar sem um centavo furado, e nem documentos, fora de BH não teve graça alguma.

A terceira vez que fui assaltada foi em BH, pra não dizer que onde moro não é perigosíssimo. Domingo, meio de feriado, eu e o semi-irmão. Saindo no meio da madrugada de um lugar e decidindo, equivocadamente, voltar pra casa a pé (afinal, não tava sozinha). Vieram dois e em um mundo que semi-irmão e pamonha são seres semelhantes, no final levaram minha lindíssima bolsa vermelha (também nunca resposta), 10 reais, meu cartão de débito, meu celular e o mais caro de tudo: a carteira de motorista. O celular eu tinha ganho numa promoção da globo.com (e o que vem fácil, vai fácil), mas a carteira de motorista, porra, R$ 53,00 pra renovar. O marmanjo ainda me jogou no chão (por algum motivo eu peço pra pivetes me deixarem ficar com meu chip, coisa que sempre, aparentemente, é recebido com alguma ação agressiva) e eu tive que ficar consolando meu semi-irmão, que pamonha que é, não foi assaltado mas ficou mais assustado que eu. Pamonha. (notal mental: semi irmão nunca pode achar esse blog?)

E a última foi agora. Tem pouco mais de um mês. Parece novela, parece tragédia, parece o pior dia possível, mas foi só minha vida mesmo. Ligaram avisando que papai tava na uti, eu estava na frente do prédio do trabalho esperando carona pro hospital quando veio um pivete e me pediu o telefone que tava na mão. Numa idiotice tremenda, pedi pra ele não levar o celular. Em algum lugar na minha cabeça ele ia ter pena do meu pai no hospital – e da minha necessidade de ser contactável num dia tão assustador – e me deixar escapar ilesa. Mas a disgrama do menino pulou em mim, me arranhou absolutamente toda – com unhas enormes UGH – me jogou no chão e foi pego por pedestres que bateram muito nele. Isso tudo com o celular ainda na minha mão. Não sei se valeu a pena. Ainda me dei ao trabalho de ficar hoooooras na delegacia, tentando ter controle de algo naquele dia. Precisava que aquele menino – mesmo sendo menor – fosse detido. Precisava que o crime na frente do trabalho virasse estatística e tivesse mais policiamento.  E isso me custou 5 horas dum dia em que meu pai estava internado na UTI. Pior dia da minha vida.

O plano atual é não ser assaltada/roubada/furtada nunca mais. Hei de cumprir. Quer dizer, desde que ladrões o permitam.

Você não precisa saber de mim

O quanto o que a sua mãe pensa de você impacta na sua vida? Não é nem psicologicamente, é no dia a dia mesmo. O quanto faz diferença? Faz diferença que ela sinta orgulho, pena, desespero, alegria? Porque na minha vida sempre fez.

Eu tirava nota ruim e pensava “ai, minha mãe”. Importava desse tanto. Não era por mim, era por ela.

Mas ai, ontem minha mãe claramente disse que acredita que minha vida seja “assim” porque foi “o que sobrou”. Essas muitas linhas gastas aqui com valores e escolhas, a terapia, o coaching, as horas planejamendo, pra vejam só, ficar com “o que sobrou”.

Nessa altura do campeonato, o que a minha mãe acha não me importa muito, porque é por mim, não por ela. Obviamente eu fico irritadíssima, principalmente por ela considerar menos de mim do que sou.  Eu podia tentar explicar, podia, mais uma vez, contar que eu tenho um plano e é isso que eu quero agora. Mas é uma pena, porque não vale a pena.  Ai eu tento achar um eu-centrado que repete  tipo um mantra “são valores diferentes e uma pessoa que não consegue entender que alguém não é igual a ela”. Então eu finjo que tá tudo bem. Porque na real, está. Está simplemente muito claro o tanto que somos diferentes. E ela NÃO precisa me entender.

 

Uma bobagem

Eu consigo virar pra minha chefe e pedir pra ela me enviar pra Buenos Aires. Posso também relatar pra ela conflitos que tive com outras pessoas, sempre mantendo a razão. Abordo numa tranqüilidade erros que cometi em um projeto. Peço pra faltar numa boa sem estresse por razão x ou y.

Mas não sei pedir aumento.

Faz um mês que eu ensaio. Primeiro falta privacidade, segundo falta contexto, terceiro falta jeito e finalmente eu posso inventar uns 10 motivos para justificar que não consegui. Me falta mesmo é coragem, fico com essa vergonha absurda, não sei explicar.

Ai  escrevi um email, mandei pra duas amigas, elas aprovaram e cliquei enviar. Desde então, o dia inteiro, a cada olhar que ela me dá, imagino que é ela lendo o pedido e fico ali, numa vontade de correr/morrer/me esconder absurda. Como se eu ofendesse ou arrancasse pedaço.

Mas é muita jucuzisse pra uma Alice só.

Cállate

O grande problema são as coisas não ditas. Não as suporto. Ecoam na minha mente muito mais do que as ditas erroneamente. Ficam ali me torturando, virando versões maiores e maiores, e mais inteligentes.

Mas me prometi lá algum discernimento, e com força de vontade tenho mantido (mais ou menos, pra ser sincera) dentro de mim o que na verdade podia estar sendo um escândalo do lado de fora.

Quanto a não externar, sou até capaz de fazê-lo . O difícil é não fazer ser um escândalo no lado de dentro. O difícil é a tortura de eu ter deixado uma oportunidade de ser BRILHANTEMENTE babaca passar.

 

Mas ao menos só em um do que nos dois. Tipo, antes não ser babaca e lamentar não ter sido do que sê-lo e ficar guardando sentimentos mistos quanto a ação. (mas gente, isso é confuso até pra mim?). Uma hora vai chegar e eu vou ser tão madura (sonho meu) que conseguirei abstrair. Resistirei aos babacas e não serei babaca!!! Imagina, uma vida com capacidade de abstrair todas as pessoas babacas, egoístas e idiotas que tão ai, vida a fora.

Porque essa é a minha tentativa de não ser nem babaca, nem egoísta e nem idiota, por benefício próprio.

Pero como sufro!