Are you in the mood for a little drama?

Quando eu era adolescente, imagino que a minha mãe achava que eu era meio burrinha (no sentido de penar para passar de ano mesmo) para perder um ano de colégio por causa de intercâmbio, então ela resolveu trazer o intercâmbio até mim. Quando eu tinha 17 anos desembarcou em terras brasileira uma intercambista neozelandesa, que foi, naquele ano, meu pior pesadelo.

No início eu até brinquei de professora, ensinando-a português e tentei dividir meus amigos com ela, mas rapidamente percebemos que não tínhamos muito a ver e o amor brasileiro por gringos fez com que ela tivesse amigos por todas as partes.

Enquanto eu sofria com toda a tensão vestibulanda, sofria com meu peso, sofria com aulas a noite e provas infinitas, sofria até mesmo tomando recuperação de física APÓS já ter passado no vestibular (ó céus), a gringa saia todo fim de semana, andava por ai toda loira magra de olhos azuis e ainda tinha o fator minha irmã mais nova, na época pentelhíssima com seus 13 anos, que repetia que gostava mais da neozelandesa do que de mim a todos os momentos. Ó vida.

Eu brigava HORRORES com a gringa, coitada. E era grossa com ela e todas essas coisas que uma injustiçada e sofredora de 17 anos se acha no direito de fazer com as pessoas.

Os anos passaram (aleluia) e eis que eu tava morando nos EUA na mesma época que ela. Trocamos e-mails infinitos, ela em Washington (estado) e eu em Washington (cidade) –apesar dos nomes iguais, o google te confirmará: extremos opostos do país. Marcamos que ela viria em um final de semana, ficaria lá em casa, mil planos. Passou sexta, sábado, domingo e absolutamente nada dela. Fiquei mais preocupada do que bolada, e enviei um email “por favor, me diga que você não morreu?!?!?”.

Acontece que naquele fim de semana ela terminou um namoro de 7 anos (eles tinham se conhecido durante o intercâmbio no Brasil!!!) e ela se fechou do mundo. Ok, ok. A vida é uma merda às vezes.

Faz uma data que a gente sabe que ela mexe com Olimpíadas, viajando o mundo todo (o que gerou o mais triste de todos os comentários maternos: “porque o emprego dela é tão legal e o seu é tão ruim?” – obrigada, mãe) e que eventualmente ela chegaria aqui.

Chegou. Semana passada ela divulgou uma vaga para ser assistente dela que paga SETE PAU e exigia como qualificações quase tudo que eu tenho, menos a parte de já ter trabalhado em organização de grandes eventos esportivos (que depois de PAN e Copa devem existir aos montes). Claro que a parte de eu ser gestora de ONG tem nada a ver com isso também, mas o quê que tem?

Eu sabia que não tinha muitas chances, por nunca ter trabalhado em evento megalomaníaco, e que também por saber que o status de irmã de intecâmbio/inferno da vida não eram um plus. Assim, 12 anos depois de infernizar minha vida, a intercambista nem para uma entrevista me chamou.

Blé.

(apenas fatos, sem tanto sofrimento, finalmente – só um orgulhuzinho ferido)

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