But somethings are not gone forever when you say goodbye

Quando ~meu~gringo mudou para a Bolívia, eu fiz um fuzuê danado. Lembro direitinho de passar um tempão no quarto da Lalá contando pra ela e para Tetê (amigas silábicas) o tanto que aquilo era um marco e uma desconstrução de tudo que ele era para mim. De homem perfeito, de arrependimento de volta, de cara mais incrível que eu já havia conhecido na vida para… cuidador de órfãos na Bolívia (bucólico e humanista, eu sei). Na época ambas me censuraram (juntas ficam sempre fortes contra mim!!!) dizendo que isso que deveria ser um plus a mais em tão garboso rapaz, mas de boa, essa falta de ambição, só com vontade de salvar o mundo, é muito até para mim.

Assim que cheguei dessa conversa, vim pro blog e publiquei esse histérico post daqui, do qual enfatizo:

“O melhor presente: o melhor cara que eu já conheci não existe. De repente todos os caras do mundo se tornaram imediatamente mais possíveis,  todos estão no páreo. Só porque o melhor cara do mundo não não existe.”

Total desconstruí a imagem que eu tinha, né. Porque ele era sempre uma realidade alternativa do “e se eu tivesse ficado…” e de repente, pela primeira vez, ele tava ali vivendo uma vida que eu não queria viver. E deixa de ter esse blabá de vida possível com decisões diferentes.

Bom… tô aqui tantos anos depois, vivendo minha vida tranquilamente quando passo a ter conviver com a Bolívia novamente. Dia desses o senhor meu namorado diz que talvez a vida faça mais sentido por lá. Assim mesmo. E pergunta se um dia, beeeem no futuro, eu consideraria mudar para tais bandas.

Fucking Bolívia.

Zé onguinha que eu sou, diria que uma vez na Bolívia, órfãos bolivianos não estão tão longe assim.

Karma is a bitch sim ou com certeza???

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And remember what am I fighting for

A minha principal decisão para o Ano Novo é parar com a terapia. Alta auto dada mesmo. Já estávamos quinzenalmente, mas a vontade de ir lá e chorar minhas pitangas estava bem menor. Não que meus problemas estejam menores, não estão. Mas eu os conheço muito bem. A terapia era mais como um monitoramento: e a ginástica, e o seu pai, e seus sonhos profissionais, e a vontade família. Sei até o roteiro.

Ela, a terapeuta, nunca começa pelo peso, porque é o tema sensível. Mas filha, deixa eu te contar uma coisa, a gordinha aqui usou biquíni na praia (e devo ter recebido uma dezena de olhares feios e julgadores que eu me comprometi a ignorar). Tenho me aceitado incrivelmente melhor. O corpo é meu e cobrir ele não vai me fazer mais magra. Pode parar com a terapia sim ou sim?

Eu quero sim fazer mais (algum) exercício e dar uma controlada no peso. Mas por saúde mesmo. E porque qualquer médico vai me mandar emagrecer, é uma dura realidade. Tenho tendência a pressão alta, ou seja.

Também eliminei o desejo de mudanças drásticas de peso e médico de regime que dá remédio. Depois volta tudo. JÁ APRENDI.Melhor se amar e tentar viver mais saudável. Mesmo porque quando emagrece o peito fica caído e feio, Ó QUE DESPERDÍCIO.

Enquanto isso, meu pai tá lá vivendo a vida dele. Não tem mais o tabu “estou sem falar com meu pai há tanto dias e horas e ele não me ligou nem no Natal”. Meu pai me ligou no Natal. E só isso. O vi duas vezes ano passados e tem uns tabus doídos, Mas tá tudo bem. Tipo, daquele jeito. Vamos todos aceitar que dói menos, assuntos no resueltos existem na vida de geral. Ao menos as minhas partes eu fiz todas. Dormindo em paz, mas com algum rancor, quem nunca.

Os sonhos profissionais são confusos, né. Para todo mundo. Tão difícil ser tão responsável pela própria felicidade. Eu tô bem no trabalho, mas podia estar $melhor$, problema é que tem pouca gente aí querendo remunerar bem essa gente que quer mudar o mundo. Pós graduação, poliglota, experiência, tudo. Decidi que falta tirar certiticado. Estudarei e ele saí esse ano. Promessa registrada em blog, heim.

O coaching vai bem, mas eu podia investir mais. Mas eu também meço o tanto que eu quero ter tempo para mim.No momento ter mais dinheiro não é tão prioritário, então me comprometo mais a ficar à toa o máximo possível (que não é muito, já que eu trabalho e depois do trabalho trabalho :p).

Casar e ter filhos SOCORR. Aos praticamente 30 (20 dias para tal), não tô nada pronta para nada disso. Depois eu volto para a terapia. Se precisar. Se eu morar com 12 gatos e quiser me matar. Sei lá.

Esse post é um overshare tremendo. Fica como meta também para 2015 fazê-lo menos (o overshare, não os posts).

Seja como for, eu vou

Todo mês eu queria muito ler a Susan Miller. Era com muita ansiedade que eu queria ver se ia ser tudo bem no trabalho, se por acaso eu mudaria de emprego, se nas minhas datas mais românticas eu conheceria alguém. Quando tava ruim eu decidia não acreditar não. Quando tava bom, eu acreditava muito. Hoje tô com ela aqui aberta e meio preguiça de ler. Mas se for bom, acredito sim.

Eu também ficava bem ansiosa para que uma amiga jogasse tarô para mim. Fazia mil perguntas, mas na verdade eu só queria saber de amor. E eu ouvia com uma frequência gigantesca um “ainda não”, o que era bastante frustrante. Acabou que eu nunca ouvi o tal “agora sim”. Inclusive tenho que pedir para ela jogar para mim nesse 2015 novo.

Às vezes (a cada muito tempo, juro) a gente também vai encontrar uma pessoa que regada a cachaça e cheirando a cigarro, nos abraçam e falam do futuro. É uma cabloca, figurado candomblé. Da última vez ela me disse para eu continuar com meu trabalho de “ajudar gente” e sofrer menos com as dores da minha família. Ela também me disse para eu ficar menos parada em gente que não me quer, porque enquanto isso, deixo passar pessoas que me valorizariam. Achei um conselho muito melhor que o de todas as amigas e do que a terapeuta também. Acho que vou levar a cabloca Jurema sempre no coração.

No Ano Novo eu não cheguei nem perto do mar, embora estivesse na praia, para não ficar toda melada de água salgada. Abri mão de pular sete ondinhas sem muito peso na consciência, já que sete ondinhas não foram puladas nos últimos 29 anos, porque seriam nesses? Normalmente, na noite de Ano Novo, eu olho pros fogos e intenciono coisas boas. Dessa vez eu só fiquei olhando pro alto e achando bonito.