Is there a better half of the world?

Eu tenho um problema muito especial com relação ao flerte. Se o mundo pudesse ser dividido entre pessoas que sabem dar mole e as que não sabem, eu claramente estou na segunda parte. Aceito plenamente isso desde uns 14 anos de idade. Não conquisto no olhar, e nem na conversa, basicamente por não praticá-los tão ativamente nesse sentido. Mas vou te contar que uma boa dose de vodka vence essas inibições todas ó, fácil. Mas ai vence muitas outras inibições e é melhor evitar a estratégia por motivos de ninfomania alcoólica (e o fato de não me lembrar de quase nada feito também não doura a pílula).

No Orkut (saudoso Orkut) existiam aquelas comunidades estilo “eu sou legal, não tô te dando mole”, e eu fazia parte de “eu não sou legal, eu tô te dando mole”, no sentido real e irrestrito de: se eu tô me dando ao trabalho de dar qualquer atenção pra você, é porque, olha, eu quero. Tô demonstrando de uma maneira chata, mínima, desinteressante e pouco exposta. Mas quero.  Eficiência disso: quase nula. Eu sei amigos, é patético.

Às vezes eu também caio na areia movediça de entrar em interações que reproduzem a infância, no qual eu provoco, você provoca, vai, volta… mas quanta tensão sexual! Ai no meio do caminho ele descobre que eu sou LOUCA, que quero sempre ter razão, que dou patadas inteligentérrimas e que no final das contas, assusta, porque quem mesmo quer uma louca brigona que quer sempre ter razão? Adivinha se também não funciona? Quantos não-relacionamentos eu tive em que o cara, prevendo o futuro, disse: “olha, a gente vai brigar demais, então melhor não”. MAS É MUITO… incrível ou que sou capaz de fazer, não é mesmo?

Mas somando a tudo isso, ao invés de ser dessas pessoas que não conseguem perceber que as pessoas tão dando em cima, ficam lá só achando que todo mundo é agradável, bem, eu percebo. Eu sempre sei, eu sempre percebo.  Mas eu sou aquela pessoa que sempre acha que tá imaginando (estou sempre no pior dos subgrupos no que concerne a capacidade de pegar os outros). Isso mesmo, amigos. A auto-estima da pessoa aqui é tão ridícula que se tá dando mole, só pode ser minha imaginação mesmo. Ai, na real, é a mesma coisa de não perceber, porque você fica paralisada numa não ação incrível. Auto-sabotagem no mais alto grau.

E é com isso, amigos, que minha psicóloga tem que lidar. Ela disse que tudo remete à minha adolescência sem auto-estima e quer ficar cutucando, mexendo, provocando essa adolescência toda superada e suprimida e escondida e enterrada em algum canto a minha psiqué para ver se algum dia eu acordo e falo “posso dar mole pra quem eu quiser e o fulaninho ali tá me querendo mesmo”.

A psicóloga acha que pode tudo e que eu tenho cura.

Olha, não queria ser ela. E não queria ser eu.

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