Jogo feio com resultado esquisito

O Atlético tomou de 4 e meu pai me ligou para saber o que tinha acontecido. Eu expliquei que o Levi escalou mal o time e que o Carlos foi expulso aos 17 do primeiro tempo, mas também que o time tinha entrado muito pressionado com a vitória do Corinthians e não tava acertando um passe.

Quando eu era pequena, meu pai viajava muito e ligava para saber do Galo e do campeonato, e eu percebendo isso, fui sabendo cada vez mais. Lia o jornal, assistia programas esportivos, via os jogos. Meu Deus do Céu, até o pay per view eu assino hoje em dia. Mas não é mais por ele, é por mim.

Acontece que peguei amor. Peguei gosto. Peguei sei lá o que se pega quando se aprende esses gostos.

Eu aprendi futebol por esses telefonemas no domingo a noite.

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De cada dor em dor

Por anos fui conhecida como uma pessoa que se machuca muito. Idas a prontos-de-socorro anuais, pontos, luxações, imobilizações e pequenos acidentizinhos que tornavam a minha vida uma emoção atrás da outra com tropeções, tombos e batidas em quinas afiadas.

De uns tempos pra cá, eu estava muito equilibrada. Sério mesmo. Era uma pessoa com fino controle sobre meus movimentos e plenamente inteira e saudável. Tava orgulhosa. Minha fama de estabanada era injusta. Desastrada era quase uma ofensa.

Só que numa conjunção astral nova, deu zica e eis que aquela lua vermelha, aquela mesma, a de posts abaixo, fez com que desse ruim. Juro que foi ela.

Numa busca pela Savassi por uma camisa de BH (como é difícil achar camisas turísticas em uma cidade pouco turística), pisei errado descendo uma escada e ouvi um sonoro CRAC!!! Obviamente foi na frente do meu namorado, que agora não só me acha estabanada como fica me mandando emagrecer porque o médico ficou falando disso na frente dele. Ó céus.

Compressas, anti-inflamatórios, atestado não usados, duas semanas depois estava já feliz e recuperada dessa entorse leve quando, eis que, uma bolinha de queijo frita tinha o meio gelado e eu voltei todas pro óleo.

Passados uns minutinhos, tirei as bolinhas, deis uns minutinhos e fui dar uma gostosa mordida, quando de gelado o queijo se passou para lava fumegante e queimou minha boca e língua. Não queimou um poquinho. Queimou de dar bolha. E depois de lágrimas desesperadas de vergonha e dor (mais vergonha), é pomada na boca e língua doendo. Diz que em uma semana tá tudo bem. Ê Galo!

Can you find my cry?

Na sexta o governo publicou uma portaria que é bastante ruim para a gente. E meio, na verdade bastante, preocupada, mandei a mesma para minha hermana advogata ler, analisar e me ajudar a entender. Na sexta, também, saiu o resultado de um concurso público no qual a mesma irmã foi aprovada. Eu, bastante egoisticamente, continuei mais chorandinha que feliz, e também fiquei pensando que o jogo virou, queridinha, agora eu vou ser a irmã pobre.

Então a gente comprou uma pizza e enquanto isso a minha irmã e o namorado foram a Disney 3 vezes, compraram um apartamento e planejaram uma ida à Lua, só na imaginação. Ao mesmo tempo, eu pensava que, caso de fato o governo mantenha essa decisão que nos fode, e meu futuro promissor esteja mesmo ameaçado, eu podia vender bijoux na praia. Isso se eu aprender a fazer bijouteria.

No sábado, eu tava lá vendo o primeiro tempo da partida do Galo quando chegaram os amigos da minha irmã pra comemorar. Tomaram meu lugar no sofá e faziam muito barulho. Pra sorte deles meu mal humor não durou muito porque fui pra uma festa alheia. E o Galo venceu de 3×0.

No domingo rolou o mesmo, tarra lá vendo a humilhação do Parmera e minha irmã chegou com uns casais de amigos. Asilada no meu quarto, fiquei bastante brava com a felicidade alheia e dei meus chiliquinhos internos. Fui reclamar de infelicidade e irritação com o namorado e ele mandou eu deixar minha irmã ser feliz.

Mas eu sou muito uma injustiçada.

(e uma ciumenta)

Vê se olha com carinho pra minha insegurança.

Ele me deu um verbo. Fastasmear. É em espanhol e não quer dizer fantasiar. É sobre criar fantasmas mesmo. Fantasmas no nosso relacionamento. É quando ele demora demais pra responder, ou tá meio esquisito por um dia. É uma menina que fica curtindo tudo que ele põe no facebook, ou uma festa que ele foi e voltou muito tarde.

“No fantasmees, Alicia”, ele diz, errando meu nome por querer.

“Alicia, no pelees, queres?”.