Assim eu não vou saber de nada do que você vai sentir

Sem vontade nenhuma de sofrer na vida. Sem vontade alguma de desgaste. Sem vontade de briga. Sem vontade de grosseria. Sem vontade de desmotivação.

Daí eu contorno. Se não é pra ter sofrimento, eu meço o que vai me causar menos  sofrer e ai decido fazer ou não. Se é pra não ter desgate, eu faço o necessário. Se não é para ter briga, eu vou vivendo na minha. E se é sem grosseria, então eu simplesmente não vou falar com você.

E assim seguimos motivadíssimos.

Porque minha professora da  “PES111 – Motivação nas Organizações” já disse: o segredo tá em tratar o outro do jeito que ele gostaria que você fizesse.

Se eu não te deixo me tratar do jeito errado (fugindo-de-você), não tem de onde eu me desmotivar.

Agora já estamos quites

Tem gente que parece que é feliz todo dia, que a família se ama o tempo todo, que se olha no espalho, sempre, e diz “sou gata sim ou sim”. Mas já aviso, é mito. É pose. É apenas impressão. Ninguém  é sempre feliz, toda mãe enche o saco e o espalho nem sempre é amigo.

 

Aposto que mais alguém entra no taxi e o taxista pergunta se o cara é seu irmão porque vocês dois são grandes (amigo: 1,90×1,90, tem vontade de morrer um pouquinho. Porque absorver toda a dor do mundo faz parte. Todo mundo é assim, não é? :/

I’m willing and able

A primeira vez que eu entrei em sala de aula, como professora, foi completamente sem preparação. Tinha acabado de voltar da Gringolândia e enquanto não achava emprego na área (contando assim parece super tranqüilo e momentâneo, mas foi um CAOS NA VIDA), fui em uma escola de inglês para ver se eles me contratavam.Cheguei lá umas duas da tarde, me botaram para fazer uma prova, me entrevistaram e perguntaram “você pode ficar para dar a aula das seis horas pro intermediário?”. A-S-S-I-M.

Desse momento em diante, entrei em salas de aula com certa tranqüilidade. Acontece que brinquei o suficiente de professora quando pequena e que gosto de ensinar. Dei aula de inglês e espanhol e nunca foi muito estresse. De boas.

Ano passado dei uma palestra em um congresso. Fiquei meio nervosa (como os arquivos desse blog contam – contam tudo isso acima, aliás), mas foi tudo bem. Me senti benzona, coisa e tal. Considerei um dia passar a das aulas do assunto. No futuro, pensei. Quando eu souber o suficiente. Tem uma diferença enorme entre ensinar uma língua e ensinar conteúdo. Ainda mais conteúdo de gente grande. No caso,  de gestão de projetos. Porque a língua eu domino e meu conhecimento é inquestionável. Mas a gestão de projetos, pode ser que quem saiba mais ache tudo um grande blablamation e a experiência, que pode ser maior que a minha, faça meu conhecimento ficar parecendo insuficiente. Pra quando eu for fodinha, pensei.

Isso até meu chefe me dizer que uma das minhas entregas como analista de projetos deveria ser um curso de elaboração e gestão de projetos pra galere do trabalho. Todas Alice tremem nas bases. Planeja, replaneja, pega texto, imagina exercício. Ele me diz que quer 16h de curso. MEUDEUSDOCÉU, de onde vou tirar 16 horas????

Hoje foi a primeira aula. Acordei cedão, cheguei cedão, oito e meia já tava tudo pronto e dei a aula de duas horas (primeira de 8). Ai no final vieram as pessoas  legais para me dizer que eu sou boa, sou didática, sou simpática. Uma miss simpatia, quase. Fiquei acreditando eu minha aula foi um sucesso.

E um alivio supremo reina (por breves momentos, já que ainda faltam muitos encontros para que me desesperar por ai).

É a qualidade que faz a estrutura de um grande amor

Uma moça aqui do trabalho pediu demissão porque o filhinho foi diagnosticado com dislexia e dificuldade de aprendizado. Disse que aquilo era sinal claro de falta de mãe. Minha primeira reação foi a feminista de sempre, “de mãe e de pai, né”, mas depois fui pensando na vida. A moça em questão trabalha muito além das 8 horas diárias. Uma claríssima workholic, daquelas clássicas mesmo, do tipo que te manda email de trabalho às 2 da manhã e às 9 tá ali do seu lado, trabalhando no gás. Vira e volta contava casos de colocar o filho pra dormir e ele dizer “por que você trabalha tanto?” ou então a filhinha de 3 anos pedir de natal “uma mamãe que fique mais em casa”. Ou seja, deve mesmo passar menos tempo do que sente que deveria com os meninos. O pai também deve, né. Mas a tristeza é que a sempre se espera e cobra menos dos pais, como se coubesse apenas às mães essa atuação de super-heroínas.

Minha mãe, durante a minha infância, trabalhava muitão. Era chefe de departamento em um banco e dava aulas em uma universidade, somada com duas filhas e um marido que, embora trabalhasse muito fora de casa, não ajudava tanto dentro. Lembro bem de ir trabalhar com a minha mãe em dia de prova, que me tomava matéria e me fazia ficar estudando ao seu lado, a manhã inteirinha. Mesmo com horas extra mil, minha educação sempre teve minha mãe ali do lado. Sem déficit de aprendizagem e nem nota baixa. E cada “para casa” e trabalhos feitos no papel almaço, até eu ter uns 12 anos, eram supervisionados por ela. Sem exceção.

No final das contas, pensando assim, na colega de trabalho e na minha mãe, só chego a conclusão que não deve ser nada fácil esse malabarismo entre carreira e filhos. Deve dar uma culpa enorme ter carreira e uma culpa enorme também não ter.  E assim  o dia das mães fica bem maior que apenas uma data comercial.

É só você querer ou desprezar

A senhora que se senta do meu lado no trabalho, assustadíssima com o preço dos ingressos dos jogos de futebol, quer porque quer que eu pare de gastar esses reais com a paixão nacional e invista tal quantia em sapatos.

Problema é que sapatos não trazem a mesma satisfação a quem vos fala do que os gols do Ronaldinho. E ela me diz, com cara dessas mães que querem que a filha case logo “mas você é uma mocinha, Alice”.

(Fica a dúvida se os problemas da minha vida passam muito por ai. Minha psicóloga me acusa de pouco vaidosa e manda passar batom e fazer as unhas. Será possível ser mulher e gostar de si mesma sem que a vaidade dentro da caixinha seja seu modo de se gostar? Ou o problema tá  em mim que me dedico menos esforço do que o necessário? TANTAS PERGUNTAS).

PS: procura-se quem me diga que eu sou linda do jeitinho que sou e me faça acreditar nisso também. (ah, e que aceite, de uma vez por todas, que eu gosto mais de ir no estádio do que no shopping)

mesmo assim não disse sim

Passados quase 5 anos, ainda mantenho mesmo estranho gosto pelo por um certo “tipo” de homem:

I like boys with strong convictions,
And convicts with perfect diction,
Underdogs with good intentions,
Amputees with stamp collections,
Plywood, skinboards, ride the ocean,
salty noses, suntan lotion,
always seriously joking,
and rambunctiously soft-spoken.
I like boys that like their mothers
and I have a thing for brothers.

O amor é coragem

Durante o tempo que meu pai ficou doente internado no hospital, o Atlético jogou 4 vezes. Na noite que papai foi internado na UTI, em estado bastante grave, o Galo jogou contra o Inter. Ainda que mal, ele convenceu o médico a deixa-lo ouvir o jogo do radinho. 3×0 terríveis para os colorados. Assisti em casa convencida que daquele dia nada de bom podia sair. No jogo seguinte ele ainda estava mal, embora fora de risco. Eu já tinha ingresso e passei no hospital antes e depois do jogo, que só fui porque acabei decidindo que era bom pensar em outra coisa e desestressar. Foi uma vitória suada de virada contra o Sport, no qual eu xinguei o Cicinho de mercenário para baixo. No terceiro jogo eu fiquei com medo do meu pai estar deprimido. Ele ficou taciturno no hospital e naquele dia a coisa tava piuor. Essa noite eu passei com ele no quarto, onde descobri duas coisas 1) não levo jeito para enfermeira; 2) não estou pronta para ser mãe. Mas fora isso, o Santos fez 2×0 em 15 minutos, e o Atlético empatou depois, naquele jogo clássico em que o Rafael Marques demorou mais de 10 minutos para sair do campo de ambulância e quando precisou de outra ambulância pra outro jogador, não tinha. Papai pediu para a enfermeira olhar a pressão no intervalo, “é muita emoção” e sorriu. Fiquei aliviada que ele sabia sorrir ainda.  No último jogo papai já estava bem melhor. Contávamos os dias para a alta. Foi Galo x Flu. Aquele. O que não decidiu o campeonato, mas fez que acabássemos em segundo em pé. Uma vitória imensa, aquele jogo. Perdermos o campeonato contra o Inter e outras derrotas retardadas fora de casa. Mas naquele Galo x Flu, fomos supremos. Com a arbitragem contra, com Ronaldinho pela gente. Foi lindo. E papai teve alta.

E é por isso, e nada mais, por dias assim, pela importância deles, por eu lembrar detalhes, que eu sou assim. E sigamos. (e papai me liga depois do jogo pra comentar “ai sim”).

 

* e quando o Galo vence num dia igual hoje, só penso “mas só podia vir coisa boa de um dia bom assim”.