We’ll run to the past

Essa semana eu chorei na terapia. Chorei meio engasgado, meio com vergonha. Tem choro que a gente chora aceitando, tipo quando eu também chorei na terapia, mas foi porque meu pai tava na UTI e eu tava com medo. Era um choro aceitável, desses que quando você vai embora, até se sente bem.

Esse não. Esse foi daqueles choros que você fica falando mentalmente “não chora, não chora”, mas quando vê seus canais lacrimais não te respeitam e você tá com a fala toda embolada, toda exposta na frente da terapeuta.

Chorar na terapia é o grau máximo da vulnerabilidade, é quando o trem tá feio dentro de você mesmo. E  a gente vive essa vida toda tentando justamente esconder e sufocar esse tanto de vulnerabilidade, mas chega lá e o psicólogo fica cutucando justamente onde mais dói.

 Quando eu saí da sessão, ela ainda mandou “Alice, eu vou pegar pesado pra você, você fica nessa racionalidade e planejamento todo escondendo uma Alice emocional que precisa ser trabalhada”.

Passo o dia inteiro tentando evitar acessar certos pontos para pagar alguém para ir lá e me fazer lembrar que ó, se eu encostar aqui você chora em público. Nossa, obrigada por me lembrar. Precisava mesmo nessa semana infernal ainda ter que lidar comigo mesma.

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