And so on

Eu não matei aula para beber. E nem pra fuder, nem ninguém, nem a mim mesma, nem ser fodida por outrem. Eu não menti pra minha mãe, ou pro meu pai, não viajei escondido e nem inventei que estava onde não estava para encobrir o que eu, na verdade, queria fazer. Eu não frequentei bares no centro, não fumei escondido, não fingi que era outro alguém. Eu não usei drogas, não fiquei bêbada de cair, não tropecei em nenhum momento. Eu não fui errada nem um dia da minha vida.

Minhas maiores preocupações sempre foram dar conta. Dar conta de ser, de viver, de resistir, de aguentar, de conquistar, de tentar, de recuperar, de resistir, de superar, de emagrecer, de sobreviver. Na infância, na adolescência, na vida adulta, uma eterna tentativa de buscar ser eu.

Sempre certa. Sufocadamente certa. Direita. Direta.  

No final de contas, o único trabalho que eu dei foi pra mim mesma. 

 

One thought on “And so on

  1. Céus, isso é exatamente o que sinto. Eu não errei, não pequei, não fugi. Hoje quero fugir de mim mesma e dos arrependimentos, sou nova, mas ainda continuo a querer fugir – mas continuo aqui. Boa noite.

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