Dentro de mim já não caibo mais

Até a última vez que eu tinha checado, eu era um segredo. Provavelmente ainda sou. Ele disse que não era segredo, porque não era escondido. Mas é segredo porque ninguém sabe de mim. Enquanto eu fico escrevendo em blog sobre ele, falando na terapia sobre ele, falando com minhas amigas sobre ele, até mesmo falando com a minha mãe sobre ele, para as pessoas da vida dele eu não existo.

Amigas mais coerentes me pediram para não surtar com isso. Homem não fica atualizando homem e nem mãe de vida sentimental, dizem. A gente só passa existir ao ser apresentada ao vivo, dizem.

Num suspiro de consolo ele disse que contou para uma amiga. Sei.

Então eu resolvi escutar e fingir que não ligo. Finjo mesmo. Nunca mais perguntei.Já tem quase mês isso.

(mas enfim, eu não existo).

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Você já não gosta (mais) de mim

Aquele cara que eu fui meio a fim durante metade da faculdade e sempre filho da putamente me administrou, num morde e assopra interminável de anos.Esse por quem eu perdia o sono ansiosa porque ia encontrar e depois levava um bolo, já arrumada, com uma sms avisando 15 minutos antes que não ia rolar. Ainda assim, aquele cara que foi uma das poucas pessoas a me visitar quando eu morava em terras gringas. Aquele cara que todo aniversário me deseja mais ele na vida.

Esse cara.

Sábado eu vi esse cara.

Para minha sorte, eu vi esse cara no toda arrumada, toda maquiada, toda montada no salto. Eu totalmente por cima. E ele me tratou com total desinteresse. Não. Nessa altura do campeonato eu não esperava que ele se apaixonasse subitamente por mim ou tivesse uma crise de arrependimento MASCOMOÉQUEUDEIXEIPASSARFORMOSURADESSAS, eu não queria nada disso. Só que eu esperava um pouco mais de… memória afetiva. 

Esse “desinteresse” geral pelo passado – sendo eu o passado – me deixa deveras frustrada. Eu, quem mais eu, tão importante na sua história (na verdade, você, quem mais que você, tão importante na minha), age ai como se não fosse nada. Como se eu não fosse nada.  

Mas enfim, a pegada foi fingir ser gente grande, empinar o nariz e dançar sozinha na pista de dança. Talvez aos 29 eu seja um pouquinho mais inteligente que aos 21. Mas ó, os drama de rejeição seguem tudo aí.

La vida cabe en un clic

Na faculdade tive duas veteranas, uma da minha universidade e outra de um pouquinho mais longe, que moldaram muito meus achados e achismos durante essa época tão importante da vida – dos 18 aos 21 anos. Quando eu tava começando a ser eu, eu tinha elas sendo elas ali na frente, tão inspiradoras, sem nem saber. Não eram do meu círculo principal de amigas. Não eram amigas de tabela. Elas se tornaram minhas, assim como de minha maneira eu me tornei delas.

Muito da minha liberdade sexual, da minha auto-aceitação, dos conceitos iniciais que eu tive de feminismo e de auto respeito surgiram dessas duas, que absolutamente diferentes, me influenciaram sempre. Os caminhos que eu tracei na universidade, as pesquisas que eu fiz, os conceitos que trabalhei e até os erros que cometi, tiveram traços delas.

Há alguns anos atrás vi uma delas casar. Agora tive o prazer de ver a outra. E a primeira já tem um bebê. Oun.

Embora eu saiba o disparate que é associar o casamento ao “tornar-se gente grande”, é inquestionável como o casamento é parte do “adultar-se”*. É absolutamente lindo ver as minhas meninas mais velhas, essas que quando eu tinha 19 pareciam tão maiores aos 21 e 22, mas eram meninas, se tornarem cada vez mais mulheres. Fortes, independentes, capazes e realizando sonhos. A rodo. Seguem sendo inspiradoras. :)

Os amores continuam amáveis.

E é importante reconhecer o papel que outras mulheres tiveram na sua vida ao te ensinar pensar pra fora da caixinha que a gente tão condicionalmente vai vivendo.

*adultar-se: um dos jovens de um projeto meu disse num discurso que ao inseri-los no mercado de trabalho e empurrarmos, de forma forçada e exógena, uma maturidade profissional neles, que o mercado cobra, tínhamos ensinado-os a adultar-se. Nessa hora, que já faz um tempinho, chorei um pouquinho.

** a foto não é do casamento nem de uma e nem de outra. mas só para celebrar o quão importante é ter amigas para celebrar todos os sonhos.

nanda

Where no one can come through

Ele me pergunta se eu sou ciumenta.

Claro que não, respondo eu tão moderna. O ciúme é só o exercício de um sentimento de posse que não faz qualquer sentido, mero reflexo de insegurança.

Claro que sim, sabemos eu, você e todo mundo que me conhece, porque na verdade eu sou uma louca ciumenta e possessiva com as pessoas , coisas, lugares, músicas, o que for. Isso é meu, sai daí, quer morrer????.

Mas então: não, não sou ciumenta para todos os efeitos. E daí conto um caso de uma amiga minha e digo “é a mais bonita de todas”. E ele me pede pra ver uma foto. Envio. Diz que ele não é tão bonita assim (mas Q??? TAS LOCO?) e envia de uma amiga que “esa si, muy linda”. Mas ó, não é para eu preocupar. Ela não dá nem bola pra ele. Ai sim, né. Sem problemas.

Daí eis que eu tô lá de boa no trabalho e vou dar aquela stalkeada básica e eis COM QUEM A PESSOA INTERAGE E DIZ, TODO SE QUERENDO: “me gusta tu pasíon”. A muy linda!!!

Pasión de cu é rola. 

De boas. Hmpft. 

ps: sim, quando não tem problema eu invento.

ps2: sim, eu não sei namorar. e não sei namorar em rede social, principalmente.

ps3: GRRRRRRRRRRRRRRRRR.

Mas o nosso destino nem sequer foi escrito sob o som de uma banda qualquer

De repente é tudo meio preto no branco. Sem adivinhações. Ele diz que gosta de mim porque se sim. E eu também gosto dele, assim. Parece simples. Parece fácil. Ele é 20 vezes mais maduro que eu. É mais inteligente também. E veja bem, não é que eu seja burra. Eu tenho certeza que não sou (já imatura…).

E essa consciência nova que mesmo que se acabar amanhã, já valeu a pena porque escancarou a porta com uma voadora e eu tive que deixar acontecer porque nem mesmo quando eu quis, consegui me auto convencer a fugir?   Estarei eu pronta para lidar com algo em que eu não tenho que inventar para justificar porque a coisa em si simplesmente é?

1 August, 2014 14:55

Eu acho que eu mereço alta. Não só porque eu não tenho vontade de ter mais consultas, mas também porque eu acho que eu estou bem agora. De verdade. Eu juro. Eu enfrentei toda uma crise sozinha (tudo bem, sozinha porque eu faltava às sessões) e tomei decisões bem grandes desde então.

Eu acho que eu mereço alta porque quando uma amiga me perguntou se eu conversei com a minha terapeuta sobre determinado assunto x, minha vontade foi perguntar se por acaso a terapeuta tá sabendo de algo que eu não sei. Porque ó, não preciso da opinião dela para me ver nem certa e nem errada. Os livros de auto-ajuda me foram muito úteis, porém desconfio que hoje conseguiria escrever um por contra própria: "Como ter quase 30 anos e se manter motivada mesmo quando ninguém acredite muito no seu potencial – um manual de sobrevivência depois de decidir que você não vai mais tentar ser do jeito que as pessoas esperam".

Nessa história de autoconhecimento, mergulhei de ponta cabeça, mesmo com o perigo de eu ser muito rasa. Obviamente, eu sempre poderia mais. Sanidade nunca faz mal a ninguém, que eu saiba. Mas se eu não quiser mais? E se, finalmente, meus problemas forem só meus e minhas dores só minhas? E se eu decidir que não vou mais deixar minha tristeza ser ditada pelo problema dos outros? E se eu me deixar ser amada e construir uma relação de verdade?

Eu acho mesmo que você deveria me dar alta porque eu vou fazer uma tatuagem nova. Vão ser três passarinhos, mas só um vai estar voando. Essa vai ser eu.