É preciso inventar de novo o amor

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Little darling, it seems like a year since it’s been that clear

Que 2014 nos traga mais amor próprio e capacidade de se perdoar. Que venha junto uma intenção bonita de recomeço, que na verdade é um grande “continuar apesar de”. Que nos dê coragem para tentar de novo e de novo, e nos dê audácia para sair da zona de conforto. Que 2014 nos dê capacidade de superar os rancores que sejam necessários (mas manter o que esbarrarem na barreira do amor próprio – afinal de contas, somos humanos).

Desejo a mim, e a vocês, maturidade para olhar para frente e sentir uma paz de espírito que só aqueles que têm fé (em si, em algo, no mundo) conseguem atingir.

E para fazer justiça ao universo, agradecer esse 2013, com suas pancadas, com suas dores, com seus aprendizados, com suas alegrias, com sua afirmativa da certeza de que, enfim, somos capazes.

 

Tinderetando

Baixei o Tinder no celular vários meses depois que minhas amigas já o haviam feito. Inclusive elas já pararam de usar, tão atrasada estou. Serei sincera que, como qualquer ser humano minimamente racional, acho uma babaquice essa objetificação da imagem própria que andamos fazendo por ai (afinal de contas, descartar ou aprovar uma pessoa com base em 3 ou 4 fotos e uns amigos em comum passa por aí). Mas serei ainda mais sincera ainda que não havia baixado o Tinder na época de coqueluche (gíria idosa) das minhas amigas por medo de  conhecer um cara pelo ~app~ e ele não gostar de mim. Insegura, yooooo???

Mas daí, provando o ser humano baixo que sou, baixei o app depois que uma coleguinha do trabalho, menos bonita do que eu, conheceu um cara legal por lá. Eu sei. RIDÍCULAM, como sempre. Daí ando me divertindo mais em dar xizinhos nos caras do que em ter flertes descontraídos (o que reflete bastante o jeito RIDÍCULOM que sou).

Enfim, uma das metas para 2014 é sair mais de casa (e dar menos xizinhos e distribuir mais coraçõezinhos – metaforicamente falando, provavelmente o Tinder no meu celular não chega nem em 2014).

 

Tamos na pixxxxta (ou intencionamos estar).

I hope you get my dreams

Ensaiei, como se pode ver no post abaixo, uma grande ansiedade. Dessas que a gente come todos os planetas do sistema solar e Plutão também. E daí, às quatro da tarde, quando o telefone ainda não tinha tocado, eu mesma fiz a ligação para ouvir a pessoa, meio que rindo do outro lado da linha, que não tinha resposta ainda.

Tudo bem.  Nesse final de semana, em compensação, redirecionei minha ansiedade (necessariamente presente e ativa) para o Atlético e o Mundial de Clubes. Agora tô ótima (fora ficar procurando jornais alemães e marroquinos e traduzindo pelo google translator seus conteúdos.

Outro dia me disseram que eu uso o futebol como uma desculpa para ausências e presenças de força de vontade. Quer saber? Ainda bem que faço isso).

And so on

Eu não matei aula para beber. E nem pra fuder, nem ninguém, nem a mim mesma, nem ser fodida por outrem. Eu não menti pra minha mãe, ou pro meu pai, não viajei escondido e nem inventei que estava onde não estava para encobrir o que eu, na verdade, queria fazer. Eu não frequentei bares no centro, não fumei escondido, não fingi que era outro alguém. Eu não usei drogas, não fiquei bêbada de cair, não tropecei em nenhum momento. Eu não fui errada nem um dia da minha vida.

Minhas maiores preocupações sempre foram dar conta. Dar conta de ser, de viver, de resistir, de aguentar, de conquistar, de tentar, de recuperar, de resistir, de superar, de emagrecer, de sobreviver. Na infância, na adolescência, na vida adulta, uma eterna tentativa de buscar ser eu.

Sempre certa. Sufocadamente certa. Direita. Direta.  

No final de contas, o único trabalho que eu dei foi pra mim mesma. 

 

Tic tac

Saio de casa com uma hora de antecedência, como boa ansiosa que sou. O google maps me diz que até lá “são 20 minutos”, então tá tudo bem. Verdade que quando coloco o endereço ele me mostra os fundos de um supermercado e uma mata (mas eles vivem errando numeração de ruas, né. Então tudo bem). Então tudo bem.

20 minutos antes de sair já estou pronta. Listrinhas ou bolinhas? Estou vestida de bolinhas. Resolvo provar as listras. Descubro que está no cesto de roupa suja. Bom critério, bolinhas porque é o que está disponível. O salto mais baixo ou o mais alto? Essa nem é difícil. O mais alto, porque não vou andar (?!).

Saio tranquila. Ensaiando o que eu vou dizer até. Me fazendo de super: super ótima, super segura, super experiente, super com vontade.  Vou subindo a BR. Nossa, quanto engarrafamento pela direita, vou pela faixa do meio. Opa, é bem ali. E descubro que tinha que estar na faixa engarrafada. Tudo bem, 5:15. Tenho RIOS de tempo.

O retorno é longe, porque se trata de estrada. O caminho de volta tem trânsito. Tudo bem. Chego no retorno debaixo e já são 5:30. Tudo bem, tudo bem. 30 minutos dá tempo. Passo num desses relógios de rua e percebo que o do carro estava lindos 5 minutos atrasado. PORQUE FAZEIS ISSO COMIGO?

Adivinha quem, apesar de, na segunda vez, estar na faixa certa, errou a entrada? Isso mesmo, euzinha. E já eram 5:45. Berros, gritos. Ameaço chorar. Readquiro controle. Rezo. Peço. Imploro. Trânsito. Desespero. Buzinas, carros ao redor, quem se importa.  Imagina quão desesperador seria se eu batesse o carro bem agora? Paro de ser louca.

Finalmente, às 6, mais ou menos no lugar certo, tendo finalmente acertado a entrada, decido parar em qualquer lugar e ir a pé. O qualquer lugar é uma loja. Pago estacionamento, levo xingo, o que for. O importante é me livrar do carro. Saio da loja e pergunto pra um qualquer: “moço, o número tal fica pra direta ou pra esquerda?”.

Obviamente não sabe. Ninguém sabe. Descubro que a rua é circular, o que significa que ela dá uma volta no quarteirão e todo ele é a mesma rua. Putaquepariu, quem é que inventa essas inconsistências? A rua é esquina com ela mesma  4 vezes! Decido ir pra direita.

O caminho se prova errado em 5 minutos. Só tinha mata. Realmente o google mostra o ponto errado, porque eu estava lá e não tinha torre nenhuma.  Mas o caminho é redondo, eventualmente chegaria no ÚNICO prédio dali. De salto. De blusa de bolinhas. De maquiagem. Com 30 graus. Derretendo. E com o pé doendo. Aliás, importante dizer que recém descobri que piso tortíssimo com o pé direito. Enfim…

Em 15 minutos chego ao prédio. Não me liberam na portaria por outros enormes e gigantescos e eternos mais cinco minutos (a burocracia da segurança) e quando chego no 20º andar, tenho que esperar, sentadinha e no ar condicionado, 10 minutos porque eles ainda não tinham terminado outra entrevista.

Um ode aos atrasados.