Pra nunca mais dizer que eu morro disso

A história: menina tem amigo e um dia acorda e pare, dentro da própria cabeça, um amor daqueles inventados.  O rapaz, rapaz que é, cede aos assédios, porque né, a carne é fraca e o caráter tende a ser também. A moça, com-ple-ta-men-te APAIXONADA, supre suas carências emocionais tomando conta da vida do mocinho. De repente ela cuida das finanças pessoais, opina sobre o destino de férias e convence o trouxa de que não, ele não tá a fim da gostosa do trabalho. Ele, obediente que é, viaja para ir ao aniversário dela, responde um zilhão de mensagens, e, basicamente, tá sempre ali.

Já ouviu essa história?

 De mim, talvez?

Mas não é minha.

É da amiga da amiga, mas o que importa nem é o sofrimento compartilhado, mas o fato de que a amiga (no caso, a minha) perguntou pra outra: Mas olha aqui, você quer um cara que precise ou que goste de você?

Porque vejam bem, ora senhores, o rapaz acima, e o que era da minha história, e o que foi o da sua… eles todos, eles precisavam da gente. Nós éramos IMPORTANTÍSSIMAS NAS VIDAS DELES. Meus Deus do céu,  como poderiam eles viver sem nós, pessoas assim, tão incríveis?

Você lembra que merda ele era antes de você? Eu lembro bem. Ele se tornou melhor por mim. Pra mim. No final das contas, ele precisava de mim.

Mas ele nunca gostou de mim. E daí ficou ecoando:

Gostar ou precisar?

Precisar ou gostar?

E grande pergunta nem é a escolha em questão (mesmo porque é óbvia).A que ponto chegamos cheguei (de desespero) de tentar me tornar essencial da maneira que fosse para ter qualquer migalha daquilo que não era amor?

Por uma vida de mais gostar e menos precisão.

 

Por uma vida em que eu goste mais de mim do que de qualquer pessoa. 

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One thought on “Pra nunca mais dizer que eu morro disso

  1. Descobri seu blog por acaso nas indicações do Felipe do naoseilidar e gostei tanto de você que comecei a ler o blog tal qual fosse um livro, haha! Hoje li esse post e me identifiquei tanto que até doeu. Eu cheguei ao ponto de ser conselheira oficial do namoro dele, pra quem ele corria contar todas as picuinhas que aconteciam pedindo ajuda. Eu sempre advoguei a favor da moça (que eu sequer conheço), tanto porque pelo que ele contava me parecia que ela tinha razão na maioria das vezes tanto porque (mesmo quando eu achava que ela não tinha tanta razão assim) meu medo de estar ~prejudicando o relacionamento intencionalmente me fazia incentivá-lo cada vez mais em continuar com ela. Queria desesperadamente me tornar essencial para receber, grata, qualquer migalha daquilo que nunca foi amor. Mesmo a consciência não é suficiente para mudarmos a atitude e eu ainda estou tentando.

    Obrigada por dividir comigo =)

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