And the haters gonna hate, love, hate

Não sei se vocês já leram Poliana, mas quando eu li eu achei uma história muito triste. A menina queria uma boneca e ganha muletas e, mesmo assim, fica feliz com isso. A Poliana já era órfã de mãe, com 11 anos fica órfã de pai, e depois disso tudo ainda fica por aí disseminando o “jogo do contente”, que é um tal de ficar feliz com qualquer coisa que venha, até um par de muletas. Numa parte ela fica bem triste, mas daí ela se lembra das próprias sardas e fica tudo bem.

Minha mãe, dia desses, classificou minha personalidade como “estilo Poliana de ser”. E eu achei bem triste. Em primeiro lugar por ser um tanto quanto verdade: eu realmente tento sobreviver num grande “apesar de”. Tento superar dores e dramas mentalmente. Tento trabalhar mentalmente e tenho crescido bastante em manifestar minhas opiniões baseadas em emoções com mais equilíbrio.

Daí vem as coisas ruins, que vem na vida de todo mundo. Na vida de todo mundo tem muita pressão, parente doente, briga familiar, problema com dinheiro, falta de tempo. Mas na vida de todo mundo deveria existir esperança. E não é ver o lado bom (embora Poliana tenha lá sua razão, a gente aprende com tudo nessa vida) em desgraça, é tentar que o amanhã seja melhor.

Minha mãe também diz que eu trabalho tanto em planejamento e comunicação no coaching, mas na minha vida eu falho ~miseravelmente~ (embora lá em cima eu tenha dito que melhorei, heim. IMAGINA SE NÃO). Além do feedback negativo sem pudor (que não é tão real assim, afinal minha mãe tá na lista das mães que amam, mas falam com palavras duras), fica definida, maternamente, uma personalidade contente, porém miserável.

E eu aqui dizendo que curti 2014.

Cause I still don’t know what you never said

O maior problema de tentar confiar em alguém é esse medo eterno de ser trouxa de novo. De criar expectativas, alimentá-las, se deixar ser levado pela confiança e no final para de trouxa. Aí fica essa tentativa de ser sempre mais esperta. De não acreditar. De desconfiar o tempo todo. Só que meio que cansa. E você acaba não confiando em ninguém.

Principalmente não em si mesma. Nem em mim mesma.

Roubo meu sono, quero meu tudo

Eu tenho uma ansiedade bem gigante, dessas de comer um pote de sorvete num dia de espera. E eu fico muito afobada e desesperada e termino coisas antes que elas terminem comigo. E lá vai caixa de bis branco.

Somado a esse jeitinho porpeta, esse lance todo de estar em um relacionamento é um grande desafio.

Eu não sei namorar. Eu não namorei muito nessa vida. Eu nunca tive como identidade ser namorada de ninguém. E aí tô eu aqui nesses 30 anos, um tanto quanto inexperiente, namorando.

E para pior, namorando alguém a distância alguém que foi passar férias na Bolívia (?!) com acesso limitadíssimo à internet. Daí uma vez por dia, e olhe lá, aparecem na minha caixa de email uma mensagem dumas 3 linhas dando sinal de vida.

Meu gmail nunca foi tão acessado nem esperando retorno de processo seletivo.

(ainda bem que é Natal, a comilança faz parte do pacote).

But we were in screaming color

Não sei se vocês já notaram, mas tá na moda voltar a ter cachos.

Isso mesmo. Centenas de meninas até então “oprimidas” pela progressiva agora tentam voltar a ostentar cachinhos, lutando contra a química de tantos anos. Algumas, corajosas, metem a tesoura e “começam tudo de novo” e outras só fingem, fazendo babyliss, rolinho e papelete enquanto o cabelo cresce “agora sem química”. :p

Eu, sempre resistente à química (mentchira, até os 21 fazia um ~relaxamento~ pro cabelo ficar menos cheio), devo ser sincera: MAS QUE PORRA É ESSA?

(para vocês se identificarem, um sentimento semelhante a quando aquela banda cult que até ontem só você escutava passou a ser trilha de uma série muito assistida).

Meu cabelo cacheado foi parte essencial da minha personalidade a auto-afirmação. Ouvi zoações no colégio, sim senhora, e já recebi da assistente da dentista, depois que eu tinha emagrecido horrores, que “agora só falta a progressiva”, e uma vez, ano passado, quem vim trabalhar de escova para que uma colega visse como fico de cabelo ”liso”, ouvi de outra colega “mas porque você não vem sempre com o cabelo arrumadinho assim?”. Mas ao mesmo tempo, já fui parada na rua para perguntarem como eu cuido do cabelo e ouvi do meu argentino preferido que se eu tivesse cachos ele não teria me dado bola…

Tudo isso, pra agora, nego voltar a ter cachinhos por causa de MOOOOODA???

Até as arquinimiga? <o>

O post ridículom – ciúmes de cabelo cacheado???- na verdade é um: espero que façam menos por moda e mais por vocês, meninas. O cabelo cacheado pode ser muito bonito, se bem cuidado. E olha, meu “bem cuidado” não se compara a esses mega kits que eu tenho visto se praticando pelas novas cacheadas por aí. Eu lavo meu cabelo a cada dois dias, hidrato semanalmente e sempre uso creme sem enxague. Recomendo muito uns trens de água de coco para por no cabelo seco quando ele tiver meio amassadinho, como uma amiga me apresentou e eu ainda nem abracei para a vida.

Química é ruim pro cabelo (quebra e faz cair), chapinha nem se fala, e cabelo com progressiva fica feio por um tempinho até você ter “recur$o$ para refazer”. Chega dessa vida de todo mundo igual – inclusive chega desse todo mundo igual com cachinho de papelote. Se seu cabelo é crespo, fazer cachinhos de papelete e progressiva dá quase na mesma (além de mais trabalho). Vocês são lindas do jeito que são. Assume o crespo, nega! E se assistente do dentista ou a colega de trabalho não acham, azar os delas.

E se perguntarem por nós, diga que estamos ótimas

Enquanto para tanta gente esse 2014 não foi bom, tenho que dizer que para mim foi bom sim. Esse ano eu aprendi a me amar mais, aprendi a perdoar mais, aprendi a sorrir mais. Aprendi a estar quando deveria estar. E a abrir mão quando deveria abrir.

Esse ano o universo me premiou com clientes a mais no coaching, com projetos só meus, com viagens tão ricas, com aprendizados muito grandes e com amor. Termino esse ano melhor.

2014 foi um ano bom.

Pretendo encerra-lo em Copacabana, de coroas de flores e olhando pros fogos, bem lindos. Assim, toda clichê e morando num poema mesmo.

I´m saying I’ve been there too a few times

Faz uns meses e um grupo de amigos passou dias, horas, anos, vidas e galáxias falando no whatsapp sobre casamentos e bebês. “Quero mais um em dois anos”, dizia a que já tem um. “A fulaninha vai chegar até segundo semestre de 2016”, dizia outra que ia casar. SURTO. Nem todo mundo tem que querer casar, ora bolas. Nem todo mundo tem que querer ter filho, uai! Eu mesma tava lá num perrengue tentando decidir se ia enfrentar o namoro a distância enquanto as amigas tavam fazendo planos para Letícias, Vitors e Elisas. É CHATO. Então, obviamente, mais uma e eu que estamos ~despreocupadas com formação de família~ ficamos um pouco cansadas da conversa e exercemos um tranks (porém aparentemente ofensivo, conforme me relataram posteriormente): VAMOS FALAR DE OUTRO ASSUNTO???

Domingo retrasado, no mesmíssimo grupo, uma das acima avisou que o Vitor já tá encomendado (embora talvez seja a Lara, já que o sexo ainda não foi descoberto) e outra, também acima, que teremos festão de casamento em um distante (porém próximo) novembro de 2015. Bom demais, né. Amo bebês, adoro festas de casamento e sou do tipo que fico radiante com a felicidade de quem gosto. Mesmo.

Ainda o grupo em questão, nesse final de semana, foi passar dois dias no sítio. Eu tava lá no quarto dos solteiros, termo técnico para quem não foi acompanhado (única mulher solteira, já que as outras tão nas gringas – claramente mais espertas que eu).

Eventualmente levei umas broncas por me autodenominar solteira na designação dos quartos quando namoro a distância (sendo que o que importava é que iria dormir só). E em dado momento, uma amiga casada e bêbada veio me dar um ~conselho~, dizendo que já não tô em idade de ficar brincando (um mês e meio para os 30, oficialmente a idade de não ficar brincando) e que eu tinha que pressionar logo o rapaz sobre o futuro. “Não dá para ficar sendo enrolada, coloca as cartas na mesa, ou você vai para lá ou ele vem pra cá”.

Tenho menos de 6 meses com ele. Obrigada.

PODE: PRESSIONAR A AMIGA A CASAR.
NÃO PODE: MANDAR AS AMIGAS PARAR DE FALAR DE PROCRIAR.

As teias da tradicional família mineira são fortes, rapaz! Até quem um dia se disse vítima tá lá na ação.

Magic and madness

Eu sei que está nevando no blog. Esse blog neva em dezembro. É um fato dele. Fica chato de ler, coisa e tal. Mas vem com o final do ano e eu gosto disso. Marcos de passagem.  A nevezinha do blog mostra que mais um ano passou. E acho que esse ano eu cresci de verdade (também pudera, quase 30 nas costas).

Ele leu a carta, a tal da carta escrita em um distante outubro. Um mês inteiro para ler uma bendita de uma carta, como é que pode. Leu na madrugada de terça-feira. Disse que não tinha resposta e eu fiquei meio com medo. Depois eu percebi que a gente vive a resposta e quem tem medo é ele. Tem medo de tudo ser maior do que a gente possa controlar. A gente tem construído esse amor todo diferente, de longe, mas tão perto. Ele tem na carteira um pedacinho de papel com um verso do Leminski que eu tinha escrito e ele catou, em setembro.

foi tudo muito súbito
tudo muito susto
tudo assim como a resposta
fica quando chega a pergunta

esse isso meio assunto
que é quando a gente está longe
e continua junto

Eu nem sabia, mas Leminski tarrá lá para dizer que as coisas são porque tem que ser. Até futurologia esse meu poeta favorito pratica.

¯\_(ツ)_/¯

Uma coisa que eu aceitei bem nessa vida é que ~certa~ pessoa passa mensagens contraditórias, de duplo sentido. Porém, depois que eu virei uma pessoa bem resolvida (meaning, comprometida), parei de tentar entender tudo que tava acontecendo e ficou tudo bem mais fácil a convivência. Daí fui vivendo uma feliz uma vida de bff.

Daí não foi crise quando ele disse que queria ir num show que eu ia e combinamos de ir juntos com meses e meses de antecedência. O problema foi quando, lá em casa, perguntou se eu tava mesmo nessa “palhaçada de namoro” e se eu tinha certeza. A crise foi, quando uma vez no show, ele me disse que nem sequer conhecia a banda. E que tinha achado que ia ser um bom lugar para pegar mulher (só comigo como companhia… num show da Banda do Mar…)!

E assim todo o mau humor da noite (já que ele não gostava do show) teve ápice  ao me deixar em casa: “quando eu precisar de companhia para um programa de índio bem índio, te chamo. Você me deve uma”.