Uma maré ruim

“Sem querer ser chato”, começa a sms de quem sabe que está sendo o ser humano mais irritante do planeta. E há quem imagine que tanta insistência, e presença, seja amor – ou numa forma bem mais branda, querer muito me pegar – mas eu resisto  BASTANTE a ver as coisas assim. Porque não é possível que qualquer pessoa imagine que sendo simplesmente presente, mas de uma forma chata e irritante (e grosseira, na maior parte das vezes), se conquiste qualquer coisa.

Se tratando de mim, até parece que fazer as coisas assim tenha algum sentido. Adoro uma briguinha e um cara que me enfrente me estimula muitíssimo. Mas assim não. Ou assim era antes e agora encheu o saco? Há de se ter gentileza, carinho e principalmente, clareza de intenções. Então me torrar o raio do saco me dá vontade de mandar à merda, não de trazer para mais perto.

Na verdade, tratando diretamente da interação em questão, não vejo nem porque existe. Porque se não é para me pegar – o que excluímos tendo em vista a babaquice praticada a cada contato – não consigo entender o porquê de alguém se manter na minha vida com a finalidade básica de: encher o saco. E quando me pego respondendo, paro na mesma hora com um EPA EPA EPA, VÃO-PARAR-DE-ESTIMULAR-A-LOUCURA-ALHEIA?

Enquanto isso, eu mando uma sms bonitinha para outro brigão da vida – mas que, pelo menos, faz de um jeito aprazível e que vinha ganhando esse meu coração que adora uma discussão – e ele não me responde. Isso mesmo, enviei quinta-feira e ele nunca me respondeu. Triste para sempre. Triste pela ausência de resposta, triste por ter me exposto (como é segura a vida de quem não joga). Não entendo de maneira alguma essa gente que morde, assopra e não comparece no momento da cobrança. Porque não há ser vivo que testemunhe o que ocorre entre nós, em momentos que estamos juntos, que ache que não terei retorno da sms enviada. Pois bem, não tive.

Ao menos, a título de humor, o corretor do meu celular enviou algo quase que ininteligível como conteúdo da sms, fazendo com que seja lá compreensível não ter uma resposta. Mas pô, nem pra enviar um “mas que porra é essa?”. SAD FOREVER.

Procuro, portanto, pessoas para duas funções: me querer com carinho e amor e de verdade e também para me escutar contando longamente os dois casos e me diga, com toda a paciência: PORQUE A VIDA É AS PESSOAS ESSES DOIS INDIVÍDUOS SÃO ASSIM?????

It´s like a party somebody threw you

Eu lembro exatamente de pensar o quanto eu PRECISAVA ser mais amiga da Maria Tereza. Planejar a vida e a busca por empregos no Brasil desde DC eu não fiz não, mas saber que quando eu voltasse ver a TT com mais freqüência era tarefa necessária, isso eu sempre soube. Ao menos fui lá e fiz, a menina quietinha e que transmitia paz virou das minhas melhores amigas.

E agora ela tá indo pra Índia, sem ser de férias, sem ser para passear, mas para passar um ano e para fazer que eu, tão acostumada a ir, seja quem fique e sinta saudades. Daí eu fiz um blog-cartão-de-boa-viagem-cartinha-de-despedida, o https://boaviagemtt.wordpress.com/*.

Esse post aqui é para mostrar como eu sou linda. Hihi.

* até postei aqui uns dois posts que eram de lá e, pâaaaanico, provavelmente chegaram no email das pessoas. Ainda bem que a TT não percebeu antes que era pra ela.

(e também porque eu tenho um projeto enorme ali para planejar e mais legal que isso é falar sobre um assunto que nessa semana permeia meu coração. É. Eu vou morrer de saudades).

To sing ‘em my new song

Hoje vou dormir pela primeira vez no quarto novo, na casa nova. Entre surtos maternos e uma casa cheia de caixas, a vida segue basicamente a mesma, com a diferença que hoje pela manhã saí para trabalhar de uma casa e mais tarde voltarei para a outra.

A casa antiga sempre foi ponto de referência para qualquer pessoa que tenha intimidade comigo. A rua é central, perto do colégio em que eu estudava, depois perto da vida que eu vivia. Sempre o local dos trabalhos, sempre o local dos esquentas. Pela proximidade, pela abertura, pelo tudo.

A casa antiga foi hospedagem para pessoas das mais diferentes cidades e dos mais diferentes países. As portas foram abertas sempre, a quase quem pedisse e nós tivéssemos alguma vontade de abrigar.

O meu quarto, que não era meu desde o início (e virou numa tentativa da minha mãe acabar com as brigas entre irmãs), tinha um tatame, porque eu aos 14 anos achava que era muito moderna dormindo no chão. Depois troquei por uma cama box um tanto quanto mais espaçosa, mas fora essa mudança, foram 12 anos de quarto sem qualquer outra alteração substancial.

É muito fixo isso tudo. Muito igual. Acho que agora a mudança chega na hora certa. Para levar o velho, trazer o novo e deixar a vida seguir normalmente, mas sem que seja igual.

Hoje a noite vou dormir num diferente que passará a ser meu presente.

For all the ones who hurt the most

É imperativo parar de levar as coisas para o lado pessoal. E o motivo é muito simples: nada que eu faço, por mais irritante que seja, é direcionado a irritar ninguém. Então porque a ação alheia seria apenas para me fazer ESPUMAR DE RAIVA? Não é. A coisa, aparentemente, é entender que o problema é do outro, por mais passivo que isso seja. Para uns pode ser difícil. Eu diria que  para mim, quase sempre, é impossível, já que no presente momento sigo ESPUMANDO DE RAIVA de um indivíduo. Não leva para o pessoal. Não leva para o pessoal. Não leva para o pessoal. Não leva para o pessoal. Não leva para o pessoal. Não leva para o pessoal. Não leva para o pessoal. Não leva para o pessoal. Feito um mantra.

Só vim te ver pra lembrar quem sou

Acabei de chegar da casa da minha melhor amiga de infância, aquela, que dos meus 4 anos aos 12, foi a pessoa que eu mais gostava do mundo inteiro. A gente morava em prédios vizinhos e nos conhecemos pela janela, uma pendurada em uma e outra, na outra, e passávamos tardes conversando aos berros, até que uma das mães  teve o bom senso de nos juntar e abaixar nosso volume. Quebramos os dentes da frente na mesma semana, ralamos vários joelhos, e criávamos mundos que só nós conhecíamos. Quando ela foi conhecer o pai, já com uns 8 anos, a exigência foi que eu fosse junto.Eventualmente ela mudou de casa, depois fui eu e assim passaram-se muitíssimos anos sem que tivéssemos qualquer contato. 

Minha melhor amiga de infância, 1 ano mais velha que eu, tem duas meninas lindas, uma de 6 e uma bebêzinha de 5 meses. 

Pois é. A vida.

Agora eu vou mudar minha conduta

Uma vez há uns 5 anos (o tempo voa, afinal de contas), estava eu serelepe e feliz contando para um dos muitos gringos lindinhos o tanto que meu amor pelo Atlético era incrível. Enquanto exercia o meu “ser atleticana”, obviamente acabei esbarrando pela rivalidade local, mencionando o time azulzinho (vulgo Cruzeiro) de uma maneira típica. Expliquei que os chamava de Marias, que eram conhecidos pela frescura e todos os clichês futebolísticos que qualquer pessoa familiarizada com futebol reconhecem.

Eis que o gringuete lindinhozinho respondeu, como num soco na boca do estômago: “e essa é você exercendo a homofobia clássica latino-americana?”. MAS HEIM?

Pois é. E essa era de fato eu não apenas sendo conivente, mas exercendo de fato a homofobia. Automaticamente gerei a desculpa, que abracei durante anos a fio, que o ambiente em si meio que escusava a o comportamento pouco humano, porque futebol é bruto e ninguém ali dentro realmente confere o significado de homofobia em xingamentos do estilo “bichinha”, “as meninas”, “as marias”.

Mas o tempo passa, a gente evolui e EPA. Na verdade a ofensa não precisava chegar nem na homofobia, ela pipocava antes: A PORRA DO NEGÓCIO É ANTES DE TUDO MACHISTA MESMO (agora todos clamam: óooo, que novidade, heim. Que bobinha você, Alice).

Menina que sempre gostei de futebol (e sempre fui a campo, levada por pai, tio, avô…), sempre fui julgada por ser “fora da normalidade”. Vezes inúmeras ouvi de meninos imbecis que meus argumentos  futebolísticos– sempre sábios, afinal, rainha da razão bem aqui escrevendo o post – valiam menos porque sou mulher. Mesmo hoje, quando no estádio com minhas amigas – tão ou mais atleticanas do que eu – existe um assombro de quem nos cerca por sabermos escalar o time, não termos homem nos acompanhando e falarmos palavrão (e muito palavrão).

Acontece que o futebol é tão intolerante que ninguém quer assumir que um gay torce pelo próprio time, numa justificativa natural que futebol é “lugar de homem” (o que obviamente exclui a mulher também). E assim a gente “empurra as bichas” no estádio e bate palma achando lindo. Só que não é lindo. Porque a grandíssima realidade é que eu, minhas amigas, os gays fanáticos por futebol, a sua mãe, você e seus amigos héteros lindos e gatos e os horrorosos e chatos somos todos pessoas e temos exatamente o mesmo peso na torcida. Na hora de contar público pagante ou assinante de pay per view, na hora de somar no coro no estádio ou comprar um produto do time, temos todos o mesmíssimo peso.  E você chamar um rival, para diminuí-lo, de Rosana (ou de Maria), ou de franga (ou de menina), ou de Crugayro (ou de Gaylo), apenas coloca como xingamento ser mulher ou gay. E ai, amigs, sou eu, você e um Mineirão inteirinho exercendo nosso machismo e homofobia.  Se você acha isso ai mesmo, gay e mulheres, eca, fica nessa daí. Mas hoje eu vou mudar minha conduta.

ps: meu time exercendo toda a lindeza dele, eis que surgiu um movimento chamado Galo Queer que é contra a intolerância no futebol. Me assustou horrores o tanto que  alguns não tem mínima vergonha de exercer a homofobia.  E foi lindo ver que há esperança, já que a diretoria do time mandou a seguinte quando questionada a respeito: “A diretoria do Atlético-MG afirma que é a favor de qualquer iniciativa que venha a combater qualquer tipo de preconceito.” Vem evoluir comigo e com o Galo, gente!

Disappointments Diary

-Então, Alice, como é odiar alguém em ambiente de trabalho?

– Não sendo minha chefe, é ótimo. Aproveito cada segundo disso. Rio com tudo que ela fazia que me agredia. Se ela é grossa, rio. Se ela comete um erro, rio. Se ela é falsa, rio. Às vezes chefe-mirim tá andando no corredor e eu imagino a cabeça dela em chamas.

Ops, isso faz de mim meio psicopata, mas né?

C-A-D-A  S-E-G-U-N-D-O.

 

(acha o perdão, o rancor faz malzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz MIMIMIMIMIMIMIMIMIMIMIMIMIMIMI)

Wish me luck

Acordei descaradamente cedo para levar o menininho pra pegar um trem – no caso, literalmente. E no tempo vago, ainda bastante descaradamente cedo, entre a despedida e o trabalho, entrei no facebook só para ver o mundo. E eis que o namorado de uma amiga me vem, d-e-s-e-s-p-e-r-a-d-o, me contando a triste história do casal que não conseguiu comprar ingresso pros dois pro show do Paul e o sonho deles de ver o ex-Beatles juntos estava então destruído. E era minha responsabilidade (e de todo mundo que eventualmente ouviu essa conversa furada) conseguir ingresso para a amiga. Minha, que nem mesmo vou ao show.

OFENDÍDÍSSIMA com a folga – nada surpreendente desde que, quando eu voltei da gringolândia, ele pediu para eu trazer uma fucking guitarra (e que eu OBVIAMENTE não trouxe) – xinguei mentalmente e depois, por email,  para a namorada o rapaz desesperado. HMPFT.

Mas eis que o destino resolveu gastar a sorte (a minha? A deles? Por favor que seja as deles, já que o benefício é zero meu), me colocando dentro da bilheteria assim, do nada, sem plano e sem fila. Se quando entrei tinha 5 ingressos, quando acabaram de passar o cartão, estavam todos esgotados. Milagre feito sem nenhuma reza minha.

E acaba que eu, ainda que ofendídíssima, fiz o favor, meio que sem querer, mas muito dos bem feitos. E no final ainda ouvi, junto com um obrigado, que  “seria mais super ainda se para esse final de semana do show do Paul você comprasse ingressos para a gente ir no jogo do Galo”.

FOLGADOS WILL BE FOLGADOS, NO MATTER WHAT.