At 30 (at 10, at 5)

Fui ao oftalmologista ontem e esse senhor médico muito respeitado só me atendeu às 17:40 em uma consulta que estava marcada para às 15:30 (!!!). A primeira coisa que ele fez quando me atendeu foi olhar minha idade e dizer: “30 anos já?” (eu sei). Em seguida ele comentou que a primeira vez que estive lá foi aos 10 anos. Enquanto na minha primeira consulta nem óculos eu usava ainda, ontem recebi a triste notícia que aos 30 eu tenho 0.25 mais de miopia (mas essa merda não tinha que estabilizar com certa idade?) e alcancei o absurdo patamar de cegueira de 6.00 graus (!!!).

Além de tudo eu convivo com um milhão de micro cicatrizes na córnea direita que a tornam muito fina para jamais poderem sofrer uma cirurgia a laser e deixam bem claro que óculos e eu, eu e óculos (JUNTINHOS) para sempre. O oftalmologista, que apesar de ter me mantido duas horas na sala de espera, é um bom médico, e sempre fica bolado com a minha córnea. Assim, com frequência, desde os meus 10 anos, manda fazer um caro e fresco exame que o plano de saúde até tem que autorizar separadamente. Esse exame mostra que minhas cicatrizes tão sempre iguais e apesar de meus 6 graus, a cegueira vem só via miopia mesmo (obrigada Senhor).

E aí, todo ano (mentira, fazia 3 anos que eu não pisava no consultório deste senhor), ele me pede para eu explicar como é que rolou tal trauma. A história é assim: eu criança, com menos de cinco anos de idade, chegando em casa. Mamãe me manda tomar banho. Eu histérica corro e direção ao banheiro, não sem simultaneamente começar a tirar a minha roupa (desde sempre prática). Mas eu não contava, obviamente, em ter uma parede no meio do caminho (cuja presença eu não pude antecipar devido a ter uma blusa na minha cara) e choquei a cara diretamente na parede (desde sempre desastrada). Mamãe conta que eu caí desmaiada (imagina o desespero dela pensando que a criança estava morta) e metade do meu rosto estava roxo (que beeeeeleza).

Assim, a pessoa (euzinha) saiu com um traumatismo craniano encefálico de baixa gravidade e para sempre utilizarei óculos.

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Não posso mais desperdiçar minhas horas de sono assim

Eu preciso muito de férias.

E até aí o universo também concorda comigo: estatística internas da empresa informam que, entre mais de 200 funcionários, eu sou a de férias mais atrasada.

Ultimamente tenho tido dificuldade para dormir, coisa que nunca aconteceu. E de repente me vejo acordando a noite, coisa também que nunca havia passado, e não tenho conseguido dormir de novo porque… não consigo parar de pensar em coisas de trabalho!!!

Enquanto isso minhas olheiras, que já têm tendência a serem fundas porque meus olhos são totalmente fundos, só se tornam mais vistosas.

:(

POR FAVOR, FÉRIAS

(e sonharei mais de mês com isso: só em abril).

Looking, learning, asking the same “WTF”?

Se tem um trem que eu lamento em mim é o tanto que uns mimimi mínimos me doem. Até já conto uma certa maturidade – obrigada, terapia – de conseguir racionalizar e limitar a reação. Assim, raramente nos dias de hoje as pessoas têm ideia dos chiliques que eu tenho por dentro.

A terapia me ensinou uma coisa grandiosa, fora o autocontrole, que eu até já falei sobre por aqui algumas vezes: ninguém faz nada contra você. Tudo é dos outros. Na real, metade das ações que te machucam de alguma maneira, nego tava nem lembrando da sua existência. E daí que vem o real papel de trouxa: mesmo assim você se dói toda.

Então fico aqui doendo e jurando de pé junto que, ó: perdeu, prayboy. Me perdeu.

Porque atualmente, me machucar não se paga com aguentar meu drama. Paga por me ter menos. E não que eu seja lá a melhor coisa do mundo, né. Mas uma vez desenrolado meu pape de trouxa, faço dele é picotinho.

Se você jurar, eu posso até te acostumar

Ele disse que não era justo me fazer esperar.

Eu disse, achando que a vida é Grey´s Anatomy: “eu espero”.

Vira e volta eu fico bem puta por ter que esperar, pensando que sou meio masoquista ao ter me voluntariado de coração tão aberto. Mas daí nesse final de semana ele tava me criticando por eu ter contado a história do coelhinho para algumas pessoas e eu disse “deixa eu te contar uma coisa, essa história é imã de mulher. Pode usar essa no futuro, viu?”, e ele disse que não precisa de usar essa no futuro porque o futuro sou eu.

Gritos internos agudos.

Do you wanna talk about it?

Viajei com a minha chefe essa semana todinha. Na segunda-feira minha preocupação era “Deus do Céu, o que eu vou conversar com essa mulher tantos dias seguidos?”. Sexta-feira nosso vôo de volta foi cancelado e nos puseram em outro que ainda atrasou, ou seja, passamos 12 fucking horas tentando chegar de Recife em BH.

No final das contas tarrá lá trocando confidências com a chefe. Ao menos consegui me controlar e não falar mal da pessoa com quem eu tenho brigado atualmente. Estamos ficando mais maduras, mas não menos faladoras.

Faz tempo que eu quero ser feliz

Fazer 30 anos é meio assustador, se você pensar bem. Existe uma série de expectativas, autocriadas e também implantadas por família e sociedade, de coisas que você já deveria ser e ter. E adivinha, ainda não as sou e não as tenho. Minha mãe, que me teve aos 28 anos, me contou que estava conversando com um colega de trabalho sobre meu aniversário (os 30 anos devem ser muito mais assustadores para as mães) e que ela começou a se perguntar se somos parecidas e pensamos parecido na mesma idade. E ela sabe que não.

Eu sou bem menos madura e bem menos independente que ela na idade.

Mas sou também mais bem resolvida e mais autônoma.

Enquanto minha mãe já era casada, tinha uma filha e um apartamento, eu falo três línguas, já morei fora sozinha e trabalho com coisas que eu realmente acredito.

No dia do meu aniversário uma amiga me ligou e disse “seja bem-vinda, essa é uma idade maravilhosa”.  Espero mesmo que seja. Preciso de coisas maravilhosas. Tô pronta para coisas maravilhosas.