This is my party

Julho,

Muito obrigada por ser um mês tão incrível!!!

Xoxo

Libertada

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Onde vai se esconder da enorme euforia?

Quando eu tinha 7 anos de idade, eu fui ao Mineirão pela primeira vez. Na época, meu principal interesse era chupar picolé e passar um tempo com meu pai, mas logo já me apaixonei. E daí em diante passei a ser uma menina que ia a campo de futebol.

Meus tios e meu avô me levaram outras muitas vezes, sempre para torcer pro Cruzeiro, mas tal iniciativa jamais surtiu efeito. Nunca, nunquinha, duvidei do que eu era. Lembro de preparar cartazes e espalhar pela casa celebrando o título da Conmebol em 92. Me achava genial de achar em campeão o CAM. Sempre fui dessas.

De lá pra cá foram inúmeras visitas a estádios, quase sempre alentando meu time. O futebol me acompanha por onde eu passei, freqüentei campos na Argentina e nos EUA, mas meu amor mesmo sempre foi o Atlético, seja no Mineirão, no Independência ou na Arena do Jacaré. Gosto de futebol, mas amo o Atlético.

Gosto de brincar que o Galo molda o caráter, ensina duras lições de humildade, traz provações para esse amor, dá um senso de coletivo tremendo. O Atlético se mistura com a minha personalidade, e devo dizer que é impossível eu existir sem exercer esse eu-atleticano.

Quando vencemos a Libertadores, nosso mais importante título, já na quinta de madrugada, meu telefone não parou de tocar. Chegaram sms de amigos distantes, que moram em outros estados e notificações múltiplas no facebook. Recebi mais carinho do que recebo no meu aniversário. Várias pessoas me dizendo que se torceram pelo Galo, ou se não torceram, mas ficaram felizes pelo título, foi um pouco por causa de mim. O Atlético se confunde assim, com um pouco de todos nós torcedores.

Meu amor não está maior hoje do que estava há uma semana. Não está nem renovado. Não precisava disso, já é grande o bastante o tempo todo. Não vou negar que em 2005 eu me prometi não derrubar uma lágrima por esse time (que naquele ano era rebaixado).

Mas só sei que descumpri essa solene promessa na madrugada de quinta, quando vendo meu time ali campeão, chorei… de alegria.

For THAT my heart will start skipping a beat

Não sei se vai ganhar, mas sei que eu não vou estar lá. Parece besteira, é só futebol, mas quando eu penso dá vontade de chorar. Porque importa pra mim, importa pra nós. Porque somos agora e eu, que fui a tantos (quase todos) jogos em casa, ficarei de fora.

Agora um processo de aceitação. Porque eu estive fora a semana passada inteira, porque eu não quis gastar mais dinheiro do que eu posso, porque quem eu pedi não se lembrou de mim. Eu e o controle da minha TV. Eu e o radinho ligado para não ouvir o gol pela boca de um vizinho.

Parece besteira, é só futebol, mas eu sinto. Acordei no meio da noite e ao invés de ficar remoendo o fim decido por mim de um relacionamento que nem foi, fico pensando em como lidar com o não estar lá. Cansada emocionalmente e fisicamente o dia todo pela ausência.

Fica decido assim, quando me perguntarem se fui, vou dizer mentindo que sim. Só porque é mais fácil viver assim.

É difícil manter a razoabilidade num campo que eu sou só paixão.

Looks like New Years

Fiz um curso genial essa semana em que estive fora, e genialmente tocada vim pra vida “normal” predisposta a assumir algumas obrigações de viver mais próxima daquilo tudo que aprendi (e me reconectei). Além da minha promessa de não comer chocolate (Ai-socorro-tentação), nada correlacionada com o assunto em questão, tenho pra esse resto desse ano três metas, listadas a seguir:

– Ser mais organizada

Arrumar a agenda, conduzir reuniões, fazer checklist: mole pra “nóis”. Desafio mesmo é manter o quarto e o armário arrumados um mês inteirinho. Eis aqui o desafio, sendo que hoje já foi um dia de não, porque tão lá minhas roupas todas da mala mal desfeita espalhadas no chão.

– Ter mais foco

Sim, não sei se já foi percebido, mas além de não conseguir ser multifocada, vivo arranjando desculpas para me auto-justificar nas falhas. Finjo que perdi o interesse, tanto, que até acredito que parei de me importar. Mas na verdade é a falta de “acabativa”. Fica aqui o compromisso de estudar prum exame e fazer ele no final do ano. E PASSAR!

– Conhecimento

O exercício de estabelecer esses pontos eram áreas de desenvolvimento. E conhecimento é necessário. Mas vou confessar que num mundo em que eu vou ter que ter foco e estudar e ainda ser organizada com as minhas coisas, na parte do conhecimento eu nado de braçada. É um ponto mais tranquilo entre outros mais difíceis. Mas me comprometo à replicar o conteúdo para elevar minha curva de aprendizado.

Então pois é. É um post prático buscando mais que o que tá escrito vira compromisso.

Só precisamos sair por ai

Vou contar uma coisa vergonhosa, e por isso um tanto quanto secreta, mas tenho uma fotógrafa favorita de casamentos*. Começou com o casamento de uma irmã de um amigo e dali em diante foram alguns anos acessando o blog para ver outros casamentos. SIM. Finalmente atingi o clichê que cerca a vida de quem tem quase 30 anos: adoro fotos de casamento. Mas enfim. Acho que faz parte do ciclo da vida ou algo assim, porque já vi inclusive amigas que juram de pé juntos que não-acreditam-em-casamento escolhendo estilo de vestido de noiva (pra casar com alguém inexistente até o momento).

Acontece que minha fotógrafa favorita de casamentos, alguns meses atrás, parou com tudo e foi dar uma volta ao mundo. Assim mesmo, tirar altas da vida e ir passear. E eu fiquei por aqui me contentando com as fotos de casamentos de amigos e conhecidos no facebook, porque afinal, os 30 só se aproximam. E sempre esse pensamento clichê da encalhada que soy: MAS MEU DEUS DO CÉU, PORQUE TÁ TODO MUNDO CASANDO E EU EM CASA NUMA SEXTA A NOITE? (sim, eu sei, são interligados os fatos, tô consciente).

Eis que a moça (fotógrafa favorita) volta de viagem. E faz um post que me gera alegria tremeda – ela voltou! Mas no meio do post ela conta que tava passeando no Egito e conheceu um inglês, eles se apaixonaram e ela tá mudando pra lá. Assim. Acabou fotos de casamento e ainda por cima ela tá me abandonando para ser ~feliz para sempre~. Puxa.

Recapitulando, em seis meses: pausa a vida pra dar volta ao mundo, vai pro Egito, pega um gringo, se apaixona, muda pra Inglaterra.

Tá bom. Pra quem passou anos vendo o amor dos outros (e os retratando de maneira incrível), é mais que merecido. Né? O universo é um lugar justo.

Justo, né, universo?

Eu sei que esse tipo de coisa acontece com os predispostos, da minha casa às sextas-a-noite é que eu não vou mudar minha vida inteira. Vou sair mais, tá bom, universo? Quem sabe ir pro Egito (“tem que ter charme para dança bonito” – É o Tchan).

Ass: Bridget Jones, uma gordinha atrapalhada.

é sim, é duma hipocrisia profunda o conteúdo do post e a foto em questão.

* É isso ai mesmo que você leu (Se quiser depois passo o link, inclusive. E ainda mostro meu casamento favorito. *-*)

Fortes x frágeis

“Mas você precisa?”
Pergunta feita quando eu respondi que uma mulher podia sim, se quisesse, trocar o pneu de um caminhão.

É duma obviedade sem tamanho – ao menos para mim, mas vivemos em épocas que o óbvio sempre precisa ser reafirmado – que se uma mulher quiser, ou precisar, fazer qualquer coisa, a coisa será feita. Pode não ser a tarefa mais fácil do mundo. O sistema, as coisas, até mesmo a questão física pode estar contra você, mas ó, possível é.

“Mas não seria mais fácil pedir ajudar?”.

Seria? Porque não é uma necessidade tremenda – minha – a de nos afirmarmos como seres independentes e capazes? Pedir ajuda, quando não tarefa de manipulação – ai sim arte feminina (sou dessas) – não é admitir fraqueza? Ainda mais quando o “não-fazer” é mais fruto de preguiça do que da ausência de capacidade?

A feminilidade, em tese, acaba por contrariar – assim, por alto, sem tanta pesquisa – o conceito básico do feminismo, por tomar como femininos uma série de comportamentos específicos, como “cuidar”, “criatividade”, “abertura”. Ele vai direto numa cultura dominante que toma o feminino como sexo como frágil e que demanda maior “cuidado”, pois o papel do homem são as atividades “mais físicas”, mas também questões de liderança (oi sociedade patriarcal). A feminilidade é quem pratica os padrões de beleza impostos socialmente como ideais, seja a magreza excessiva, os cabelos escovados, a maquiagem bem-feita, o uso de salto-alto, todos os quais eu nego em prática (uns porque não tá fácil pra ninguém, outros porque me aceito bem como sou).

Ou seja, se me falta feminilidade, me falta justamente pelo feminismo de reafirmar que o meu sexo é capaz de tudo aquilo que deseja. E se a falta de “delicadeza” ligada à feminilidade bloqueia as coisas como constituir uma família, olha, veja-me bem, mundo: você é um machista incrível. E fico cá eu com os meus princípios não sendo menos mulher por achar que quando eu tenho que carregar algum peso, faria parte pedir ajuda. Das minhas lutas sei eu.

Hmpft.

Sin volver a ser lo que era

Quando eu era pequena, tinha muito medo de andar sozinha pela casa. A razão era clara: temia uma aparição de Nossa Senhora Aparecida. Sim, isso mesmo. Tinha certeza que era uma criança tão boa, mas tão boa, que a santa só não aparecia pra mim porque todo dia eu rezava: “por favor, não aparece pra mim”. Malditas crianças de Fátima, criando traumas por ai.

O ponto realmente essencial nisso ai é claro: eu me achava a melhor pessoa do mundo. E melhor no sentido de boa mesmo. Gentil. Amável. Incapaz de pensamentos ruins sobre o outro. Com uma capacidade de perdão tão divino, que, porque é mesmo que não apareceria uma santa na minha frente, gente? Me explica como santíssima trindade resistiria à uma criança tão boa?

Mas felizmente (adeus aparições) o tempo passou e eu adquiri mais consciência que, no final das contas, eu não era tão boazinha assim. Na verdade existia maldade dentro de mim desde sempre, mas só resolvi abraçar depois dos 18. E daí pra imaginar bolas de fogo incinerando chefe-mirim pelos corredores do trabalho, ó, um pulo (de santa pra psycho, pergunte-me como).

Um dia que eu percebi que as pessoas não precisavam gostar de mim (maior lição que as boazinhas podem ter na vida: AS PESSOAS PODEM TE DETESTAR E VOCÊ VIVER LIVREMENTE NESSA) e que, mais relevante ainda, eu posso, devo, amo, pratico detestar os outros. E desse dia em diante, guardei rancor e mágoa de quem bem entendi. Só que eu preciso tirar essa amargura do meu peito. Isso é uma coisa que eu sei há anos. Ganho nada com tanta birra. Então vamos lá, novo lema:

DESAPEGA, DESAPEGA, DESAPEGA.

(Não que eu tenha voltado para a bondade, veja só. Mas apenas quero tirar de mim esses sentimentos ruins!!!)

Ps: na realidade, eu continuo me considerando uma pessoa genuinamente boa. Desde minhas preocupações com direcionamento de carreira, minha prática no dia a dia, minha maneira de tratar o outro. Mas isso não me impede de torcer pra que neguinho tropece na escada ou queime a boca bebendo café. Sei lá. Desejar o mal faz parte. :p