“STOP NOW!”, you´ll say.

Funciona mais ou menos assim: um cara, por razões que nunca saberemos ou entenderemos, pira em mim. E fica ali, ao redor, tipo eu fico quando invento alguém na minha cabeça. Sendo o mais legal possível, fazendo o melhor possível para ter assunto sempre e no meio daquilo tudo, chamar para uma saída.

Mas também ocorre bem assim: ele não é quem eu quero. E isso meio que basta para que, apesar de estar bem ali, não seja opção concreta. Não é inteligente o suficiente, é nerd demais, gagueja quando conversa comigo ou qualquer motivo bem babaca que eu arranjo, não conscientemente, para não dar chance à coisa nenhuma.

Aí passa um tempinho e o infeliz (porém finalmente feliz) arranja uma namorada. E ela sempre é bacana. Sério. Sempre ótima. Sempre meninas bonitas, legais e normais (assim, dado que ninguém é realmente perfeito). Daí, como a pessoa ridícula (RIDÍCULAAAAAM) que sou, eu frito. FRITO. Tipo, fico louca comigo.

COMOÉQUEUNÃOAPROVEITEIAQUELECARAÓTIMOQUETAVABEMALI, bem assim tudo junto e confuso. Mas como é mesmo que eu nunca considerei esse cara opção? E fico bem bolada. Bem bolada por eu ser essa JOÇA PRECONCEITUOSA E ROTULADORA, ALÉM DE AUTO SABOTADORA QUE NINGUÉM – E PRINCIPALMENTE EU – DÁ CONTA.

Tempos difíceis, não é? Já disse: difíceis.

Por um mundo em que eu seja menos ridículam.

I can’t be sitting round here waiting

Minha psicóloga é uma enorme fonte de livros de autoajuda, enquanto eu sou uma péssima leitora crítica sobre o tema. Não é que eu não tente, porque dou uma chance a cada um deles. Mas rapidamente aquilo tudo me vence e eu fecho o livro pensando “cê tá me zoando que tem quem leve isso tudo a sério?”. E livro devolvido na terapia. Nem minto dizendo que li (inclusive mentir na terapia é um caminho que eu já tentei e er, não dá certo).

Mas tem um (sempre tem) que parece uma enorme baboseira (sempre parecem), mas que, de fato, me passou uma visão nova sobre as coisas.  Não bastaste o disparate (que ficará mais absurdo quando você clicar aqui e descobrir sobre o livro), eu ainda passo o livro para frente. E AS RECEPTORAS AGRADECEM.

É que no reino em que eu já levei foras de profetas porque escutava “vi o nosso futuro e ele não era bonito”, claramente dizendo que EUZINHA era INAMORÁVEL (que no final das contas só quer dizer que eu sou bem difícil com essa personalidade *ótima*), o livro faz sentido. Como também faz sentido para as coleguinhas de personalidade forte e senso crítico alto. Numa relação (não que na vida eu tenha alguma, já que o futuro com gatinhos de estimação e solidão eterna se aproxima rapidamente) sempre tem um lado mais forte. Um papel dominante. E fácil perceber, pensa na sua casa, quem manda? Lá em casa é minha mãe. E filha de peixinho que muitas somos…

Mas calma. NUMA TENTATIVA CORAJOSA DE FREIAR O FUTURO, minha terapeuta me passou um livro novo (agora você pode rir, está permitido): O SEGREDO DAS MULHERES A-P-A-I-X-O-N-A-N-T-ES (meaning, não sou).

Enfim. Tentarei. Mas com passos tímidos, porque nem na bolsa tive coragem de pôr, vai que alguém vê é como é que eu me explico? “Er, moço, é que tá difícil”.

Se der certo recomendo pra galere.

But still I hesitate because of fear

Eu queria te contar que você já foi tema da minha terapia.

Calma. Não quer dizer que eu te ame ou nada intenso assim. Não amo (nem um pouquinho, pra te ser sincera). Pra bem da verdade, eu não te conheço. Assim como você não me conhece.

É justamente isso que eu discuto na terapia. O fato de eu não deixar você me conhecer. Não ter deixado, porque é passado, né. Não deixei. Raramente deixo alguém. A gente saí, eu fico ali com meios sorrisos, tentando ser a pessoa mais agradável-legal-sensata-divertida do mundo. E no final não sou nada. No final não sou eu (eu não sou MESMO a pessoa mais agradável-legal-sensata-divertida do mundo, afinal de contas).

E isso é, sinceramente, perder o melhor de mim. Mesmo que a agradabilidade-sensatez-diversão completas passem longe, estou convicta que ofereço muita coisa. E ao não te conhecer, muito provavelmente perdi o melhor sobre você.

Mas tudo bem, viu. Porque a vida foi feita pra ser mesmo assim, feita de milhares de fins de coisas que nem começaram. Se tudo começasse, se tudo importasse, e pra daí terminar, isso significaria que tudo doeria, e ai que tragédia seria esses fins todos.

Na terapia, depois dessa conversa, a conclusão que chegamos (a terapeuta e eu) é que eu preciso passar mais batom.

Pois é.

Você é, indiretamente, responsável pelos meus lábios estarem vermelhos nessa manhã preguiçosa de um outubro gelado. Fica aqui meu obrigada.