I had to try it

Se você está perdido, eu tenho um motivo muito bom para você me escutar: eu já me perdi. Muito. Eu já estive naquele ponto assustador no qual você não se arrepende de ter chegado, porque o de antes não era o que você queria, mas que também não sabe como você vai sair dali. Desespero. Pior que isso, ainda, é quando você não conseguiu nem ir embora de onde não tava bom, dotado por um senso de responsabilidade que diz “melhor qualquer coisa do que coisa nenhuma”.

Não. Não é assim que deve ser. Nós fomos criados para sermos felizes. Somos dessa geração louca que acredita que a vida não é assim mesmo, que acredita que nem todo mundo é infeliz no trabalho, que acredita que o amanhã é o melhor de hoje. Nós temos a obrigação de sermos felizes.

Seu pai acha que é uma dádiva essas chances todas que você tem. Essa educação toda, essa formação toda, esse investimento enorme. Na sua idade ele já era casado. Se pá já tinha filho. Se não tinha, tava perto. Não faltava muito pra vir o 1º carro, pra ter um apartamento. Na sua idade, ele sofria de sol a sol, “emprego a gente tem, não escolhe”. O que ele não sabe é que esse suor todo em épocas passadas te deu essa desgraça de felicidade (na verdade, uma benção, obrigada mãe, obrigada pai) pela qual você é responsável.

Como é que você, essa coca-cola toda, vai dar errado? Como é que você vai acordar amanhã e não mudar o mundo? Ou acordar amanhã e não trabalhar em uma multinacional? Como se explicar que você não ganha o salário que você tanto estudou pra ter (e que seu pai cobra que você tenha, né. Taí gerando gastos pros pais nessa altura da vida)?.

Então, já estive nessa também (estou?).

Então, fala comigo que eu te entendo. E me escuta, porque eu sei do que eu estou falando.

Anúncios

That always makes me think

Ele me fala que saiu um guia novo.

Que ele já tem a cópia, mas não pode me passar porque é só pra membros e é com senha. Que pena, não é mesmo?

Tudo bem que eu fiz todo o cadastro dele, porque ele não fala inglês, e passei no meu cartão a filiação, porque ele não tem cartão internacional, e ele ficou me devendo 500 reais e eventualmente me pagou (e prometo nunca mais emprestar meu limite de cartão pra ninguém, porque é muito ruim isso de cobrar dinheiro das pessoas e eu tive que deixar de ir na final da Libertadores porque não tinha 500 reais na conta naquela data porque ele ainda não tinha pago – embora já tivesse uma semana que eu tivesse cobrado. Ok, tô tentando culpar ele por isso, mas a verdade é que eu não quis gastar 500 reais no ingresso, eu poderia pedir emprestado o dinheiro, eu sei disso).

O que ele não pensou bem sobre é que, como fui eu que fiz o cadastro dele, fui eu que criei a senha. Ele não lembra que outro dia não conseguiu entrar no site e ficou me ligando enquanto eu tava de férias, violando as minhas sagradas férias, porque queria que eu entrasse pra ele, como se eu fosse uma secretaria, o que me fez ficar bem puta, um por não respeitar minhas férias, dois por me tratar como secretária quando minha carteira de trabalho diz "analista". O que ele realmente não sabe é que, quando entrei dessa vez, apareceu um pop up contando que o guia tinha saído, com o link de download e eu baixei no meu computador. E que eu acesso com a senha dele. Acesso quantas vezes eu quiser. E ele pode até mudar a senha, mas esse arquivo sempre vai ter a senha antiga. A que eu criei, no meu computador, enquanto colocava os dados do meu cartão.

Então tá tudo bem você ser egoísta e meio babaca, que a vida fica mais justa de sua própria maneira.

Oh lately, life has been such a drag

Já disse aqui algumas vezes, é importante sacar que as coisas não são sobre você. É isso mesmo, você não é o centro do mundo. Mesmo o que é dito pra você, na verdade não é sobre você, é sobre quem diz. Não leve pro pessoal.

Isso ai de cima eu sei. Muito diferente disso é viver.

Balada (BA-LA-DA), sexta-feira. Salto matando meu pé, uma dúzia de desconhecidos e uma obrigação de estar ali porque “ai, adoro a noiva”. Extremamente autociente da minha falta de saco e vontade de estar naquele lugar, cercada de rapazes com o cabelo mais arrumado que o meu e meninas de vestido colado. Não sou assim.

Mas, né. Lá estamos. A banda toca Guns e Aerosmith, longe de serem minhas bandas favoritas, mas com a vantagem de todas as músicas serem conhecidas. Contando as horas pra ir embora enquanto canto as músicas. Uma afirma “meu Deus, como tem homem bonito aqui”. Sério? Porque nem olhar pro lados eu olhei. De boas. Porque né. Não sou do jeito das meninas dali, nem vale o esforço.

Acaba o primeiro show. Bom pra ir embora. Duas da manhã. Educadérrima. Tô até bocejando, tem mais gente indo embora, parti. Ai ela me para. Ela, desconhecida conhecida, amiga-da-amiga. “Você é linda”. E depois do “linda” veio a parte que não era pra mim. Te juro. Ela disse pra mim, mas, na verdade, dizia pra si mesma. E no final emendou “acho incrível que alguém como você saia e conviva normalmente com as pessoas, porque quando eu era igual a você, eu era uma idiota”. Era sobre ela, tá vendo. Até se chamou de idiota. Mas no meio daquilo tudo me chamou de ET, vocês viram também. “Alguém como você” claramente é alguém diferente dos outros. Monstro. Convivendo normalmente, meu Deus, como ouso?!

Imaginemos que você veja um casal gay. Tão lá de boa. Você chega e diz “Nossa, parabéns por pessoas como vocês estarem aqui, na rua, e convivam normalmente com as pessoas, porque se fosse eu, olha, eu não saia de casa não, heim”. Um cadeirante: “alguém como você aqui na rua, convivendo normalmente, se fosse eu, olha…”. Uma pessoa de 1,48: “eu sei que não é fácil ser mais baixa que a média brasileira, nossa, alguém como você na balada, acho incrível”.

In-crí-vel.

Por via das dúvidas passei o sábado inteiro sem por os pés pra fora de casa. Sabe-se lá se a minha presença alienígena monstruosa gera qualquer outra ação adversa.

*Um conselho: guarde pra você o que for sobre você. Beijos.

**Uma tendência exagerada e masoquista de pegar o que é dos outros, levar pra casa e passar a vida tentando entender.

*** Na verdade resolvi achar a dita cuja muito mal resolvida e levar mais tranquilamente a coisa toda em si. Mas se eu estava autociente no início da festa, agora sou o centro do mundo e só existe meu peso.

Dia dos pais

Talvez o maior sinal de que crescemos é o dia percebemos que nossos pais são humanos. Que eles erram, que tem defeitos, que querem coisas diferentes que as que acreditamos que seria melhor. É meio a quebra de um encanto, porque durante a maior parte da nossa adolescência/infância (ou seja, a maior parte da minha vida até agora) a gente tem esses heróis perfeitos, moldes de como o mundo é/deveria ser. Um dia você vai crescendo e as expectativas vão caindo e você vai aprendendo que seus pais “são assim”, “são assado” e apesar de não serem os melhores pais do mundo (pais de filme, de TV, de cinema), são eles que te possibilitaram ser qualquer coisa que você seja.

Meu pai tem um quadrizilhão de imperfeições e posso citar todas elas de cabeça. Mas no final das contas, ano passado aprendi que prefiro quase qualquer porrada na vida do que ter que imaginar uma vida sem ele. E sem minha mãe também.

Então celebremos, apesar de tudo, esse tipo de amor que é o maior do mundo. Esse amor que ama  humanos, imperfeitos e reais. Porque se o amor existe, foram eles que te ensinaram.

All the smiles and sighs

Alô você que tem namorada. É você mesmo. Se namorar, não seja um querido. Assim mesmo. Se você namora, não vá no aniversário sozinho demonstrando que você faz toda questão do mundo de estar lá. Não leia no facebook um check-in e ligue perguntando se pode vir também. Se seu time ganha um campeonato, não vá comemorar sozinho com quem você não namora. Não faça essas coisas.

Se você namora, não dedique seu tempo a outra via sms, facebook e whats up. Se você namora, não fale que outra menina é louca por você só pra provocar ela, não fale. Se você namora, não leve ela até o carro toda vez que vocês se vêem. Se você namora, não olhe pra outra garota o tempo todo. Se você namora, não fale de outra menina pros outros. Se você namora, acabe com esse lance de abraços demorados e olhar profundos olho-no-olho. Se você namora, fale mais da sua namorada e do seu seu namoro. Se você namora, não encha de carinhos e beijos outra que não sua namorada, não faça isso.

Não faça nada disso porque no fundo, na real mesmo, você não estará sendo um querido. Estará sendo um filho de uma puta, desgraçado e egoísta. E você vai estar sendo assim com duas pessoas, eu e a sua respectiva senhora. E vamos combinar, ela pode até ser uma chata de galocha, mas eu não tenho nada a ver com isso. Eu não quero que você traia sua namorada. Não comigo. Eu não vou fazer nada.

E de boas, eu não preciso de mais amigos. E mesmo assim, se você, no fim de tudo, realmente quiser ser meu best, ai ai ai, não pode viver sem mim, seja de fato um querido e me apresente logo amigos que prestem.

Um beijo.