Keep on lovin’

Em 2016 eu quero amar bem mais.

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Amar mais a minha família, aproveitando cada um, construindo memórias positivas e não só vivendo dias esquecíveis. Em 2016 eu quero amar mais o meu trabalho, fazendo com um propósito maior e intenção real, me mantendo sempre sincera comigo mesma. Em 2016 eu quero amar mais a mim mesma, cuidando desse joelho-de-meu-Deus e do meu corpitcho perfeitamente imperfeito. E amando-o mais também. E de quebra amar mais todas as mulheres desse mundo, fortalecendo a sororidade e sendo exemplo positivo, eliminando a cada dia um monstrinho machista que mora em mim. Eu também quero amar mais meus amigos. Nesse final de 2015 tão choroso por sentir amor de menos, preciso retribuir o amor que eu recebo, para deixar de ser boba e só multiplicar o que é gostoso. Não posso me esquecer de amar mais o meu próprio amorcito. Esse que me ensinou que é possível confiar em outro ser humano sim. Amar mais e ser mais grata a essa sorte que é amar e ser amada de volta.

Qual o seu verbo pra 2016?

Eu fico longe

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Quando eu era mais nova, desenvolvi certa mania de perseguição e sempre tinha a sensação de exclusão.  Em um determinado momento, em tempos do finado Orkut, fizeram uma linda comunidade chamada “excluídores da Alice”, cujos membros eram apenas meus amigos mais próximos.

Percebi aí que estava sendo ridiculinha (30 anos and couting) e tentei parar com isso. Obviamente a terapia ajudou um montão, mas tive muitas reflexões internas sobre o assunto, e me tornei menos assim. Totalmente consciente dos meus ciúmes, que tenho e exerço, mais com amigos que com namorado até, mas menos vítima.

(((((O ciúmes é uma falta de confiança no amor. É aquele bichinho que diz “peraí, você tá amando alguém mais que eu?”. Pois é. E ele mora aqui. “Peraí, você não me ama então?”.))))

Mas 2015 trouxe pra mim essa dorzinha de novo. Um mimizinho interno que incomodava vez ou outra com pessoas diferentes. É meu. Eu sei. O mundo não está contra mim, ninguém acorda e pensa “vou fazer a Alice se sentir mal hoje”. Ao menos eu espero que não, pois não tenho vocação pra ser mocinha punida por vilões.

Daí eu tenho resoluções internas, tipo aceitações. Tá tudo bem se nem todo mundo gostar de mim. Tá tudo bem não me convidarem para as coisas. Tá tudo bem que não tenham se lembrado de mim. Eu também não gosto de todo mundo. Eu também não convido todo mundo. Eu também não lembro de todo mundo.

Em 2016 eu quero ser mais forte nessas aceitações, evitando o draminha interno que eu sinto quando vejo em uma foto 3 amigas em um programa que eu gostaria de ter sido convidada. Tá tudo bem que elas não me chamaram.

Talvez elas só não sejam tão minhas amigas assim.

(essa última frase foi um draminha, mas acho difícil eles deixarem completamente de existir).

E se deixa ser amada

Ainda bem que existe o feminismo, que me ajudou, mais que anos de terapia, a ser feliz com o meu corpo. Hoje eu faço coisas que não fiz na minha adolescência, como usar shorts (porque tenho pernas muito grossas) ou usar biquíni (por ser gorda mesmo). Odiava praia e piscina, porque na verdade me odiava. E aprendi isso em casa (e no mundo, obviamente).

Na terapia, minha psicóloga me tentava ajudar a controlar a ansiedade (algo que preciso) para me estimular a emagrecer. Ela entendia como parte do papel dela tentar controlar minha compulsão, o que tá tudo bem, já que é de fato uma questão psicológica. Mas felicidade mesmo não vem de malhar e não comer. Vem de se amar.

Hoje eu tô vivendo de regime e com exercício físico porque tenho que emagrecer por causa do joelho. Mas estou perfeitamente (mentira, porque tenho momentos de fraqueza) feliz assim. Meu regime tem furos com pouca culpa, porque eu penso que tenho que emagrecer um pouco para ser mais saudável, para minhas roupas caberem melhor em mim, para controlar a pressão, para ter mais fôlego, pro meu joelho sarar, para um dia poder engravidar de boas. Eu não tenho que emagrecer para ser feliz. Estou tentando fazer meu regime não correr contra o tempo.

Qualquer grupo de meninas juntas começa a falar de peso com alguma preocupação, magras ou gordas. E em qualquer peso, meninas se preocupam em não serem felizes ou amadas porque não são perfeitas. É peito demais ou de menos, muita ou pouca bunda, perna fina ou perna grossa, braço grosso ou braço fino.  Isso sem considerar que tem gente que lida com diferenças reais, como deficiências ou outras características físicas fora do padrão.

A questão é que não é o mundo que vai te fazer feliz ou te amar se  você não decidir ser feliz e se amar. E se permitir a ser exatamente como você é.

Ainda bem que existe o feminismo, que me ensinou que eu, como mulher, estou no mundo para viver a minha vida, e não para satisfazer o que aprendi que o mundo espera de mim. O feminismo me ensinou a me deixar ser amada… por mim mesma.

Não me falta o sol do amanhã

Amanhã é o último dia da analista que trabalha comigo. Ela pediu para ser mandada embora durante o meu atestado. Minha chefe aceitou por motivos políticos. Pediam que eu tivesse alguém mais barato comigo há tempos. Minha analista uniu o útil ao agradável para minha chefe.

A analista disse que queria fazer o possível para minimizar o impacto em mim, mas na hora de colocar no aviso prévio se ia trabalhar duas horas a menos por dia ou 7 dias a menos, ela obviamente colocou 7 dias a menos. Daí eu pedi para, já que ela ia ficar 7 dias a menos, que marcasse o exame demissional num desses dias. Obviamente ela marcou durante o horário de trabalho, num desses poucos dias que ela tá aqui. Obviamente.

O trabalho dá 200 reais de “bônus de natal”, e ela foi perguntar no DP se teria direito. Eles vieram me perguntar. Eu, que sou trouxinha na vida, disse que era pra dar sim. Fui chorar as pitangas de ser tão trouxa com uma colega de trabalho, que me responde tranquila:

– Cada um dá aquilo o que tem.

Oh, close my eyes and I wake up

Hoje é meu último dia de atestado, e por sorte amanhã é feriado. Como a vida é muito brincalhona, ontem eu tava saindo do shopping com a minha família e  a minha chefe me viu andando relativamente serelepe. Muito brincalhona.

Se no início eu sofria porque o tempo não passava, acordava na hora de ir trabalhar, não tinha vontade de ver mais série ou filme nenhum, agora, 15 dias depois, eu acordo meio dia, arrasei no netflix (altas temporadas) e virei muitas noites. Ficar deitada não me incomoda mais (obviamente, nos primeiros 3 dias eu não podia me mover mesmo, então era realmente mais incômodo).

Fisioterapia é um saco e é cheio de homem que machucou jogando pelada e que acha que eu não posso dar opinião de futebol (mas eu rapidamente enchi o saco e liguei o foda-se, melhor mesmo ficar caladinha). A minha perna dói muito às vezes, mas o maior desespero é quando recebo rápidas informações sobre a próxima cirurgia (sim, porque vai ter mais uma operação) eu sofro um pouquinho, choro um pouquinho.

A vida vai seguindo. Por sorte dia 23 entro de férias coletivas por 10 dias.