Eu não quero o medo, mas eis-lo aqui.

Me dão um projeto bem grande, daquele que passa pelo caminho dos meus sonhos. Me falam que é pela minha capacidade técnica e de negociação. Me enchem a bola. Fatos comprovam a competência. Oh yes, baby.

Mas antes mesmo de eu empolgar, vem alguém dali e diz “é fria”, vem ali de acolá e manda “não empolga não”. Todas esses pensamentos ruins que na minha vida sou eu mesma quem faço, mas quando vem do outro, ao invés de me achar esperta de estar fugindo da fria, me acho trouxa de não ver tudo com tanta clareza. Dos coleguinhas, é sabotagem ou conselho amigo? Nunca saberemos.  “Não se empolga com o sucesso”, ecoa na minha mente. “Recalcada”, eu falo baixinho em resposta.

Dada a influência externa, assustadiça que sou e acostumada a ver o lado ruim de tudo (meu “jeitinho”), fico confusa. A promoção parece tropeço e de repente nem o aumento que eu preciso e quero fica parecendo suficiente para fazer, do projeto bem grande, meu (mas ainda assim, na verdade, eu acredito que eu mereço crescer pelo que fiz até agora – agora a turma do auditória canta: ELA MERECE, ELA MERECE, ELA MERECE).

Passo dias NO SOFRIMENTO, sofrendo da maneira que sei sofrer: comendo que nem uma louca (na dor também tem prazer). E depois de descontar toda a ansiedade em mim (orgulho da mamãe, exemplo de autocontrole) e conversar aqui e acolá com gente que na verdade não sabe de nada, mas que me diz sim, decido dizer sim.

Pode ser missão suicida? SIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIM.

Posso ficar louca de tanto trabalhar? SIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIM!´

Tô morrendo de medo? MAS COM CERTEZA ABSOLUTA!!!!”””’

Mas mesmo assim. Eis eu aqui, gerenciando um projeto que capacita 6 mil pessoas, emprega uma parcela boa desses supracitados e tem um financiamento, projeto-socialmente falando, bacana. Parte do sonho, coisa e tal. Minha chance de fazer as coisas certas em um projeto que faz diferença.

Let the games begin. 

Eu vezes eu, quanto que dá?

Às vezes me sinto heroína, como se o mundo fosse melhor só de eu existir. Dá aquele orgulhinho (reprimido, porque humildade é qualidade), que tudo só deu certo porque eu existo. Tem vez que é o contrário. Sem futuro. Sem esperança. Sem mudança. Sem destino. Focada em dar errado, sem sucesso, para sempre sozinha.

Vario entre completamente foda e uma bosta total.

Será a humanidade toda bipolar quando em pensamentos autocentrados ou só eu que sinto tudo um pouco demais?

 

Uma música pra você que seja pra gente dormir

Tem aquela música do Erasmo com a Marisa Monte que diz assim: “não quero ver você tão triste assim”… “não chore mais, não fica assim”.

Mas eu queria te dizer para chorar muito. Para ficar triste sim. Porque eu percebi que nós temos que honrar os nossos sentimentos e sentir as nossas dores para que sejamos mais completos, mais humanos, mais inteiros, mais verdadeiros.

Te desejo muito choro. Te desejo o quanto for necessário. Te desejo o tanto que for preciso para quando você respirar, não sentir abafado. Te desejo o meu colo. Te desejo o meu amor. O amor dos outros também. O abraço dos outros.

Não quero ver você sozinha. Não quero ver você com medo. Não quero ver você sem esperança. Não quero ver você sem paz. Quero você com amor bastante.

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Pra nunca mais dizer que eu morro disso

A história: menina tem amigo e um dia acorda e pare, dentro da própria cabeça, um amor daqueles inventados.  O rapaz, rapaz que é, cede aos assédios, porque né, a carne é fraca e o caráter tende a ser também. A moça, com-ple-ta-men-te APAIXONADA, supre suas carências emocionais tomando conta da vida do mocinho. De repente ela cuida das finanças pessoais, opina sobre o destino de férias e convence o trouxa de que não, ele não tá a fim da gostosa do trabalho. Ele, obediente que é, viaja para ir ao aniversário dela, responde um zilhão de mensagens, e, basicamente, tá sempre ali.

Já ouviu essa história?

 De mim, talvez?

Mas não é minha.

É da amiga da amiga, mas o que importa nem é o sofrimento compartilhado, mas o fato de que a amiga (no caso, a minha) perguntou pra outra: Mas olha aqui, você quer um cara que precise ou que goste de você?

Porque vejam bem, ora senhores, o rapaz acima, e o que era da minha história, e o que foi o da sua… eles todos, eles precisavam da gente. Nós éramos IMPORTANTÍSSIMAS NAS VIDAS DELES. Meus Deus do céu,  como poderiam eles viver sem nós, pessoas assim, tão incríveis?

Você lembra que merda ele era antes de você? Eu lembro bem. Ele se tornou melhor por mim. Pra mim. No final das contas, ele precisava de mim.

Mas ele nunca gostou de mim. E daí ficou ecoando:

Gostar ou precisar?

Precisar ou gostar?

E grande pergunta nem é a escolha em questão (mesmo porque é óbvia).A que ponto chegamos cheguei (de desespero) de tentar me tornar essencial da maneira que fosse para ter qualquer migalha daquilo que não era amor?

Por uma vida de mais gostar e menos precisão.

 

Por uma vida em que eu goste mais de mim do que de qualquer pessoa.