não é quando eu me arrisco

Hoje fui colocar uma correntinha – que nem de ouro é, mas é douradinha e linda –  no pescoço e fiquei com medo. Na mesma hora tirei.

A primeira vez que eu fui assaltada, eu estava em Buenos Aires a menos de 15 dias. Tinha ganho aquela máquina fotográfica há poucas semanas, justamente para fotografar o intercâmbio. Deviam faltar ainda todas as parcelas a serem pagas… mas isso não evitou que, em um boliche com música alta e muitos argentinos, pegassem minha câmera de dentro da bolsa – e a bolsa no meu ombro – sem que eu tivesse visto coisa alguma. Chorei desesperadamente, me senti mais pobre (perda de itens, por mais que não sejam seguidos da substituição dos mesmos, sempre me fazem sentir pobre) e a vida seguiu. Meu intercâmbio foi muitíssimo fotografado pela máquina do rommie, que depois também foi roubada (mas eu já tinha voltado pro Brasil). Aliás, todo mundo que eu conheci naqueles meus 6 meses porteños foram assaltados em algum ponto da viagem. Cuidado, meninos, BsAs é sim, perigoso.

Anos depois eu estava no Mc Donalds da Paulista. Bebadinha, um tanto quanto ainda apaixonadinha por um ser babaca e também com a companhia da Camilinha. Passaram e levaram a bolsa, nem vi. Ninguém viu. O detalhe é que eu estava, de novo, em uma cidade que não morava. E ai não levaram um item somente – inclusive levaram também uma máquina, de novo (obviamente nunca mais comprei nenhuma, porque essa era a terceira – a segunda tomou um banho de milk-shake relatado em algum post de 2007 desse blog). Levaram minha carteira, meus documentos, minha passagem de volta, minha dignidade e também o meu amor. Isso porque a reação de outrem foi tão broxante e inanimada que ó, amor acabou ali. E estar sem um centavo furado, e nem documentos, fora de BH não teve graça alguma.

A terceira vez que fui assaltada foi em BH, pra não dizer que onde moro não é perigosíssimo. Domingo, meio de feriado, eu e o semi-irmão. Saindo no meio da madrugada de um lugar e decidindo, equivocadamente, voltar pra casa a pé (afinal, não tava sozinha). Vieram dois e em um mundo que semi-irmão e pamonha são seres semelhantes, no final levaram minha lindíssima bolsa vermelha (também nunca resposta), 10 reais, meu cartão de débito, meu celular e o mais caro de tudo: a carteira de motorista. O celular eu tinha ganho numa promoção da globo.com (e o que vem fácil, vai fácil), mas a carteira de motorista, porra, R$ 53,00 pra renovar. O marmanjo ainda me jogou no chão (por algum motivo eu peço pra pivetes me deixarem ficar com meu chip, coisa que sempre, aparentemente, é recebido com alguma ação agressiva) e eu tive que ficar consolando meu semi-irmão, que pamonha que é, não foi assaltado mas ficou mais assustado que eu. Pamonha. (notal mental: semi irmão nunca pode achar esse blog?)

E a última foi agora. Tem pouco mais de um mês. Parece novela, parece tragédia, parece o pior dia possível, mas foi só minha vida mesmo. Ligaram avisando que papai tava na uti, eu estava na frente do prédio do trabalho esperando carona pro hospital quando veio um pivete e me pediu o telefone que tava na mão. Numa idiotice tremenda, pedi pra ele não levar o celular. Em algum lugar na minha cabeça ele ia ter pena do meu pai no hospital – e da minha necessidade de ser contactável num dia tão assustador – e me deixar escapar ilesa. Mas a disgrama do menino pulou em mim, me arranhou absolutamente toda – com unhas enormes UGH – me jogou no chão e foi pego por pedestres que bateram muito nele. Isso tudo com o celular ainda na minha mão. Não sei se valeu a pena. Ainda me dei ao trabalho de ficar hoooooras na delegacia, tentando ter controle de algo naquele dia. Precisava que aquele menino – mesmo sendo menor – fosse detido. Precisava que o crime na frente do trabalho virasse estatística e tivesse mais policiamento.  E isso me custou 5 horas dum dia em que meu pai estava internado na UTI. Pior dia da minha vida.

O plano atual é não ser assaltada/roubada/furtada nunca mais. Hei de cumprir. Quer dizer, desde que ladrões o permitam.

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One thought on “não é quando eu me arrisco

  1. me cago de medo de assalto, mas até agora, nunca fui. grazadeus. mas sua história me lembrou de duas: uma irmã minha que SEMPRE é assaltada, e uma sobrinha que ao ser assaltada pediu o chip e o pivete deu. pivetes da bahia são mais legais.

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