Timing has never been our strong suit

– Você voltou com sua ex namorada? – pergunto eu acostumada com caras que voltam com ex enquanto estão em processo comigo.
 – Não, não voltamos – responde ele muito sério.
– Tenho te visto marcado em tanta coisa com ela – justifico eu, cheia de defesa.
– Hmm… é. A gente ainda se fala e tal… – e seguem as justificativas, numa conversa pesada.
– Entendo. Não tenho relação próxima com nenhum ex  – emendo numa risada como quem diz “por isso estranhei”.
– Bom eu também não, até o momento. É algo meio estranho – o que cala a minha risada e me faz ficar bem séria.
– Foda, né.
– De leve.
E no final eu só queria que não ter tido a conversa.

Manter o amor maior que o medo

Um da desses, pra uma amiga, eu disse bem assim “mas nós somos dessas, que temos que descobrir que podemos amar de novo para nos permitirmos a amar de novo”. Depois eu completei, sem graça, que 3 anos depois eu ainda tava não tinha tanta certeza se podia. Mas uma hora ia.

Será que agora que foi?

A coisa não é nem não acreditar mais em amor, mas é lógico que eu acredito. Faço isso contrariando expectativas de ser filha de um casamento quebrado. Faço isso mesmo com meu medo ao toque e que, embora eu diga que eu quero dar pra todo mundo, não quero dar para ninguém. Apesar de, continuo acreditando no amor.

O que não me permite amar não é a desconfiança do amor em si. Mas o medo. O medo de ir lá e cair de novo. E quebrar de novo nesses duzentos trilhões de milipedaços que todo dia eu tento colar e sempre acho uma parte que não encaixa mais onde devia. Mas eu tento. Apesar de.

Ai nesses últimos tempos eu troquei emails e sms com dois caras diferentes, e marquei de me encontrar com um terceiro,  e fui ver um quarto,  e um quinto me trouxe em casa em outro dia, e um sexto vem cá no domingo. E sabe do que eu tenho disso tudo? Nada.

Mas será que agora o medo passa e eu permito um dos nada sair do nada para algo, qualquer coisa que seja?

 

alma mole, vida dura, tanto bate até que cura

Papai, mamãe e irmã são advogados formados justamente pela faculdade de direito rainha nos noticiários essa semana pelos trotes “racistas” e “machistas”. E justamente por isso em casa a discussão sobre minorias está em pavorosa. Não é de se assustar que eu tenha posição 100% distinta da mamãe, que contrariada diz “mas como foi que eu te criei?”.

Ontem mostrei para ela o folheto de um curso que vou fazer – no nível vou mesmo: já negociei com o chefe, já transferi matéria que eu tinha na data, já fiz as continhas pra ter certeza que dou conta de pagar – e ela, mais uma vez, “mas como é que você ficou assim?”.

Fiquei assim, mãe, mais ou menos quando eu tinha uns 11 anos você comprou para eu ler O Diário de Anne Frank e O Diário de Zlata, dois diários de meninas em cenários de guerras. O que pega é que enquanto Anne Frank tava lá na década de 40, numa guerra distante e passada, a Zlata tinha passado aquelas coisas uns 3 ou 4 anos antes de eu estar lendo o livro. E foi ai que eu descobri que tinha gente no mundo sendo impactado por coisa que eu nem sabia que existia – justamente porque não me impactava.

Eu também fiquei assim, mãe, porque você me pôs em um colégio muito bom e sempre me deu acesso à cultura, coisas que me deram um espírito crítico. E foi você também, mãe, que nunca me deu tudo que eu sempre quis, me fazendo dando valor real ao dinheiro, e também sempre foi justa e respeitosa no trato com minorias, o que me fez crescer achando que todos são iguais e devem ser tratados com os mesmos pesos e metidas.

Também influenciou muitíssimo, mãe, quando eu fui embaixadora jovem de uma ONG ambiental num encontro internacional aos 20 anos. Lá eu descobri que o um dos impactos do dano ambiental é social. Ao invés de pensar só em flora e fauna, eu pensei em comunidade ribeirinha. E você era a coordenadora local desse grupo (e realizava atividades em comunidades carentes e escolar ricas da mesma maneira – e eu participava, me mostrando mais uma vez esses valores sociais), e foi via você que eu tive acesso a isso tudo.

Eu fiquei assim, mãe, porque enquanto eu estudava Relações Internacionais focada na Organização Mundial do Comércio e no Fundo Monetário Internacional, eu descobri que existia o fair trade e também e entendi o impacto do aumento de superávit primário no investimento na saúde pública.

Inegavelmente, teve igual importância em eu ser assim eu ir morar fora do país e descobrir que seja nos EUA ou aqui do lado na Argentina, tem problema social e maneiras de transformar isso tudo. E conhecer gente que fazia a diferença. E foi enquanto eu tava lá na organização internacional que eu trabalhava que eu ficava frustrada por, em tese, poder realizar tanta coisa legal, mas aquilo ser freado por burocracia, política e, veja só, diplomacia.

E foi assim, mãe, que eu não só percebi que queria um mundo mais justo, como queria ser parte dessa transformação. Basicamente, mãe, eu fiquei assim porque, apesar de tudo, você sempre deixou eu ser eu.

e no final de tudo, mãe, sou assim porque tenho um propósito.

Like me

Dai você me liga, que é tudo que eu realmente quis que você fizesse nesse ponto, e eu falo meia hora de mim, respondo umas perguntas sobre o trabalho e só quando desligo, depois que se dissipa um pouco a nuvem de mim em que estava envolta é que percebo: não sei nem se te perguntei se estava tudo bem com você.

No final das contas, talvez meu grande amor seja somente eu mesmo. Mas é desses não correspondidos.

Estou sempre muito sensata

Eis que a disciplina que eu estou estudando nesse momento na pós – num mundo perfeito todas as que eu fiz me seriam tão caras como essa está sendo- a professora fez um comentário sobre reciclagem de lixo que pode ser extenso a todo o comportamento politicamente correto desse mundo: a esperança é que chegue um dia que virá uma geração que automatize o comportamento, adotando uma postura inconsciente correta que não exigirá todo esse esforço e reflexão que temos hoje. Um mundo mais agradável e aprazível onde não existem chatos (ecochatos, ditadura gay, feministas de carteirinha e todos os que a gente conscientemente nessa vida – e se cansa pelo óbvio: SÃO CHATOS).

Obviamente, e sei bem, pra chegar um dia na geração com mais automatismo corretos – tipo a nossa em que a mulher trabalhar é normal, quando nossos avôs questionavam isso – todos os chatos, por mais insuportáveis que o sejam, são necessários. São porque eles que trazem a evolução brigando com nossos automatismos, mesmo que isso os posicione como os reis da hipocrisia.

Hipocrisia porque é inerente do ser humano sempre ter por trás preconceitos, automatismos, generalizações e julgamentos, sendo assim improvável que o mais alto defensor do comportamento politicamente correto não derrape em si mesmo vez ou outra. E isso me irrita. Me irrita tanto, mas tanto, que a vida – que é Malhação* – me pôs isso em questão umas 10 vezes entre semana passada e hoje.

Eu só queria que o auto policiamento – inclusive e principalmente dos que policiam o mundo – fosse um pouco maior. E por mais que a TT já tenha me dito “você não pode argumentar que não é feia – quando o outro te chama de feia – porque o outro também é”, eu discordo e digo que pode sim.  Ninguém tem direito nenhum de me acusar de nada se não for integralmente mais completo no comportamento do que eu.  Porque o mínimo que eu quero é que se você tá perdendo o tempo para me mandar reciclar o lixo, tenha a dignidade de rasgar o papel ao invés de amassar para não quebrar as fibrinhas.  Se tá me cobrando sensibilidade às causas, seja sensível às minhas. Se tá criticando comportamentos misóginos, não generalize nada sobre mulher nenhuma também. E por ai vai. INTEGRALIDADE PELO MENOS, COLEGA.

Ou seja, embora eu entenda tudo desse mundo – muito sábia que sou – eu discordo dele o tempo inteiro. Meus automatismos não são perfeitos, mas o seu dificilmente alcança a perfeição. Com a diferença que o politicamente correto é menos policiado quando é babaca (e provavelmente tende até a ser menos babaca – o que não o faz impune).

*a vida ser Malhação é clássica, se  passa a existir na minha vida, tudo que eu encontro dali em diante é , provando que não é tão absurdo a protagonista ficar grávida bem na semana em que o professor tá ensinando os riscos da gravidez da adolescência.

ps: odeio também o “classe média sofre” tanto quanto “agora virou errado ser branco” , assim como detesto tudo que põe o “vocês, heim”, te posicionando diferente do resto do mundo, além de detestar todas as generalizações contra-evolutivas do pensamento. OU SEJA, basicamente detesto todos, igualmente. Certos, errados, politicamente corretos, babacas, errados, politizados, etc, etc. Qualquer chavão me cansa. Basicamente porque mais ofende do que passa qualquer coisa que você queira passar.

Despite all your fears to the contrary,

Prioridade é estar morrendo de gripe, com dor no corpo inteirinho, pele ressecada de tanto usar lenço, aquela garganta cheia de muco, espirros e tosse, desejando eternamente não ter sido obrigada a ter vindo trabalhar e mesmo assim, ainda assim, aguardar ansiosamente o ponto alto do dia: o jogo. E não tem mãe ou bom senso que me digam que não.

Não sei se com o tempo eu me torno mais atleticana, logo, mais insuportável, ou se as pessoas ao meu redor simplesmente começaram a notar só agora (ou vão percebendo aos poucos, uma a uma): “mas cê gosta mesmo de futebol, heim?”. O que, casualmente eu respondo “pois é, sou um menino”, porque né, é o socialmente aceitável.

O detalhe é que eu nem reparo que tem algo de raro em ser mulher e ser assim. Eu vou ao jogo com amigas, sempre. Todas tão fanáticas quanto (ou fanáticas mais, ou um pouco menos, mas todas do estilo de ficar em horas em fila e comprometer parte do orçamento em nome do Galo). A coisa mais comum pra mim é mulher que gosta de futebol: bebo com elas, converso com elas, debato com elas e conheço, time a time, torcedores de cada um dos nacionais (e uns picados mundo a fora).

Se fui ao futebol quando nos EUA, se fui ao futebol quando na Argentina, se ouvia em streaming na Itatiaia a Copa do Brasil de 2008, se assisti na Globo Internacional a série B do Galo… me explica porque é que minha febre, minha tosse, minha dor e meus espirros poderiam me retirar de um caro jogo caro da Libertadores se me toca estar justamente em BH, com ingressos na mão, no melhor ano do Atlético desde 2000? Mas é nunca. E não tem mãe ou bom senso que me digam que não.

 

 

Não sou assim, amor

“A gente não ama uma pessoa pelo que ela é, mas por como ela nos faz sentir”. A frase provavelmente não é essa, mas o sentido é assim. Tava ali escrita no quadro de professora de uma matéria de pessoas, que se acha master entendida de desenvolvimento do mundo corporativo, só que não sabe que prazo não é meta, mas restrição (eu também não sabia até começar a freqüentar a Sra. Escola de Negócios, então tudo bem. A maior parte das pessoas do mundo não sabe e principalmente, não se importa com a diferença que faz ser meta ou restrição, mas para os Srs. Alunos da Sra. Escola de Negócios, o erro foi pecaminoso. Eu inclusa. Virei um deles. GAH. Socorro).

Voltando à frase, é sempre meio importante quando você se identifica com uma vírgula de pseudofilosofia escrita por ai. A vida fica dotada de significado, reflexão e as coisas fazem mais sentido. No entanto, é sem dúvidas decepcionante quando você descobre que “se você fizer as coisas do mesmo jeito, sempre alcançara os mesmos resultados” ou qualquer coisa de cognição semelhante saiu de “Quem mexeu no meu queijo?”, e não num tumblr bacanão de gente que anda por ai e encontra coisas legais da vida. Mas tudo bem, a frase não deixa de ser um grande tapa na cara, apesar de óbvia. E o tumblr afinal de contas não deveria ser fonte fidedigna da genialidade humana.

Então também aceito com igual emoção/comoção a verdade do amor pelo sentimento, não pela pessoa, mesmo a origem  dela ser “um cara que a professora viu numa palestra”.

O amor pelo sentimento e não pela pessoa é um pouco óbvio quando somos os receptores, mas quando você transfere para o outro te amando, fica mais complicado. Como eu faço sentir o outro? Sou amável?

Porque se for pensar bem, a maior parte das pessoas recebe uma atenção neutra. De todos e de mim. Não os fazemos sentir pior, porque somos pessoas decentes a maior parte do tempo. Mas decididamente há muito pouco esforço para o positivo. Até mesmo com amigos e família. Estamos sempre muito ocupados para sermos pessoas incríveis e fazer os outros se sentirem amados, e logo, nos amarem. Raramente as interações são positivas. Mesmo quando há amor.

E fica mais preocupante quando o outro é alguém que eu quero. Assim, romanticamente, essas coisas todas de coraçõezinhos saindo da cabeça e gemidos saindo do meu quarto. Como eu faço sentir o alvo do meu afeto? Como você faz ele(a) se sentir?

Olha, não é de se admirar que…

pra outra avaliação, mas fica um pouco como resposta. (essa autora pelo menos publicou seus diários pessoais- aceitável portanto ser fonte, sem maiores questionamentos sobre a origem, de frases sobre sentimentos)