‘bout the future and how we’re getting older

Em 1994 foi a primeira Copa do Mundo que eu lembro. Foi nessa época também que a minha mãe foi para os Estados Unidos visitar minha prima bebê que havia nascido enquanto o meu tio fazia phd por lá. Quando a minha mãe ia embarcar, eu me joguei no chão no aeroporto, aos prantos, gritando para a minha mãe: “não me abandona”.

Horas depois, quando já realizada uma escala do vôo, minha mãe ligou querendo falar com a filha histérica,  e eu sutilmente mandei avisar que não ia atender porque tava ocupada brincando.

(Acho que a minha personalidade se formou aí)

Bom, essa prima bebê vai se casar.

PÃAAAãaaa.

(minha resposta para o anúncio via whatsapp: “mas você não é um bebê?”).

By one or two I mean maybe a couple hundred kilometers

Dei dois passos para trás no meu relacionamento. Fiz isso por não ter certeza.

Não que eu não tenha certeza que quero ficar com ele. Quero sim.

Eu só não sei como.

Uma partezinha aventureira de mim tá louca para largar tudo e ir morar fora, começar emprego novo e morar sozinha por essas bandas com ele. Também vem uma parte preguiçosa que pensa que ia ser até gostoso ir para fazer nada e me enganar um tempinho fingindo que dá pra viver só de amor.

Mas daí outra parte mais ambiciosa olha pro meu trabalho e vê futuro, e como é que eu largo tudo se aqui é tão meu? Daí eu já acho que ele tinha que vir e fim. Só que então vem a parte realista que lembra que moro com a minha mãe e meu único bem material é uma cama. A gente vai viver aonde e do que? Ele vai fazer o quê?

Uma parte caseira não quer abandonar minha família e meus amigos, enquanto outra parte acha que posso conquistar mais pessoas para serem minhas. Uma parte realizada sabe que eu trabalho exatamente com o que exige o melhor de mim, e que tão pouco é muito fácil, outra acredita que a realização pode ser conquistada também do lado de lá, só vai ser mais difícil porque é recomeçar.

Por enquanto eu tô aqui esperando que o mundo escolha por mim. Deixa eu ter coragem quando a vida me obrigar.

99% anjo, perfeito

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Eu e quem?

O gatinho, desde sexta a tarde, está morando no banheiro porque não pode ter contato com a Pequi. Ele pode ter uma doença contagiosa e só será testado depois de 30 dias do resgate. Nos dois primeiros dias a gente dava comida, à força, pra ele a cada 2h. Antes tava confinado no box, mas agora já tá livre no banheiro todo. Ele já tá comendo sozinho, andando mais firminho e reduzindo os comportamentos preocupantes. Vai no veterinário 3 vezes por semana, para checagem e tomar soro. Não engordou nem um quilo, mas seria muito pedir para ele voltar a ser gordinho em apenas 7 dias após o resgate. Eu e minha irmã passamos muitas horas por dia com o gatinho, suficientes para os namorados reclamarem.

O gatinho, obviamente, é prioridade. Estou considerando colocar o apelido de “milagrinho” nele. Encomendamos um ovo de páscoa gigante para dar de presente para a senhora que o resgatou.

Post enternecedor

No dia 14 de janeiro, meu gatinho sumiu. :(

Ficamos um dia achando que ele podia estar escondido dentro de casa, mas depois iniciamos uma busca externa enlouquecedora por notícias do Peri (também conhecido como gatinho). Além de eu termos entrado em dezenas de grupos de buscas por bichinhos perdidos e ter feito posts com centenas de compartilhamentos, imprimimos mais de 200 cartinhas e mais de 20 cartazes e espalhamos pelo nosso bairro. Não há vizinho que não tenha visto a carinha fofa dele.

Para piorar bastante, na semana seguinte que o Peri sumiu, choveu rios. Também saíamos de madrugada com lanterna, mesmo na chuva, para procurarmos por ele. E atendemos diversas ligações de gente achando que o tinham visto, mas não encontramos nem sinal, sempre saindo correndo a cada ligação.

Há três semanas falaram que tinham o visto em uma praça. Mesmo longe demais, fomos. Não era o Peri. E lá discutimos se refazíamos tudo. Mas foi tudo tão difícil, a gente sentia tanta saudade.

Lá em casa tem outra gatinha, a Pequi. Ela emagreceu muito e chora bastante. Vai até a porta e chora,  chora também por estar sozinha, a noite. Chora o tempo todo. Quando não chora, fica na cobertura sozinha, toda deprê. E a gente chora também, mas cada vez mais escondido, para não deixarmos ninguém mais triste.

Só que aí, ontem, eu fui olhar meu telefone e tinham 17 chamadas não atendidas. Era uma senhora que tinha visto um gatinho na rua e levado para uma clínica. Um gatinho que não tava conseguindo nem andar, que tava quase morto. A 5 dias de completar 2 meses de Peri sumido, aquele gatinho era o meu gatinho.

O Peri tá internado no veterinário, ainda em estado grave. Tá no soro, mas está comendo sozinho, apesar de não conseguir andar. Os exames dele só ficam prontos amanhã, então a gente não sabe se ele pegou algo na rua e as consequências que a fome e desidratação deixaram nele. Agora temos um quadro de inanição, desidratação e fraqueza extrema. Mas é o meu gatinho. E ontem, no final do dia, eu fui visita-lo e dei colo para ele. Ele ronronou.

No dia 9 de março, meu gatinho voltou. :)

Depois não diga que não te avisei

Anos atrás escrevi um post sobre três colegas de trabalho que eram magrinhas. O post é o mais visitado desse blog porque, por algum ~motivo~, muita gente coloca “vestir 34” no Google.

Daí, às vezes, aparece nesse post velhinho (de 2012!) gente pra me xingar de preconceituosa. Justamente nessa muy movimentada e turbulenta semana, chegou uma mensagem de uma leitora (?) revoltada (!) assim:

Você foi mega preconceituosa, sim senhora! Eu uso 34. Genética pura. Como fast food, como picanha com gordura, tomo refrigerante. Chocolate então? Adoro. Você não quer ser julgada pelo seu corpo? Então não julgue o corpo dos outros!

Nem toda gorda se entope de comida, e nem toda magra vive à base de alface.
Estou cansada deste VITIMISMO de gente gorda (que OBVIAMENTE) queria ser magra.
Deixem as magras em paz!

Daí eu quero fazer um disclaimer para você, leitora* raivosa:

  1. que sorte a sua comer tudo e ser magra. eu como tudo e sou gorda. mesmo fazendo dieta e emagrecendo, eu vou continuar, quando comendo tudo, engordando. genética purinha também.
  2. eu não julgo ninguém pelo corpo, muito pelo contrário (OBG FEMINISMO). o post em questão era sobre a falta de empatia minha, e das minha colegas de trabalho, sobre nossas realidades. as meninas que vestem 34 eram elas, não você, que por sorte eu não conheço (não gostaria de conhecer alguém que escreve VITIMISMO em maiúscula para desqualificar dor alheia, sinceramente).
  3. eu não quero ser magra. eu quero ser mais magra para poder operar o meu joelho, no momento. OBVIAMENTE eu era outra pessoa em 2012, mas não sei se nem nessa época eu queria vestir 34.
  4. o blog é meu, sim senhora. então apesar de ter postado o comentário aqui, porque eu posto o que eu quiser, eu deletei ele no post. as alegrias de ser ditadora de um pequeno espaço, ó, é uma delícia. aqui não tem democracia! ♚ ♛♚ ♛sou rainha daqui, soberana e única juíza ♚ ♛♚ ♛.

E SE CHORAR MAIS… vai ficar chorando. Porque daqui a pouco eu vou escrever um post duma história maravilhosa e todos os ~nossos~ corações ficarão enternecidos.

*me senti A colunista aqui. hihi!

Suppose we never deserved it

Quinta-feira entrei numa loja e provei um vestido. Ele ficou maravilhoso em mim.

Era estampado, com um decote bonito, descia sereia, tinha cauda e meu corpo ficou maravilhoso. O problema começou quando a vendedora da loja me disse o preço: R$1.200,00.

Na hora, embasbacada com a minha própria beleza (gordinha, porém maravilhosa), disse que compraria. Trabalhei muito e tenho na conta a grana, bora ser feliz, pensei. Combinei de voltar no dia seguinte com o cartão de crédito.

Mas assim que pisei em casa comecei a pensar em 1.200 motivos para não adquirir tão maravilhoso traje. E comecei a perguntar para amigas: você faria?

A maioria aconselhou um grande se joga. “Todo mundo merece se mimar às vezes”. Eu trabalhei, tenho a grana.. mas será que tem problema gastar num vestido o mesmo tanto que paguei numa cama?! Uma parte importante de um laptop que eu não tenho e poderia comprar? Parte da poupança que eu tô guardando para eventualmente dar a louca e mudar de país?

Daí uma das minhas amigas respondeu “mas você tem data para usar esse vestido?”, o que me confirmou uma suspeita de uns meses que eu não vou ser convidada para o casamento de alguém que eu me considerava bastante amiga até há uns meses (que foi quando eu comecei a suspeitar que não seria convidada e fiz nesse blog uns chorinhos, obviamente). Ninguém tem obrigação de ser minha amiga, mas vou confessar que dói todas as outras amigas em comum serem madrinhas e eu não ser nem sequer convidada.

Finalmente, juntando meu coração partido  com o fato de na verdade eu só ter, afinal de contas, um casamento, e não mais dois, na minha agenda dos próximos meses, resolvi manter o dinheiro em meu poder e o vestido num cabide que não é meu.

 

 

And I might be a little bit…

Tarrá lá feliz e satisfeita celebrando minha vida (vide post abaixo) quando nesta nebulosa segunda-feira, chego para trabalhar e…
PÁ.

Tá lá chefe-mirim. Aquela que quase me fez desistir dos meus sonhos, que me fez chorar, me fez odiar, me fez imaginar uma labareda de fogo saindo de sua cabeça enquanto ela passava no corredor, essa mesma. Trabalhando aqui.

OLHA ELA, me assombrando 3 anos depois. Eu nunca tinha realmente pensado que eu era tão mais feliz devido à ausência dela. E fazia tempo que não gastava qualquer segundo pensando que ODEIO alguém nessa vida. Pois odeio. E é ela.

E tá lá ela sentada no meu campo de visão. NO MEU CAMPO DE VISÃO, GENTE. EU LEVANTO A CARA E VEJO ESSA GAROTA!!!111

Óbvio que já chiliquei: “vou pedir demissão, vou fazer um escândalo”, mas daí eu lembrei de que preciso do plano da empresa para operar o joelho maldito. Fui perguntar pro meu ex-chefe que CARALEOS essa garota faz aqui ele disse que ELE, que presenciou tantas brigas, tantos conflitos, a contratou como autônoma para prestar um serviço.

Véi.

Talvez eu esteja procurando emprego. Talvez.